Empresa brasileira lança exame de sangue que fica pronto em minutos

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Hilab, dispositivo que permite exame de sangue a distância

Quando visitei pela primeira vez um laboratório de análises clínicas, observei uma biomédica realizando um teste de gravidez.

Ela colocava uma tira-reagente (algo parecido com uma cartolina do tamanho de um palito de fósforo) em tubos com soro ou urina. O próximo passo era esperar poucos minutos até o resultado –uma listra que ficava ou não colorida, a depender da presença de um hormônio no material– e anotar o resultado no computador. Simples assim, o exame estava pronto.

Uma questão me veio: por que não fazer o teste no próprio local onde o sangue foi coletado? Se o laudo sai tão rápido, por que esperar horas ou dias até o resultado?

Sem fazer nenhuma revolução bioquímica, uma empresa do Paraná lançou na última semana uma solução que caminha nessa direção.

A principal arma da Hi Technologies é a telemedicina. O único equipamento usado para a realização de exames fica na clínica, no hospital ou até mesmo no consultório médico.

Um enfermeiro ou técnico fura o dedo do paciente com o auxílio de uma lanceta, pinga algumas gotas em uma cápsula (que contém uma fita-reagente) e o aparelho digitaliza a amostra e manda para a nuvem (rede de computadores ligados à internet).

A empresa criou testes de dengue, gripe, zika, glicose, colesterol, entre outros.

Em uma central, localizada em Curitiba, biomédicos analisam a “versão digital” produzida pela máquina e assinam digitalmente o laudo. O arquivo digital chega para o profissional de saúde e para o paciente após alguns minutos, via e-mail.

O ganho de tempo permite que o médico inicie o tratamento o mais rápido possível, diz Marcus Figueredo, CEO e fundador da Hi Technologies.

“Nosso objetivo é produzir testes baratos e comparáveis aos convencionais para competir nos setores público e privado”, diz. Outra meta é disponibilizar o teste em farmácias.

MAU EXEMPLO

Na prática, a proposta é que a empresa funcione como um laboratório de análises clínicas, só que “difuso”, capilarizado, sem intermediários.

Não é a primeira vez que alguém no mundo tenta tirar vantagem da bilionária indústria de exames laboratoriais. Em 2014, uma das start-ups mais promissoras do mundo era a Theranos, dos EUA, que fornecia testes rápidos que também necessitavam apenas de algumas gotas de sangue.

Dois anos depois, veio a derrocada: a fundadora Elizabeth Holmes e a empresa foram punidas por graves deficiências na realização dos testes, tendo emitido milhares de resultados incorretos. Já estava em curso até uma pareceria com a gigantesca rede americana de farmácias Walgreens.

Para evitar o erro, o ideal é que os dados que mostram a replicabilidade dos resultados sejam publicados em artigos científicos e divulgados para a comunidade, diz Alex Galoro, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica e Medicina Laboratorial.

A opinião é compartilhada pelo gestor médico da Cia da Consulta, Paulo Rozental.

A clínica popular, localizada na Sé (zona central de São Paulo), oferece os testes do Hilab em um programa piloto gratuito. Entre os disponíveis na clínica no momento estão os de gravidez e de dengue.

A adoção do modelo, diz Rozental, dependerá também do controle de qualidade laboratorial e da equivalência aos exames convencionais.

“Já há testes rápidos em prontos-socorros. A novidade no caso do Hilab não é a parte analítica em si, mas a proximidade do teste e do aparelho com a pessoa que vai realizá-lo”, diz Galoro.

Figueredo afirma que já tem todos os registros sanitários necessários para as atividades a serem desenvolvidas e que, em breve, publicará estudos científicos com os dados coletados.

(Com FOLHAPRESS)

Roberto Brasil