DESCUBRA DO QUE SOMOS CAPAZES

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Ademir-RamosAs narrativas populares, religiosas e filosóficas estão repletas de simbolismo sobre a condição humana. Algumas destas falas responsabilizam o homem pela expulsão do paraíso, outras denunciam a liberdade como instrumento de vontade para responsabilizá-lo por sua escolha e opção denunciando o abandono e o desatino do homem na história. O fato é que estamos sós e nessas condições muitas vezes somos reféns do vicio tornando-nos presa fácil dos fantasmas das trevas perdidos em suas dúvidas, como se estivéssemos no mato sem cachorro, sem luzes e balizas para trilhar os caminhos da história incapazes de garantir sonhos e conquistas.

DANDO A VOLTA POR CIMA: Nestas horas têm pessoas que mergulham e não voltam mais ficam a mercê da situação e de forma indiferente vivem orientado pela vontade do outro, desse modo negam-se como sujeito e se afirmam como pau-mandado. Para história é como tivessem desistido de lutar e como vencidos transferem ao vencedor, o seu destino e a sua existência. Visto que, segundo Aristóteles, o escravo não se pertence, a vida desses homens está nas mãos dos seus senhores. Adormecidos estas pessoas aparentemente desistem de si mesmo, a ruptura neste caso, requer não só coragem, mas, sobretudo, capacidade motora de pensar e com isto definir os meios, as ferramentas mais eficazes para superar os problemas e quem sabe, em tempo, resgatar sua dignidade e capacidade de se espantar consigo mesmo, olhando para si numa perspectiva social à frente da história como protagonista.

QUESTÃO É SOCIAL: Enfrentar os problemas e lutar para superar os desafios é um comportamento determinante. No entanto, às vezes o desânimo é patológico requer intervenção médica para superar a impotência contra os males sociais que nos afligem. Esta doença é chamada pelos especialistas de depressão, a provocar na pessoa um quadro clínico de solidão, choro e outras manifestações que nos deixam com baixa estima. A questão não é só orgânica é, sobremaneira, social e por isso requer que os amigos e familiares criem as condições afetivas para que possamos resgatar as nossas forças e comecemos a lutar pelos nossos projetos. A barra é pesada às vezes nos tornamos agressivos, ficamos contra o mundo, outras vezes só queremos dormir, comportando-se como se fossemos um ausente acometido de uma tristeza crônica, que se não cuidarmos iremos à falência. Por incrível que pareça desta doença sofremos todos (as), em particular, os trabalhadores ou empreendedores quando perdem emprego, trabalho e renda, sem os meios necessários para cumprir com o seu dever familiar e seus compromissos com os credores. O agravante é quando à família ou o grupo em que estamos inseridos socialmente é intolerante para conosco, bem como os credores, que de forma fria e calculistas começam a arrebatar os bens para dar cabo das dívidas. O transtorno é generalizado precisamos de uma base moral estabilizada para não desmoronar senão tudo que construímos vai pelos ares inclusive os bens imateriais.

VIGOR DA JUVENTUDE: Dissemos anteriormente que desses transtornos ninguém está livre, inclusive a juventude com todo seu vigor, a começa pelo despertar para vida em sociedade reclamando da falta disto ou daquilo. Neste momento, o grupo social em que está relacionado deve agir de forma firme e determinante para conter o rompante dos jovens relativo ao consumismo, livrando-os das drogas e de seus labirintos. Das armadilhas mais gritantes que temos conhecimento, registra-se a ansiedade aqui configurada no encantamento do mundo, que nada mais é do que ausência da utopia, ou seja, do projeto a ser construído coletivamente. A juventude sofre desses males tanto quanto nós envelhecidos pelo mundo. É verdade que eles têm a força e são intrépidos, provocando tempestade de prazer, mas não podem tudo e por isso devem catalisar seu ânimo para assegurar os meios necessários e deste modo possa desenvolver socialmente, criando as condições matérias para que se viva dignamente de forma justa e responsável.

DO QUE SOMOS CAPAZES: As condições a serem criadas pelos atores sociais resultam de um esforço coletivo, a começar pelo acesso às políticas públicas de qualidade enquanto resultado de mobilização e da participação de todos (as) de forma estruturante no campo das organizações e movimentos sociais, não mais como pau-mandado, mas, enquanto cidadão (ã), motor das transformações e como instrumento de controle social, reordenando o Estado para o efetivo direito das garantias sociais, assegurando politicamente os meios necessários para o bem-estar da sociedade de forma justa e solidária.

Roberto Brasil