DUDU TINHOSO E A DILMA BOLADA NO CORDEL DO ZÉ DO NORTE

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Ademir-Ramos

“Viu só a última, foi “as bandeiradas do Eduardo, ele jurou ao nosso povo que o Amazonas, não seria reajustado na tarifa de energia”. No entanto, o Governo da Dilma vai cobrar do povo do Amazonas as bandeiradas – verde, amarela e vermelha – com efeito retroativo. Vamos pagar por um serviço que não usamos. O que o poeta Zé do Norte queria dizer é que a interligação do Amazonas ao Sistema de transmissão de Tucuruí – Manaus, Manacapuru, Rio Preto da Eva, Iranduba e Presidente Figueiredo – embora, usando apenas 10% desta rede, o povo vai ter que pagar a conta cheia e o pior ainda, são os demais municípios do Estado que nem sabem o que é isto e são obrigados a pagar por este serviço sem usá-los”.

O cordel é um gênero literário muito popular nos sertões do nordeste e da Amazônia. Sua produção prima muito mais pela rima do absurdo do que pelo realismo dos fatos e assim embola alhos com bugalho remetendo os personagens pro Céu ou Inferno no reino das cantarias. Esta arte é usada para exaltar determinado feito religioso e popular ou mostrar a cara de um Tinhoso que além de mentiroso se diz amigo do povo. Lá pras bandas do nordeste dizem que tudo começou com tal mestre Pombal, Leandro Gomes de Barros, que mostrou bem a métrica e o compasso para o sucesso. Ele e outros fizeram este gênero literário rico e intenso além de inesquecível. Confesso a esta seleta plateia, que Zé Limeira e o Cego Aderaldo foram os que me ensinaram a gostar da arte pela versatilidade da rima.

Numa ocasião, reza a história, o Cego Aderaldo, em praça pública, respondeu a uma provocação de seu parceiro, em sextilha, que é a modalidade mais comum no dito Reino da Cantoria:

Andei procurando um besta/ Um besta que fosse capaz/ De tanto procurar um besta/ Eu achei esse rapaz/ Que nem pra besta serve/Porque é besta demais!
Mas, Zé Limeira, o poeta do absurdo, vai mais além, misturando os fatos e imprimindo a sua marca como testemunha ocular da história, veja se não tenho razão:

Jesus nasceu em Belém/ Conseguiu sair dalí/ Passou por Tamataí/ Por Guarabira também/ Nessa viagem de trem/ Foi pará no Entroncamento/ Não encontrando aposento/ Dormiu na casa do cabo/ Jantou cuscus com quiabo/ Diz o novo testamento.

E O TINHOSO COM A DILMA: Perdendo a eleição o Dudu Tinhoso correu pros braços da Dilma e com o aval do Lula foi nomeado Ministro das Minas e Energia. Deixou o Senado e não perdeu nada porque sua mulher que era suplente assumiu o mandato e como alma penada resolveu perseguir o povo do Amazonas talvez por birra ou quem saiba com raiva por ter perdido as eleições pro Zé, que era seu vice. Não satisfeito, o Tinhoso resolveu melar as eleições do Zé no tapetão, alegando fraude e outras trapaças, que segundo ele lhe daria o direito de voltar ao governo pra construir uma ponte desta vez, não mais sobre o Rio Negro, mas serpenteando o Solimões, alegando integrar o Amazonas na malha rodoviária nacional, embora a BR 319 não passe de uma promessa vazia com muito mais buracos do que esperança. Para o Tinhoso, tudo parece que o que interessa não são os meios, mas, o quanto ganho nisso. Por isso, Brasília não lhe faz bem quer por quer voltar ao Executivo para manobrar o orçamento do Estado. Tem feito pressão pra tutelar a SUFRAMA, mas não tem sortido efeito suas investidas, porque dentro do seu próprio Partido suas credencias de bom moço tem sido desqualificada, considerando sua folha pregressa. O Tinhoso em Brasília, não se criou, virou gatinho de madame bem diferente de seu comportamento no Amazonas, onde afronta os pobres enquanto em Brasília exalta os poderosos.

NA FEIRA DO BAGAÇO: Andando pela Zona Leste encontrei na Feira do Bagaço, o Zé do Norte, recatado figura de pouca relação, mas com muita prosa, com óculos escuros, alça de uma cor e outra diferente amarrada com esparadrapo, mas com uma pose de gavião real, elegante e cheio de bossa. Na chegada fiz minha saudação de praxe e recebi de cheio a gozação do poeta, dizendo: “Agora só vive nos jornais, cuidado professor pra não ser enrolado com peixe podre”. Entendi a mensagem, mas fiz questão de ignorar, partindo para conhecer o que o Zé anda pensando sobre a vida e as coisas da política. Foi quando ele se queixou dos preços altos, da dificuldade da vida, falta de trabalho, da deseducação do povo, principalmente dos jovens e o abandono da saúde, parece o fim do mundo, “ninguém respeita ninguém”. Com a vista assim (apontou pros os óculos) não consigo mais ler nada, mas escuto muito rádio e sei o que os “homem tão fazendo por aqui como lá por Brasília”. Viu só a última, “as bandeiradas do Eduardo, ele jurou ao nosso povo que o Amazonas, não seria reajustado na tarifa de energia”. No entanto, o Governo da Dilma vai cobrar do povo do Amazonas as bandeiradas – verde, amarela e vermelha – com efeito retroativo. Vamos pagar por um serviço que não usamos. O que o poeta Zé do Norte queria dizer é que a interligação do Amazonas ao Sistema de transmissão de Tucuruí – Manaus, Manacapuru, Rio Preto da Eva, Iranduba e Presidente Figueiredo – embora, usando apenas 10% desta rede, o povo vai ter que pagar a conta cheia e o pior ainda, são os demais municípios do Estado que nem sabem o que é isto e são obrigados a pagar por este serviço sem usá-los. Foi quando eu perguntei ao poeta, o que vamos fazer, ele então me disse, o que o professor vai fazer não sei, mas o que estou fazendo é uma cantoria de choque, rimando “o Tinhoso com lambada na terra da Dilma Bolada, a falar sem dizer nada”, e eu que não sou besta pego meu Jaraqui em silêncio chamando Jesus de Genésio e o povo de meu Rei, te vejo na Praça.

Áida Fernandes