Escolas particulares alertam sobre o risco de jogo virtual e criam o ‘Boletim Azul’

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Equipes pedagógicas das escolas realizam orientações quanto ao esclarecimento dos riscos de jogos negativos (Foto: Divulgação/Seduc)

Preocupadas com a participação de estudantes no jogo virtual ‘Baleia Azul’, escolas particulares de Manaus estão adotando medidas para conscientizar pais e alunos. As ações vão desde o envio de cartas com alertas para os riscos do game até a criação de um desafio, o ‘Boletim Azul’.

O jogo ‘Baleia Azul’ surgiu na Rússia, em 2015, e desde então, levou centenas de adolescentes ao suicídio, ao redor do mundo. Em Manaus, o caso já foi registrado pelo Conselho Tutelar da zona leste.

De acordo com a diretora da Escola Adventista da Liberdade, Maria Luciene, 50, a instituição criou maneiras criativas de conscientizar os alunos. “Nós enviamos comunicados aos pais de alunos, tanto na forma escrita, como também via e-mail, para incentivar o diálogo entre pais e filhos”, disse Luciene.

A Escola Adventista da Liberdade criou o desafio ‘Boletim Azul’, com 50 desafios para conquistar um boletim com boas notas. “O ‘Desafio Boletim Azul’ possui 50 desafios aos alunos que os ajudarão a conquistar boas notas, no decorrer do ano. Quando o aluno cumpre os desafios, automaticamente se torna um estudante aplicado”, explicou Luciene.

Entre os desafios do jogo criado pela escola, estão listadas tarefas como ‘Ser o melhor aluno da sala’, ‘Nunca colar nas provas’ e ‘Honrar pai e mãe’. O último desafio do jogo ‘Boletim Azul’ é ser aprovado no ano letivo. Ao fim da lista, o aluno encontra a frase “Cumpriu todos os desafios? Parabéns, a aprovação está garantida. Vida nova na série seguinte”.

Outras escolas

Segundo a diretora pedagógica do Colégio Salesiano Dom Bosco, Sanda Correia, 50, a escola alerta aos alunos a respeito dos perigos do jogo através de publicações nas redes sociais e mensagens. “Além de publicarmos alertas e comunicados nas redes sociais, nós fazemos mensagens positivas e de valorização pelos corredores da escola, pois acreditamos que não basta amar os jovens, nós temos que demonstrar”, disse.

A diretoria das escolas Idaam, representada pela diretora Cecília Carrara, afirma que a instituição encaminhou uma carta aos pais alertando sobre o jogo. “A equipe pedagógica da escola realiza constantemente orientações junto às turmas e individualmente aos alunos e responsáveis quanto ao esclarecimento dos riscos de jogos e brincadeiras negativas”, afirmou Carrara.

A secretária Edlane Damascedo, 32, mãe de uma estudante de 12 anos, disse que considera importante o acompanhamento da família e da escola em assuntos que envolvam a saúde mental dos filhos. “Eu acho ótimo quando vejo que a escola da minha filha se importa em não deixar que os alunos se envolvam com jogos perigosos como esse. Eu sempre falo pra minha filha que brincar de jogos assim é um erro que pode tirar a vida”, contou a secretária.

Sobre o jogo

O nome ‘Baleia Azul’ faz referência à crença popular que diz que baleias azuis tem um comportamento suicida ao encalhar, de propósito, nas praias.

O jogo virtual surgiu na Rússia, em 2015, quando uma jovem se jogou de um edifício, por conta do jogo. O jogo exige que os adeptos cumpram missões, como, a autoflagelação. A última missão é o suicídio. Para participar, é preciso receber um convite nas redes sociais e aceitar os desafios que devem ser publicados para comprovar que a missão foi cumprida.

Na última quinta-feira, a mãe de uma menina, de 11 anos, que tinha vários cortes, feitos por lâmina no braço esquerdo, procurou o Conselho Tutelar da zona leste. A mãe da criança disse que a filha participava da brincadeira com outra colega da escola.

(DO D24AM)

Roberto Brasil