Diretora do BNDES afirma a CPI que Lula não influenciou no financiamento do Porto de Cuba

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“Agiram com um movimento altamente ensaiado", afirmou Marcos Rotta

“Agiram com um movimento altamente ensaiado”, afirmou Marcos Rotta

A CPI do BNDES realizou mais uma oitiva nesta terça-feira (1º), na Câmara dos Deputados. O vice-presidente do Banco, Wagner Bittencourt, e a diretora de Comércio Exterior, Luciene Ferreira Monteiro Machado, afirmaram durante a reunião que seria impossível o ex-presidente ter influenciado em operações de financiamento do banco. Ambos foram questionados por diversos deputados sobre o possível tráfico de influência de Lula nos empréstimos concedidos pelo BNDES a empreiteira, Odebrecht, para financiar as obras no Porto de Mariel, em Cuba.

O deputado Betinho Gomes, questionou a diretora Luciane Ferreira, se houve ou não tráfico de influencia do ex-presidente Lula para colaborar nas negociações junto ao governo de Cuba para viabilizar o Porto de Mariel, como foi divulgado recentemente na revista Época.

“Não houve tráfico de influência pelo ex-presidente Lula, o BNDES em todas as suas operações de financiamento atua por intermédio de um procedimento de dois colegiados e equipes técnicas e jurídicas que intervém numa série de etapas do processo. Temos um processo de segregação de função, a equipe que  avalia o pleito de financiamento inicialmente e leva ao colegiado de superintendentes, é uma equipe distinta da que vai analisar o crédito, então esse procedimento que temos faz com que o tráfico de influencia não seja possível dentro da instituição”, enfatizou Luciene.

O relator da Comissão, o deputado José Rocha (PR/BA) indagou o vice-presidente, Wagner Bittencourt, sobre o que caracteriza o sigilo bancário das operações do BNDES, e qual a razão do banco não expor a totalidade das informações para a sociedade e órgãos de controle.

cpi-bndes-oitiva-5Segundo Bittencourt poucas operações do banco são sigilosas, e o motivo é devido às informações serem de propriedades de sigilo das companhias, amparadas por lei. “Existe uma lei que define que essas informações sejam sigilosas, pelo banco elas poderiam ser expostas, mas são resguardadas para não causar prejuízos as companhias”, explicou.

Para o Presidente da CPI do BNDES, deputado Marcos Rotta (PMDB/AM), os convocados da reunião de hoje evitaram entrar em polêmica, não assumindo qualquer tipo de compromisso na CPI.

“Agiram com um movimento altamente ensaiado, foi perceptível que eles estavam aqui com um discurso já afinado para não assumir nenhum tipo de compromisso pessoal perante a CPI. Agora a Comissão vai utilizar os mecanismos que considerar necessário para que possa promover o esclarecimento dessas questões. Algumas vezes ambos tergiversaram nas respostas. Mas a CPI vai averiguar a veracidade desses fatos”, declarou.

Ainda segundo Rotta, nesta quarta-feira (2), às 14h, haverá uma nova reunião da Comissão, na qual serão deliberados cerca de 90 requerimentos que pedem informações e o envio de documentos.

Roberto Brasil