Dilma, ministros e avião presidencial foram espionados pela NSA

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Dilma em visita oficial ao Estados Unidos

Dilma em visita oficial ao Estados Unidos

O site WikiLeaks, conhecido por vazar documentos secretos, divulgou neste sábado (4) informações confidenciais da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, na sigla em inglês) que revelam nova espionagem contra a presidente Dilma Rousseff, assessores e ministros.

Ao todo, 29 telefones de membros e ex-integrantes do governo foram grampeados —no início do primeiro mandato de Dilma— pela agência norte-americana, como o do ex-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, e do então secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, atual ministro do Planejamento. A lista também aponta como alvos de espionagem uma autoridade da área internacional do Banco Central, o ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Alberto Figueiredo Machado, atual embaixador do Brasil nos EUA, e o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, o general José Elito Carvalho Siqueira.

Também tiveram os telefones grampeados uma secretária e um assistente de Dilma, além de representações brasileiras no exterior, como os números pessoais dos embaixadores do Brasil em Berlim e Paris, e até do avião presidencial.

A divulgação do documento ocorre poucos dias após o encontro de Dilma com o presidente americano Barack Obama em Washington, onde ela afirmou confiar que os EUA não estão mais interceptando as comunicações de países aliados, em um encontro em que um dos objetivos foi virar a página do escândalo de espionagem que abalou as relações bilaterais.

Julian Assange, editor-chefe do WikiLeaks, afirmou em comunicado à imprensa que essa revelação “mostra que os EUA terão um longo caminho a percorrer para provar que sua vigilância sobre os governos ditos amigáveis, acabou. Os Estados Unidos não só tiveram como alvo a presidente Rousseff, mas também as figuras-chave com quem ela conversava todos os dias. Mesmo que fossem confiáveis as garantias dos EUA de que a espionagem à presidente será cessada, o que não são, é difícil imaginar que ela possa governar o Brasil conversando o dia inteiro com si mesma. Se a presidente Rousseff quer ver mais investimentos americanos no Brasil, como expressou em sua recente viagem aos EUA, como ela pode garantir às empresas brasileiras de que suas concorrentes americanas não terão vantagens obtidas por essa espionagem, até que consiga realmente garantir que a espionagem acabou —não somente contra ela, mas em todos os assuntos brasileiros?” Folha de São Paulo

Áida Fernandes