Esquerda argentina reclama de ajuda britânica pelo submarino

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Ajuda inglesa é mal vista pela esquerda portenha por conta das Ilhas Falklands, reclamada pelos argentinos como sua

comoção pelo desaparecimento do submarino argentino ARA San Juan não amenizou alguns ânimos na Argentina com relação aos habitantes das ilhas Falklands/Malvinas, que pertencem aos ingleses, mas cuja soberania é reivindicada pelo Estado argentino.

Líderes de esquerda e de organizações sociais kirchneristas criticaram a colaboração do Reino Unido, que vem enviando ajuda às buscas por meio de embarcações e aviões estacionados na base militar que os britânicos mantêm no arquipélago.

Assim que o navio britânico HMS Protector deixou as ilhas para integrar-se à missão de resgate, o deputado argentino Gabriel Solano (Frente de Esquerda ) postou nas redes sociais: “São tropas de ocupação do território argentino”.

Os moradores da ilha responderam por meio de sua conta oficial: “Boludo” (estúpido). Solano respondeu, também por meio das redes: “Fuck you” (foda-se), ao que os islenhos também contestaram: “pobrecito” (pobrezinho).

Já o líder da organização de squerda Quebracho, Fernando Esteche, também se posicionou contra a ajuda britânica por razões políticas: “São piratas hoje e sempre. No passado, afundaram o Belgrano (embarcação argentina com 500 soldados, abatida durante a Guerra das Malvinas, em 1982) e hoje temos argentinos agradecendo que eles colaborem na busca pelo ARA San Juan. Que não esperem nada em troca porque seguem ocupando nossas ilhas.”

A Esteche, os islenhos responderam: “A Marinha Real está buscando marinheiros argentinos desaparecidos e é isso que você posta?”.

Em conversa com a reportagem, por telefone, o historiador e jornalista John Fowler, que teve sua casa bombardeada durante o conflito de 1982, crê que, “infelizmente, essa ajuda aos argentinos não irá curar as feridas da guerra, ainda latentes”.

Porém, ressaltou que a população das ilhas vem expressando “simpatia pela tripulação do submarino e suas famílias e espera sinceramente que ele seja resgatado. Seu drama é humano e isso nos comove e transcende outras considerações.”Fowler crê que os moradores das Falklands não têm problemas “com os argentinos, mas com governos e políticos da Argentina que seguem reivindicando a soberania das ilhas”.

E acrescentou que segue existindo desconfiança mesmo quando estes têm atitudes simpáticas ou demonstram querer aproximar-se. “No fundo todos pensamos que escondem uma agenda política, que é reclamar as ilhas.” Com informações da Folhapress.

Roberto Brasil