Em Manaus, secretários estaduais de Educação defendem a reformulação do ensino médio brasileiro

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educacao-secretarios-reuniao-manaus-1A proposta de fazer da Língua Inglesa a língua estrangeira obrigatória no currículo do ensino médio brasileiro, diferentemente do Espanhol que hoje vigora como obrigatoriedade nesta etapa do ensino, foi uma das propostas defendidas pelo secretários de Estado de Educação do país em reunião neste sábado (31) em Manaus. A reunião foi coordenada e organizada pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) que mobilizou, além dos secretários estaduais, os coordenadores de ensino médio de todas as regiões do país no II Seminário do Ensino Médio iniciado na última quinta-feira (29) na capital amazonense sob o patrocínio do Itaú BBA.

A reunião e o seminário tiveram como objetivo fundamentar uma proposta de reformulação do ensino médio brasileiro e sugerir inferências no Projeto de Lei nº 6840/2013 que trata sobre o tema e que está em tramitação no Congresso Nacional.

A proposta de tornar a Língua Inglesa um componente curricular obrigatório é umas das providências sugeridas pelo Consed para fazer do ensino médio uma etapa de ensino mais atrativa e que responda aos reais anseios dos jovens brasileiros. “No último ano (2014) 7,6% dos estudantes matriculados no ensino médio no país abandonaram os estudos. Isso se deve muito ao fato de que o currículo do ensino médio não atende às necessidades das pessoas, que por consequência, optam por abandonar os estudos. Para tentar mudar esse quadro, organizamos este encontro para debater ideias e formalizar propostas que serão encaminhadas para tramitação junto as esferas do legislativo nacional e, como desejamos, serem viabilizadas na forma da lei”, explicou o secretário de Estado de Educação do Amazonas e vice-presidente do Consed, Rossieli Soares da Silva.

educacao-secretarios-reuniao-manaus-2A proposta específica de tornar a Língua Inglesa componente curricular obrigatório no ensino médio atende às expectativas de pessoas como o maranhense Ismael Oliveira Araújo, 26, que participou do encontro.

Falando, durante o evento, sobre a experiência por ele vivenciada, Ismael ressaltou que após várias tentativas frustradas de alcançar uma segurança empregatícia, só veio a alcançar sucesso após a dedicação em assimilar a nova língua. “Hoje atuo como garçom em um hotel resort e essa oportunidade só surgiu porque eu possuo domínio básico da língua inglesa. Acredito que se as escolas oferecerem aos jovens um ensino reforçado neste segmento, eles terão horizontes muito mais promissores”, disse Ismael.

Atualmente no Brasil, a Língua Inglesa, enquanto disciplina, é obrigatória somente no ensino fundamental, onde é oferecida do 6o. ao 9o. ano. Hoje, no ensino médio, a língua estrangeira obrigatória é o Espanhol.

Pela proposta do Consed, a língua estrangeira que deve constar como obrigatória no currículo do ensino médio brasileiro é a Língua Inglesa, com a possibilidade de oferta optativa ao aluno de uma segunda língua, respeitando as peculiaridades das diferentes culturas, os interesses locais e em conformidade com as possibilidades de oferta de cada Estado. 

educacao-secretarios-reuniao-manaus-3Reformulações – Propondo reformulações significativas no ensino médio brasileiro, além de mudanças no currículo referente ao ensino de línguas estrangeiras, os secretários de Educação trataram também sobre: Educação Integral e de Tempo Integral, Áreas do Conhecimento, Contextualização, Distribuição do Currículo, Interdisciplinaridade, Transversalidade, Componentes Curriculares, Opções de Aprofundamento, Formação Docente, Formação Técnica Profissional, Diploma, Avaliação, Cumprimento das Exigências Curriculares e Processo Seletivo do Ensino Superior.

Para o secretário de Estado de Educação de Santa Catarina e presidente do Consed, Eduardo Deschamps, a mobilização em torno da reformulação do ensino médio é uma das prioridades do conselho. “O Consed possui seis eixos de trabalho e um deles é o de reformulação do ensino médio. No bojo das discussões em torno da reformulação desta etapa do ensino acreditamos se fazer necessária uma discussão ampla, e que já está sendo realizada, sobre formas de tornar o currículo mais atrativo, que ora apresenta-se desconectado das necessidades dos estudantes; sobre formas de buscar uma maior integração entre a formação docente (universitária) e as redes básicas de ensino e também sobre a necessidade de tornar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mais flexível com parâmetros de avaliação diferenciados”, citou Eduardo Deschamps.

O presidente do Consed falou ainda sobre a necessidade, neste processo de reformulação, de uma atenção diferenciada à questão da conectividade digital. “A conectividade pode e deve ser aliada do processo de desenvolvimento educacional. As diretrizes que até pouco tempo tínhamos sobre o uso do aparelho celular em sala de aula, por exemplo, devem ser todas revistas pois, anteriormente, tais diretrizes eram seguidas quando a comunicação por intermédio destes aparelhos se davam unicamente por voz e hoje é sabido que a função deles é muito mais ampla. Devemos, portanto, observar a conectividade como um instrumento facilitador do ensino, especialmente no ensino médio”, conclui Eduardo Deschamps.

Realizado em Manaus e patrocinado pelo Itaú BBA a reunião do Consed contou, também com a participação do secretário de Educação Básica do Ministério da Educação, representantes do Movimento Todos pela Educação e demais conferencistas.

Roberto Brasil