Educação & Desenvolvimento como forma de sustentabilidade

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Ademir-Ramos

Fala-se muito em desenvolvimento, mas não sei se já perceberam as diferenças que as palavras carregam entre si.  Desenvolvimento não é sinônimo de crescimento, mas sem ele não se cria condições materiais para se instituir políticas sociais justas e igualitárias que ofereçam os meios necessários para viver dignamente.

O crescimento é a quantidade de riqueza produzida, o que os profissionais da economia chamam de Produto Interno Bruto. Sua concentração ou distribuição resulta do acesso às políticas públicas, como oferta de postos de trabalho e outras prioridades promotoras do bem-estar físico, mental e social de nossa gente.

Se não há desenvolvimento sem crescimento econômico imagine você sem um projeto político educacional, que defina com clareza e objetividade as metas da educação pública articulada com a ciência e inovação no horizonte das conquistas sociais, a começar pela institucionalização das creches, do ensino fundamental, médio e de nível superior, respeitando a especificidade das culturas étnicas e tradicionais formadoras de nossa identidade social.

Para a realização destas metas é importante que o Estado por meio de seus Governantes ofereçam as condições necessárias para a construção deste projeto, que não se reduz somente a as obras de infraestrutura, equipamento e outros assessórios. De forma simultânea, requer vultoso investimento no Plano de Carreira e Valorização dos Profissionais de Educação, bem como condições de trabalho que possibilitem a estes profissionais exercer com dignidade suas práticas pedagógicas com acesso aos laboratórios, bibliotecas, alimentação, com a participação de profissionais qualificados, em regime de tempo integral focado no desenvolvendo dos alunos (as), em atenção à sua capacidade intelectual e habilidade técnica que responda ao cumprimento das metas do Projeto Político Pedagógico das Escolas sob o controle não só da comunidade escolar organizada, mas, sobretudo dos pais e mães de alunos (as) da comunidade em que as Escolas estão inseridas socialmente tanto na capital como no interior do Estado.

Às vezes a própria família é responsável pelo abandono escolar das crianças e jovens. Pesa nesta hora as condições materiais que a família oferece para arcar com este processo de acompanhamento e corresponsabilidade com a própria Escola. O fator predominante neste momento é a perversa desigualdade social em que nos encontramos. Significa dizer que as políticas de governo têm contribuído muito mais para a concentração do que para a distribuição de renda, a provocar exclusão e o abandono social, mesmo considerando a existência dos Programas de Governo.

Lutar por educação é um dever de todo e qualquer cidadão (ã). Para isso, é preciso entender e compreender de uma vez por todas que as prioridades de governo e as suas ações são articuladas tal como uma orquestra sinfônica constituída de vários instrumentos. Contudo, quando regida de forma competente e hábil executa uma harmonia sonora e melódica capaz de sustentar a unidade no contexto da diversidade. Este milagre só é possível por força do trabalho dos músicos e do próprio maestro tal como exigimos dos políticos e dos governantes que trabalhem de forma articulados para garantir a unidade das políticas públicas visando o desenvolvimento de sua gente.  No teatro das artes se o maestro desafinar será imediatamente reprovado. Na política também não é diferente, se os parlamentares e governantes desafinarem devemos nos manifestar reprovando suas atitudes e exigindo que cumpram com seu dever, em respeito às demandas populares.

A defesa da Escola e da Universidade Pública, Gratuita e Competente é condição necessária para que se construa coletivamente de forma responsável políticas públicas que promovam a sustentabilidade das famílias e de suas comunidades inseridas no planejamento participativo redirecionando as ações de Governo seja por meio institucional ou de grupos de pressão no formato das greves, como força recorrente dos trabalhadores para garantir ganhos e conquistas que venham promover o desenvolvimento humano. Neste contexto, a Escola e a Universidade Pública deixam de ser uma referência física e se transformam numa agência produtora de conhecimento, ciência e inovação como plataforma de sustentabilidade geradora de trabalho e renda de forma socialmente justa.

Áida Fernandes