“DAQUI NÃO SAIO DAQUI NINGUÉM MENTIRA”

By -

Ademir-RamosA previsão do tempo em Brasília não é uma das melhores. Os especialistas registram pancadas políticas entre a câmara federal e a presidência da republica com estrago geral na economia política e, sobretudo, no alinhamento dos poderes. Da parte da presidente Dilma Rousseff, o descontrole é total, parece que está fora do eixo, sem proposta, sem direção e sem articulador político no Congresso Nacional, ficando à mercê dos oportunistas do seu próprio partido, que para salvar o Lula e o PT rezam pela desgraça da Dilma, nem que para isso tenha que abraçar o PMDB e se render as confabulações com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na tentativa de buscar uma saída honrosa, menos traumática, como se a presidente Dilma Rousseff fosse a “menina teimosa” que não cumpre as ordens do chefe Lula. Enquanto isso, na câmara federal, o endiabrado presidente da casa Eduardo Cunha (PMDB), acusado criminalmente de pegar aproximadamente R$ 15 milhões de propina está bufando de raiva, ameaçando detonar todo mundo que não fechar com ele nas votações contra o governo Dilma. O homem vem sendo comparado a um fio elétrico descapado, que além de dar choque pode provocar apagão na política faiscando pra todos os lados. O certo é que tanto Eduardo Cunha como Dilma Rousseff, por onde passam cantarolar a mesma embolada: “Daqui não saio daqui ninguém mentira”.

TEMPESTADE: Fortes ventos seguidos de chuva provocam transtorno em Brasília perturbando a ordem e acelerando a dança das cadeiras. Mas, a tempestade por mais que seja forte não se compara com o vendaval da operação Lava-Jato que vem passando a limpo o Brasil e mandando pra cadeia os líderes dos principais partidos da república capitaneado pelo PT e o melhor de tudo desbaratando uma quadrilha especializada em lavagem de dinheiro com articulação nacional e internacional centrada no PT, PMDB e PP sob a tutela de José Dirceu, ex-ministro da casa civil do governo Lula. O epicentro de toda esta maracutaia, como bem definiu o Lula, é a Petrobras e a Eletrobras com ramificação por todo o território nacional, inclusive no Amazonas, com os tentáculos na área do Urucu, na bacia petrolífera do Solimões, na região do município de Coari, devendo ainda a investigação ser ampliada junto ao governo do estado.

NEBULOSO: O tempo é nebuloso causando mal-estar no planalto e por toda a planície. A corrupção de bilhões de reais saqueados do erário público além de fragilizar as instituições democráticas põe em dúvida os convênios e contratos com as empresas privadas, em particular com as construtoras que operam no Estado, gerando um estranhamento quanto aos valores das obras, bem como também a qualidade do serviço. Significa dizer que as construtoras e as empresas prestadoras de serviços inseridas nesta trama instituíram uma indústria do crime do superfaturamento, empresas fantasmas e notas fiscais fajutas, drenando recurso público na forma de propina para alimentar as eleições milionárias do PT e de sua base aliada. O tempo fecha quando se examina também os tentáculos dessas construtoras nos Estados, em particular no Amazonas. No entanto, da mesma forma que nem todo político é corrupto também se deve ter a clareza que nem toda empresa é viciada.

ENSOLARADO: O tempo é implacável. Os corruptos e desonestos temem o sol e por esta razão procuram viver a sombra do Estado como agente da corrupção ou “laranja” destes agentes, apostando na impunidade a bater na tese de que “todo homem tem seu preço”. O cinismo desta gente resulta na arrogância e no mandonismo político, acreditando que “podem tudo” inclusive “comprar a Justiça” colocando-se acima das Leis. O imperativo da Justiça em raio de sol, a se fazer brilhar na operação Lava-Jato, tem um valor imensurável para o novo ordenamento político da republica, resgatando a ética política e creditando aos políticos novos procedimentos selados aos interesses coletivos em favor do nosso povo. Raios deste sol nos céus de Brasília vêm das ruas com o povo em manifestação, protestando contra a política recessiva do governo petista que é acusado de manipular indicadores econômicos tirando proveito imediato com sucesso nas urnas. Mas, como a “mentira tem perna curta”, o governo petista é vítima de sua própria sanha e pior ainda, de forma vacilante vem dando cambalhota para se manter no poder de forma legítima e moralmente justo, alegando desconhecimento dos fatos que “não sabia, mas que poderia ser” afogado nas águas da corrupção e por consequência da crise de governabilidade e da deslegitimação do governo de Dilma Rousseff.

O cenário em Brasília é um dos piores quanto à superação da crise política. Os especialistas denunciam a deslegitimação do governo Dilma, em tempestade contra a câmara federal que aguarda do Tribunal de Contas da União o parecer das contas da presidente da república referente às “pedaladas fiscais” para o julgamento em plenário, a ameaça de impeachment é fato, a exigir do parlamento competência e habilidade nas tratativas para assegurar a travessia dentro da legalidade constitucional como raio de sol no horizonte do Brasil.

Roberto Brasil