Depoimento de Nelson Sampaio aponta “falha de diagnóstico” nos critérios de financiamento do banco público

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"Vamos investigar isso a fundo e descobrir toda a verdade sobre essas transações”, declarou Marcos Rotta

“Vamos investigar isso a fundo e descobrir toda a verdade sobre essas transações”, declarou Marcos Rotta

A CPI do BNDES ouviu, na condição de testemunha, o Presidente da LBR Lácteos do Brasil, uma das empresas investigadas pela Comissão que entrou com pedido de Recuperação Judicial em fevereiro de 2013, após receber investimento de R$700 milhões do banco público.

Durante sua apresentação, Nelson Sampaio explicou a bancada que foi contratado pela LBR com o objetivo de reestruturar e empresa que nasceu em 2011 da fusão das empresas Leite Bom e Bom Gosto e que na época já contava com o aporte do BNDES no valor de R$250 milhões, mas que teria recebido ainda R$450 milhões em investimentos do banco, em caráter de participação societária.

Diante das afirmações de Nelson Sampaio, os parlamentares indagaram as “falhas de diagnóstico” do BNDES questionando o porquê de um banco desse porte fazer tamanhos investimentos em uma empresa com rendimentos comprometidos, que logo após optaria pelo sistema de Recuperação Judicial.

O Presidente da LBR comentou que via a ação do BNDES como uma medida em prol da estruturação do mercado de laticínio. Afirmou que a empresa não teria apelado para essa medida se tivesse recebido os R$530 milhões retidos em impostos pagos (PIS/COFINS) e não restituídos pelo Governo.

Para o Deputado Miguel Haddad essa é uma atitude “incoerente” por parte do governo que, por um lado retém o imposto da empresa e, por outro, abre linhas de credito insuficientes, que geram dividas e dificuldades, comprometendo o desempenho daquela empresa.

cpi-bndes-depoimento-nelson-sampaio-2Para os membros da CPI, essa seria uma estratégia articulada, por meio de força política e tráfico de influência, para desestruturar determinadas empresas de determinados seguimentos, adotada com o intuito de favorecer os grades grupos, que acabam por comprar as empresas em dificuldades, criando uma espécie de monopólio de poder e mercado, uma referência direta dos parlamentares ao grupo JBS.

Mediante a repetição dos fatos apresentados pelos representantes dos grupos nas Audiências Públicas, os parlamentares concluíram que existem empresas com alto poder econômico e político agindo como “abutres”: se utilizam da sua influência para enfraquecer a concorrência, travando o repasse dos créditos fiscais dessas empresas e se beneficiando das dificuldades que se dão em consequência disso.

“Isso gera um desequilíbrio comercial que só prejudica o País, que perde potencial de investimento, diminui a taxa de empregos, enfim… Vamos investigar isso a fundo e descobrir toda a verdade sobre essas transações”, declarou o Presidente da CPI, o Deputado Marcos Rotta, que no início da oitiva não acolheu os requerimentos de manutenção de quebra de sigilo das POR Consultoria Imobiliária e Pepper Comunicação Interativa, empresas ligadas ao Governador de Minas Gerais.

Na próxima quinta-feira (5) está agendado o depoimento do empresário Eike Batista, que está no exterior e por isso prestará esclarecimentos em reunião conjunta com a CPI de Fundos de Pensão no dia 17 de novembro.

Roberto Brasil