DEPOIS DAS ELEIÇÕES

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felix-valois-blogdafloresta_logoJá que vamos ter que aguentar pelo menos mais quatro anos de PT, o negócio é relaxar para evitar aborrecimentos. Nada de ficar xingando os eleitores da Dilma. Afinal de contas, eles são tão brasileiros quanto nós outros e têm o direito elementar de pensar e votar como bem entenderem. Se por ela optaram, que façam bom proveito com a continuação dessas coisas que nos vêm atormentando há mais de uma década. O que quero significar é que devemos evitar, a todo custo, o estresse pós-derrota, pois, além de não resolver coisa nenhuma, ainda causas males da maior gravidade, gerando sequelas até agora não bem definidas nos laboratórios do Sistema Único de Saúde.

Um exemplo, a voo de pássaro: se uma pessoa ficar pensando que agora, com o governo fortalecido pela reeleição, vai ser ainda mais difícil e demorado marcar uma consulta médica ou realizar um exame laboratorial, possivelmente estará coberta de razões. Mas de nada adianta encostar a cabeça no muro das lamentações. Vale mais pensar que a dor de cabeça, deixada sem tratamento, haverá de ser mais intensa em quem, optando pelo programa “Mais Médicos”, deu uma bofetada moral em todos os médicos brasileiros, tal como se fossem eles desidiosos e incompetentes.

Se surgirem novos escândalos na Petrobrás, não se abespinhe. Vá pensando como o autor daquela charge, publicada na internet durante o período eleitoral. Segundo ela, o papa Francisco está conversando com a presidente Dilma Roussef e, num tom elogioso e conciliador, pondera: “Ouvi dizer que o governo brasileiro é um dos mais católicos do mundo”. Sua interlocutora, sem nenhuma modéstia, mas com muito orgulho, replica: “Claro que é, Santidade. Em tudo o que o governo do PT faz, ele leva um terço”. E assim, com essa pitada de fé e esperança, vá aprendendo a conviver com o dia-a-dia do Palácio do Planalto, onde os sistemas de segurança são tão eficientes que não permitem ao presidente saber o que se passa bem ao seu lado, no gabinete da Casa Civil.

Outra coisa, para os que têm língua grande, mas nenhuma paciência. Se até agora você não entendeu patavina dos pronunciamentos oficiais ou oficiosos da Chefa do Executivo nacional, não se perturbe nem pense que está sofrendo de alguma deficiência no seu sistema de compreensão. A partir de agora e usando a tecnologia mais avançada que o dinheiro pode comprar, as televisões tranquilizarão seus clientes, anunciando assim: “A presidente Dilma Roussef se dirigirá hoje ao povo brasileiro, em cadeia nacional, a partir das 20 horas. Seu pronunciamento terá tradução simultânea para o português e para a linguagem de sinais”. Pronto. Fácil de resolver, sem nenhuma necessidade de ficar lamentando que a ilustre senhora não consiga pronunciar a palavra “controladoria” nem distinguir “pato no tucupi” de “entupir o pato”. Suprimi o termo chulo.

Ah, dirá alguém, mas como é possível suportar que os Correios do Brasil se tenham transformado em instrumento eleitoral, cometendo a vilania de desviar material de propaganda do candidato adversário? Ora, ora, o que haverá de querer a ingênua criatura? Que, nestes tempos de cibernética, os correios ainda sirvam para essa coisa ultrapassada e cafona de entregar correspondência? Nada disso. Quem quiser saber de algo que não seja de interesse petista que consulte seu smartfone, seu tablet, seu computador, ou qualquer outra coisa dessa parafernália que, no Brasil, custa os olhos da cara, por força de impostos que se pagam, mas que jamais retornam em forma de serviço público. Mas o governo faz uma concessão da maior importância: tendo em vista a proximidade dos festejos natalinos, assegura que serão entregues pontualmente, sem qualquer preterição ou desvio, todas as cartas dirigidas a Papai Noel. Prepare a sua, poste-a e aguarde, que o bom velhinho “não esquece de ninguém”.

Cuido ter demonstrado que, para um povo que tolerou vinte e um anos de ditadura militar, é perfeitamente possível levar na esportiva os “desvios de conduta” que o PT tem apresentado em relação a pontos que proclamava lhe serem caros, como a ética. Ou como a seriedade no trato do dinheiro público. É preciso levar em conta que todos os sintomas indicam que o partido está pouco se lixando para os interesses do Estado brasileiro, por isso que sua proposta é de governo. Desde que se mantenha governando, todo o resto não passa de detalhe, assim como o gol no futebol, no entendimento desse grande treinador que é Parreira.

Por outro lado, e se queremos colocar um fim nessa brincadeira de mau gosto, é preciso reconhecer que a oposição brasileira tem sido de uma incompetência cavalar. É incapaz de resolver uma equação por via da qual possa demonstrar ao povo que, apesar do assistencialismo barato e da demagogia ilimitada, o país não consegue decolar no campo do desenvolvimento, permanecendo com uma educação abaixo da crítica, um sistema de saúde deplorável e a segurança pública descambando para a violência pura e simples.

O povo não é nem nunca foi idiota. Quer ouvir o que lhe interessa, dito da maneira mais racional possível. Nada disso foi feito durante a campanha. Prevaleceu o imediato, expresso no apelo fácil ao paternalismo das “bolsas”, firmando no país a cultura da inutilidade e da incompetência. Mas lá estou quase me estressando. Não vou fazê-lo. Vou apenas rir da ingenuidade de quem ainda acredita nos bons propósitos do petismo.

Roberto Brasil