Escolas do EJA agora terão aulas 100% presenciais todos os dias da semana

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A evasão escolar começou no Centro de Educação de Jovens e Adultos Professor Agenor Ferreira Lima, segundo professores (Foto: Euzivaldo Queiroz)

Professores, pais e os próprios alunos estão preocupados com a possibilidade do número de pessoas nas escolas de Educação de Jovens e Adultos reduzir a partir desse ano, após a determinação para que as aulas passem a ser 100% presenciais todos os dias da semana.

A evasão escolar começou no Centro de Educação de Jovens e Adultos Professor Agenor Ferreira Lima, segundo professores. Eles acreditam que o sonho de muitas pessoas vai ser adiado ou até mesmo cancelado definitivamente com a medida.

O EJA é voltado para a parte da população que não concluiu os estudos. Para a professora Suely Aida de Medeiros, a mudança do sistema prejudicará severamente parte da população que, por inúmeros motivos precisou interromper os estudos ainda na juventude, mas que pretende concluir o ensino fundamental e médio. “É um absurdo, foi decidido sem ouvir a sociedade. No formato anterior, eles conseguiam estudar, agora vai ficar difícil”, disse.

Segundo a educadora, a maioria das pessoas que recorre a essa modalidade de ensino são de idade “mais avançada” e que possui outros compromissos. Com aulas semipresenciais, eles conseguiam se adequar à rotina e terminar os estudos, mas, a partir da mudança, ela e outros educadores acreditam que o número de alunos em sala de aula tende a cair drasticamente. “Fica muito cansativo para as pessoas que são de idade, não são tão jovens, e precisam trabalhar. Se for para priorizar, elas vão escolher continuar trabalhando porque tem que ter uma renda”, disse.

Antes da nova determinação, as aulas no sistema semipresencial ocorriam duas vezes por semana, mas, após o decreto oficial, as aulas serão exclusivamente presencial, cinco dias da semana. A aprovação ocorreu no dia 9 de dezembro de 2015 e começou a vigorar esse ano. “Já era para estar vigorando desde o início do ano, mas nosso diretor conseguiu adiar”, disse a professora que leciona no Centro de Educação de Jovens e Adultos Professor Agenor Ferreira Lima.

Outra professora, que pediu para não ser identificada temendo represálias, disse que o número de alunos matriculados na escola começou a diminuir após a determinação de aulas exclusivamente em sala de aula. Segundo ela, nas turmas, onde as aulas acontecem duas vezes por semana, são muitos alunos matriculado. Porém, nas turmas presenciais o número de alunos é está abaixo do que eles esperavam.

Apesar de estar concluindo o ensino médio esse ano, a cabeleireira Raimunda da Silva Gomes, 43, acredita que muitos colegas vão desistir dos estudos. “Fica muito cansativo, muito pesado, para a gente que tem ‘uma certa’ idade e tem outras obrigações”, disse.

A cabeleireira contou que passou muitos anos longe das salas de aula. Ela é de origem humilde e precisou trabalhar desde cedo. Logo, os estudos ficaram para último plano. Foi no ensino voltado para jovens e adultos, com aulas apenas duas vezes na semana, que ela viu a possibilidade de concluir os estudos. “Só nesse formato para eu conseguir me formar, não é fácil para alguém adulta, tenho meu salão, tenho casa, tenho filhos. Se fosse todos os dias, eu já teria desistido”, disse.

Oficial

A Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino (Seduc) informou que determinação das aulas da Educação de Jovens e Adultos ocorrerem de forma presencial, todos os dias da semana, foi estabelecida conforme a resolução  241/2016, do Conselho Estadual de Educação, aprovada ano passado e valerá para todas as 43 escolas em Manaus que ofertam essa modalidade de ensino.

Sobre a possível evasão escolar, a Seduc informou que busca sempre a melhoria do ensino e jamais vai tirar ou deixar o aluno fora da sala de aula. A secretaria também informou que no antigo modelo de EJA, o aluno estudava por meio do sistema de blocos e caso o aluno perdesse um bloco, teria que finalizar o bloco seguinte para poder recomeçar o ensino. Agora é por fase, na qual o aluno cursa o Ensino Fundamental em duas fases (6º e 7º ano; e 8º e 9º), com todas as disciplinas referente ao ensino.

(Com Portal A Crítica)

Roberto Brasil