ENFRENTAR DESAFIOS

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Jefferson-Praia-500x167Os desafios sempre aparecem em nossas vidas. Quando surgem, enfrentamo-los com motivação, criatividade e dedicação com a expectativa de bons resultados ou os deixamos de lado, sem o sentimento de perda.

Em 1994 aconteceu algo que mudou a minha vida. Eu era presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas e Roraima- CORECON AM/RR, recebia convites para dar entrevista nas emissoras de TV e os preteria – tinha medo de não me sair bem durante as entrevistas. Pensamentos negativos alimentavam esse medo: Será que vou suar frio na hora da entrevista?  Vou tremer as mãos, gaguejar, vai “dar um branco” na hora?  Resolvia o problema pedindo aos meus colegas conselheiros que me substituíssem nas entrevistas que surgiam.

Em junho de 1994, o Governo Federal implantou a terceira fase do Plano Real com a criação de uma nova moeda: o Real. A sociedade queria entender melhor aquele momento de mudança na economia. Era uma quinta-feira, quando recebi um telefonema da TV Amazonas: “Gostaríamos de entrevistá-lo para falar sobre esse novo momento da economia, o surgimento do Real.” “Quando você quer fazer essa entrevista?” perguntei à pessoa ao telefone. “Amanhã seria bom?” “Amanhã tenho um compromisso (o medo se manifestou naquele instante), pode ser na segunda?” “Ok, vamos lhe aguardar, a entrevista é no Bom Dia Amazônia.” “Aceitei essa entrevista, o que vou fazer?” esse foi o primeiro pensamento que surgiu, logo após ter desligado o telefone.

Tive um insight, um desses momentos iluminados. Decidi montar um estúdio improvisado em minha biblioteca: peguei dois grandes papelões, em cada um coloquei uma lâmpada de 100 W – seriam as luzes do estúdio; uma mesa, duas cadeiras- uma para mim e a outra para a entrevistadora, faltava a câmera filmadora: preguei em um cabo de vassoura uma lata de óleo sem a tampa e pronto, estava montado o meu  estúdio! Anotei inúmeras perguntas sobre o assunto e passei o fim de semana treinando a entrevista. Luzes ligadas, entrevistadora em minha imaginação, e o olhar na direção da lata de óleo – como se estivesse olhando para a câmera.

Na segunda-feira, fui bastante entusiasmado à entrevista; mas confesso que o friozinho na barriga me acompanhava. Quando terminou a entrevista o repórter cinematográfico se aproximou de mim e disse: “Parabéns, você conversou com a câmera.” Eu logo pensei, “conversei com a lata de óleo.” A produtora do jornal, em seguida, perguntou-me: “Você gostaria de ser nosso comentarista de Economia?” “Posso pensar no assunto” respondi-lhe. “Claro, fique à vontade.” Conversei com várias pessoas, principalmente com meus colegas do CORECON. Lembro-me que um deles me disse: “Jefferson a TV pode alavancar sua vida profissional, como também, prejudicá-lo.” Algum tempo depois, comecei minha contribuição como comentarista econômico do Bom dia Amazônia.

Era um novo mundo. A empresa tinha um ótimo clima organizacional. Aprendi bastante! A direção da Rede Amazônica sempre acolhedora, atenciosa e repleta de sonhos sobre a Amazônia, das quais eu me identificava. Realizei muitos comentários na TV e depois na Rádio Amazonas FM.

Em 1996, o Amazon Sat já estava dando seus primeiros passos.  Não tínhamos nenhum programa sobre a Economia da Amazônia, mas especificamente sobre a Economia do Estado do Amazonas. Eu tinha uma aspiração: mostrar a Zona Franca de Manaus e o potencial da Biodiversidade Amazônica. Foi então que sugeri à direção do Amazon Sat a criação do Programa Negócios da Amazônia. Comecei a treinar o ofício de repórter, empenhei-me bastante. Apresentei e produzi o programa por vários anos. Sonhei, vibrei e vivi entusiasticamente cada momento do programa Negócios da Amazônia. Belos momentos!

De um desafio, surgiu uma oportunidade que mudou a minha vida. Aprendi que não devemos jamais deixar de enfrentar o medo. Quando surgir uma oportunidade em sua vida profissional, para qual você não se acha preparado, recomendo a você estudar qual a melhor forma de enfrentar esse momento que pode ser difícil à primeira vista, mas pode ser superado e extremamente recompensador.

Roberto Brasil