Dermilson Chagas pede investigação profunda sobre morte de líder comunitária

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 A Fetagri nos trouxe a indicação que há uma lista de pessoas marcadas para morrer no Amazonas, destacou Dermilson Chagas

A Fetagri nos trouxe a indicação que há uma lista de pessoas marcadas para morrer no Amazonas, destacou Dermilson Chagas

O procurador do Estado Daniel Viegas e o deputado estadual Dermilson Chagas (PDT) querem que a morte da agricultora Maria das Dores Salvador Priante, conhecida como Dorinha, receba uma investigação especial e ampliada por causa dos vários relatos de ameaças de morte e registros de violência contra trabalhadores do campo e da pesca no interior do Estado do Amazonas. As denúncias chegaram à Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPPADR) nos últimos seis meses, segundo Dermilson Chagas.

A questão da violência no campo foi um dos temas tratados, ontem, durante audiência pública realizada pela CAPPADR em parceria com a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável (CAAMA), pela manhã, na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM). Na última quinta-feira (13), Maria das Dores foi sequestrada de dentro da própria casa por cinco homens e depois encontrada morta com sinais de espancamento, braços amarrados e marca de doze tiros na cabeça, abdômen, pescoço e membros inferiores.

“São muitas as denúncias que chegam a nós de ameaças e de situações envolvendo disputas de terra e de outros interesses envolvendo a rotina de trabalho desses amazonenses que já convivem com todo tipo de dificuldade no exercício de suas atividades. Precisamos encarar essa realidade e combater a violência. Calar diante de todo esse quadro só piora a violência contra os trabalhadores e faz com que casos como a da agricultora Maria das Dores voltem a acontecer. A Fetagri (Federação dos Trabalhadores da Agricultura) nos trouxe aqui a indicação que há uma lista de pessoas marcadas para morrer no Amazonas”, declarou o deputado Dermilson Chagas.

Para Viegas, os trabalhadores do campo vivem sob ameaças por conta de questões fundiárias no Amazonas. “Nós não podemos permitir que as pessoas que moram no campo vivam em um estado de exceção dentro do estado de direito. Essas mortes precisam ser investigadas e os culpados punidos e nesse caso tem que haver uma investigação bem cuidadosa já que uma semana antes ela denunciou que sofria ameaças e logo após é assassinada. Isso é muito grave”, afirma o procurador.

Viegas afirma ainda que a grilagem de terra ainda é uma das causas mais graves dos conflitos de terra. “A questão da grilagem é grave no Amazonas e causa o conflito fundiário. A procuradoria tem atuado em dois caminhos: a regularização fundiária em parceria com Secretaria de Regularização Fundiária e a outra ação é combater a grilagem. Temos muitos títulos antigos que estão irregulares e o Estado tem cancelado esses títulos para fazer a regularização”.

Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, 36 mortes no campo foram registradas em 2014 no Brasil. Esse número tende a aumentar este ano já que só no primeiro semestre já foram registradas 23 assassinatos, sendo 22 na Amazônia. Dermilson Chagas afirmou que é preciso formar uma força-tarefa para a emissão dos títulos de terras. “Vamos chamar o Incra, o Iteam e demais órgãos para fazer essa emissão deste documento. Sobre a violência  no  campo, que ocorre não só na agricultura mas pesca também, ocorre de maneira sistemática, vamos encaminhar às autoridades”, ressaltou o deputado.

Segundo o coordenador do Programa Terra Legal no Amazonas, Luiz Antônio Nascimento, outros instrumentos devem ser criados para coibir atos de violência no meio rural. “Por isso temos defendido a criação de uma vara especializada de conflitos agrários, pois isso garante que juiz conheça o tema e estabeleça diálogo com órgãos estaduais e federais para dar celeridade aos processos”, disse.

Roberto Brasil