Deputada pagou até multas em troca de votos para marido, diz Procuradoria

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Shéridan Estérfany Oliveira de Anchieta (PSDB RR) (Foto: Dida Sampaio/Estadão)

Um dos pilares da denúncia contra a deputada Shéridan (PSDB-RR) por suposta compra de votos ao seu ex-marido, o ex-governador José Anchieta Júnior é um áudio gravado por eleitores da cidade de Boa Vista. A parlamentar, que à época era primeira-dama de Roraima e Secretária de Promoção Humana, oferecia um par de óculos em troca do sufrágio dos moradores do bairro de Pintolândia, cujas ruas sequer são totalmente asfaltadas.

Narra a procuradora-geral da República Raquel Dodge, que Sheridan, ’em companhia de uma assessora, visitou o bairro de Pintolândia, em Boa Vista/RR, e ofereceu à eleitora Érika Gaia inscrição no programa governamental denominado ‘Vale Solidário’, e ao eleitor Ronivaldo Chagas o pagamento de multas de trânsito, entregando-lhe R$ 200 por interposta pessoa.

Os aúdios da visita foram entregues pela própria eleitora, que representou contra a deputada.

A perícia sobre os áudios, que concluiu pela ‘inexistência de características de edição e natureza fraudulenta’, mostra que, durante a visita, a então primeira-dama e sua assessora prometendo um par de óculos que levaria ‘uns 15 dias para ficar pronto’ em troca de votos para ‘o Anchieta’.

“O contexto é retomado e F2 (Shéridan) diz que F1 (eleitora) deve ‘votar no Anchieta’ e que demoraria 15 dias para ficar pronto, que isto não ocorreria antes da eleição, que voltaria para fazer ‘cumprir’ e que o vale – Vale Solidário, programa governamental de Roraima – continuaria no ‘nosso mandato’, revela o relatório da perícia.

“A denunciada era capaz à época dos fatos, possuía consciência da ilicitude e dela se exigia conduta diversa, encontrando-se caracterizada a autoria e materialidade delitivas”, escreveu Raquel Dodge, ao oferecer a acusação contra Shéridan.

Segundo a procuradora-geral da República, ‘mesmo sob justificativas diversas’, Shéridan ‘reconheceu os fatos que lhe são imputados’.

Em depoimento, ela disse que é ‘possível que tenha tratado de assuntos relativos a sua secretaria ou de programas do governo, mas nunca de forma a atrelar a intenção de voto’. Ela afirma que durante uma ‘campanha em que é secretária de governo, é normal que trate ou indague às pessoas se estão ou não em um programa, até porque fazia parte da proposta de governo do marido’.

A investigação tramita sob relatoria do ministro Celso de Mello no STF. / Fonte: Estadão Conteúdo

Roberto Brasil