Declaração de Luiz Castro sobre o pleito

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Nós já sabíamos que seria difícil.
Nossa coligação com o PMN foi coerente, programática, mas sem condições suficientes de competitividade. Diante de candidaturas alicerçadas em “máquinas” eleitorais com tempo de tv e recursos financeiros muito superiores aos nossos e sem ter acesso aos debates nas emissoras, enfrentamos o desafio de cabeça erguida, com o apoio decidido de todos os candidatos da REDE e de parte dos candidatos do PMN.

Combatemos o bom combate. Poucas pessoas se dispuseram a fazer doações financeiras, mas com um pequeno e dedicado time de voluntários fomos à luta, apresentando uma boa proposta de governo para Manaus, e um compromisso ético de seriedade, além de uma visão transversal de sustentabilidade, inclusão social e gestão pública com competência e transparência.Demos o melhor de nós. Os amigos que nos acompanharam também. Mais de 20.000 cidadãos confiaram na gente, confiam no nosso trabalho e nos dizem que sim, é possível.Com apenas um ano de existência e uma militância numericamente pequena, a REDE se apresentou com idealismo, coragem cívica, compromisso com as causas coletivas. E nossos candidatos à vereadores se superaram, avançando além das limitações materiais de um partido com tão poucos recursos financeiros e sem quase nenhum tempo na tv. Todos merecem – assim como alguns do PMN que compreenderam as limitações materiais da coligação e nos ajudaram de verdade – nosso reconhecimento. Parabéns !Esse reconhecimento se estende ao nosso vice Aglei Júnior, que ao longo da campanha emprestou seu talento e vontade para nos ajudar nessa caminhada. Como ele, outros filiados da REDE e do PMN.

Podíamos não ser muitos, mas fomos unidos e resolutos. E ao longo da campanha, diversas pessoas, participantes ou não de movimentos sociais, formaram uma corrente de gente de caráter honesto e fraterno.
Estivemos em muitas reuniões, caminhadas, pequenos debates. Visitamos lugares muito pobres de Manaus, vendo a miséria e a desigualdade vergonhosa de uma cidade com o maior desnível de renda dentre todas as capitais do país.
Descobrimos a Verdade óbvia, mas que a maioria da população ainda não consegue enxergar: o Poder Público, na nossa capital, no nosso estado, se encontra umbilicalmente ligado à um sistema de privilégios, corrupção e prioridades invertidas, contribuindo para ampliar as desigualdades e outras mazelas, ao invés de diminui-las ou compensá-las de modo efetivo.
Também mostramos com clareza que os serviços públicos municipais de baixa qualidade, especialmente no transporte, na saúde, no meio ambiente, na educação, nas políticas sociais, ambientais e econômicas, podem ser melhorados com uma simples combinação de bom senso, humanidade, independência política, trabalho competente e visão estratégica…
…Mas o fato é que não conseguimos debater essas verdades com a intensidade e a amplitude condizente com uma capital de mais de 2 milhões de habitantes… Nossa campanha certamente ganharia mais densidade eleitoral se não fosse a velha história do voto útil e a desigual falta de estrutura para enfrentar os “poderes” da grana, da máquina pública e da manipulação política da fé religiosa. Sem esquecer do desencanto de muitos eleitores que reclamam, mas se recusam a fazer uma análise menos superficial da conjuntura política e acabam beneficiando os privilegiados do ciclo de poder clientelista que perdura no nosso Amazonas por mais de 30 anos.
Mesmo assim não desistimos de fazer a semeadura. Plantamos boas sementes de esperança, fé e amor fraterno.
Quero agradecer a cada pessoa que caminhou conosco, que compreende a importância de aceitar o desafio de praticar a verdadeira política do bem comum.
A maioria da população de Manaus continua refém da “prisão mental” de se resignar à escolher os mesmos esquemas que tanto mal tem feito à ela e à nossa cidade tão maltratada. Mas um dia deverá despertar dessa estranha letargia, desse sonambulismo político em que parece imersa…Não é muito diferente de outros lugares do país, mas em alguns aspectos pode se perceber que no Amazonas, o grau de enganação é elevadíssimo.
Não estamos aqui para lamentar, nem justificar o que ainda não foi possível. Porque acreditamos que se trata de um processo histórico coletivo, a ser construído por muitas pessoas que já despertaram e outras muitas que ainda vão despertar da apatia e do conformismo.
Agradeço à generosidade dos voluntários de nossa campanha. Sou muito grato às centenas de apoiadores políticos e aos mais de 20.000 amazonenses que confiaram na nossa proposta de governo sério e transparente.
Não estamos sós. Vamos em frente. Nosso resultado eleitoral não foi o que sonhamos, mas não nos envergonha, porque superamos grandes empecilhos e tivemos comparativamente mais votos do que vários de nossos adversários da velha política.
A semente está plantada. Agradeço a Deus, à minha esposa, aos meus amigos, familiares e aliados. Agradeço a cada cidadão que nos ajudou numa campanha limpa em todos os sentidos!

Áida Fernandes