Estado vai acompanhar famílias de crianças que pedem esmolas nos sinais de Manaus

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A “Operação Esperança”, foi lançada ontem (27), pelo Governo do Amazonas, e está voltada ao combate ao trabalho infantil nos semáforos de Manaus. Seguindo determinação do governador Amazonino Mendes, a ação tem o objetivo de diminuir o número de crianças e adolescentes com os direitos violados pela exploração do trabalho infantil e a exposição à mendicância.

Segundo o governador em exercício e secretário de Segurança Pública, Bosco Saraiva, além da abordagem educativa, haverá um acompanhamento das famílias das crianças e adolescentes para evitar que o problema persista.

A operação integrada entre as Secretarias de Segurança Pública (SSP); Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc); de Assistência Social (Seas); Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente (DEPCA) e Polícia Civil começou nesta segunda-feira, de forma simultânea, em oito locais estratégicos de Manaus.

A ação conta ainda com a parceria do Ministério Público do Trabalho (MPT), Conselho Tutelar e instituições como Associação Beneficente O Pequeno Nazareno, Lar Batista Janell Doyle, comunidade terapêutica Desafio Jovem e Associação Philippe Sócias.

Sensibilização

A primeira etapa da ação é de sensibilização de condutores de veículos, que são abordados por crianças e adolescentes nos semáforos, onde os mesmos realizam várias atividades que caracterizam trabalho infanto-juvenil e mendicância, como comércio de produtos, limpeza de parabrisas, malabares e pedidos de ajuda em dinheiro.

A segunda parte será a abordagem social junto ao público-alvo. “Serão 200 profissionais envolvidos na ação, entre assistentes sociais, psicólogos, advogados, técnicos e os gestores dos órgãos envolvidos. Vamos abordar crianças e adolescentes que atuam em sinaleiros de Manaus, fazer o cadastro social, reunir com os familiares de maneira psicossocial e realizar os encaminhamentos necessários”, explica o titular da Sejusc, Clizares Santana.

Diagnóstico

Um levantamento realizado no período de julho de 2016 a fevereiro de 2017 pelo Diagnóstico de Abordagem Social “Criança Não é de Rua”, realizado pela Associação Beneficente O Pequeno Nazareno, identificou 78 crianças e adolescentes em situação de rua, trabalho infantil, mendicância e exploração sexual. A maioria oriunda da Zona Leste de Manaus.

O estudo revela, ainda, que 46% desse total é formado por adolescentes de 12 a 15 anos. Segundo a titular da DEPCA, delegada Juliana Tuma, o dinheiro recebido nas ruas acaba servindo como estímulo para que os responsáveis mantenham essas criança e adolescentes na condição exploratória. A estimativa é que, por dia, a arrecadação de dinheiro gire em torno de R$ 120.

“São valores pecuniários que, muitas vezes, fomentam que eles entrem até para o mundo da criminalidade, que sejam cooptados para o tráfico de drogas e a exploração sexual. Os levantamentos feitos pelas Oscs mostram que tem pais que sustentam vícios de drogas, inclusive com esse dinheiro. Temos conhecimentos que isso é utilizado para sustentar vício de drogas”, afirmou a titular da DEPCA.

Rede de proteção

A “Operação Esperança” também envolve ações de fortalecimento do vínculo familiar e da rede de proteção à criança e ao adolescente, afirma a secretária de assistência Social, Auxiliadora Abrantes. “Com essa nova ação, o governador Amazonino Mendes está trabalhando no fortalecimento da rede. Temos o mapeamento destas crianças e adolescentes para que eles possam superar essa situação de vulnerabilidade e que não seja mais preciso voltar às sinaleiras. Elas não precisam de esmola, precisam da mão amiga do estado, do conselho tutelar”.

A DEPCA também estará presente na abordagem social, assim como aproximadamente 20 agentes da Polícia Civil. O vice-governador e Secretário de Segurança, Bosco Saraiva, afirma que o trabalho de proteção das crianças é fundamental e acontecerá de maneira intensa em toda a capital.

*Com informações da assessoria

Roberto Brasil