Enem começa hoje para 6,7 milhões de candidatos

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Mais de seis milhões de histórias se deparam hoje com uma maratona de provas que pode definir trajetórias de vida. Com 6,7 milhões de inscritos, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aplica suas primeiras provas hoje, a partir das 13h30, horário de Brasília, em todo o país. A avaliação é o principal acesso ao ensino superior no país e desafiará os estudantes com questões de Ciências Humanas, Linguagens e a elaboração de uma redação nesta tarde. As provas de Matemática e Ciências da Natureza somente serão realizadas no próximo domingo, dia 12.

Os números que cercam o Enem o colocam como o segundo maior processo de admissão para universidades do mundo, só perdendo para a seleção chinesa. Isto mesmo com as mudanças na edição deste ano, que acabou com a certificação do ensino médio a partir do exame e impossibilitou que alunos que não concluíram o segmento tenham acesso à nota para pleitear vagas nas faculdades. As modificações tiveram impacto no número de inscrições, que caiu de 9,2 milhões em 2016 para 6,7 milhões na edição deste ano.

Ainda assim, o alcance da prova continua amplo. Neste ano, 1.725 cidades de todo o Brasil oferecerão a prova em 182.202 salas de aplicação. O estado com o maior número de inscrições é São Paulo, o mais populoso do país, com 1,13 milhão de candidatos.

Para que todos possam ter a mesma chance, o Enem conta com atendimentos especializado e específico. Ao todo, são 31.726 candidatos que pediram tratamento diferenciado, a maioria deles pessoas com deficiência que pleitearam espaços adaptados para a sua realidade. Uma novidade no atendimento deste ano se dá com os surdos. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia que aplica o exame, criou uma versão da prova em braile. Com isso, 359 candidatos optaram por essa alternativa.

Gestantes, idosos e lactantes também puderam pedir atendimento específico. São 16.908 candidatos nessa modalidade que poderão, por exemplo, ter acompanhantes fora da sala.

O uso do nome social na identificação foi requisitado por 694 candidatos, como transexuais, mas somente 304 pedidos estavam de acordo com os critérios e foram deferidos pelo Inep.

Entre as mudanças do Enem este ano, duas se destacam. A primeira é a realização em dois domingos seguidos, ao contrário de um único final de semana, como nas edições anteriores. A segunda novidade é que os alunos receberão uma prova personalizada com o seus dados. Para isso, foram impressas 72 milhões de páginas personalizadas e 467 milhões de páginas para os cadernos de provas.

Em abril, o Inep anunciou que mudaria o consórcio contratado para aplicar a prova e que não contariam mais com o trabalho do Cebraspe. A mudança causou uma polêmica que não termina com as provas de hoje: a quem pertence os detectores de metais utilizados na aplicação? O Cebraspe afirma ser dono, mas o Inep reivindica a posse. Com o impasse não resolvido, o governo teve que alugar os aparelhos para que o nível de segurança do exame continue o mesmo do ano passado.

Outra polêmica envolvendo o exame aconteceu a dias da prova. O desembargador federal Carlos Moreira Alves, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), acatou o pedido do movimento “Escola sem Partido” para que o critério sobre direitos humanos não zere a redação quando for violado. O Ministério da Educação recorreu ao Supremo Tribunal Federal e recomendou que os candidatos continuassem respeitando o critério estabelecido no edital na prova de hoje.

Na mesma semana, as polícias civil de Goiás e Distrito Federal empreenderam uma operação para desmantelar uma quadrilha suspeita de fraudar o Enem no ano passado. No entanto, não foram detectadas ameaças ao teste deste ano. De qualquer forma, o governo afirmou que o esquema de segurança foi reforçado e conta com apoio da Polícia Federal. / Fonte: Agência O Globo

Roberto Brasil