DA RIQUEZA DE POUCOS E A POBREZA DE MUITOS

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Quando falamos sobre desigualdade social no Brasil de imediato aparecem àquelas figuras carimbadas que se acham ungidas pela pomba do divino e passam a afirmar que “tal situação não tem jeito porque sempre foi assim” e com isto justificam a perversa situação de pobreza e a extrema miséria em que vive a nossa gente sem oportunidade de trabalho, excluídos socialmente, vivendo das migalhas dos poderosos, que de forma arrogante comportam-se como verdadeiros coronéis de barrancos, dominando a política local e explorando a cada dia o trabalho do povo. Estes mandatários não trabalham no processo direto de produção das fábricas ou indústrias. Vivem dos votos dos miseráveis que em época de eleição são recrutados a votarem neles ou em quem eles mandarem, reproduzindo desta feita a miséria social em que nos encontramos caracterizada pela ignorância e por toda forma de exploração do trabalho, reduzindo a pessoa em “pobre coitada” como um verdadeiro capacho destes “coronéis” que ancorados na política seja no governo ou no parlamento passam a manipular o orçamento público a favor dos seus interesses particulares ou em beneficia de determinado grupo de empreiteiros que bancaram e ainda bancam os caprichos destes políticos bandidos que no palanque falam uma coisa e nos gabinetes entregam a alma ao diabo para continuarem mamando nas tetas da República.

O PREÇO DA IGNORÂNCIA: Estes males sociais tem preço e não é barato não. A sua extensão é histórica e social resultante de uma prática política centrada no mandonismo das elites provincianas que não tendo competência e muito menos habilidade passaram a copiar modelos políticos de outras culturas na tentativa de se firmar por aqui como moderninhos ou qualquer coisa parecida, mostrando pro povo que sabe fazer, gastando os tubos em construções e reformas, quase sempre superfaturadas, visando unicamente o desvio dos recursos públicos para fins particulares bancando a lambança destes políticos irresponsáveis que se alimentam da ignorância da nossa gente. É inaceitável que se gaste milhões de reais na reforma de um estádio de futebol num Estado que nem futebol competitivo tem, com exceção do Peladão, o tradicional campeonato de peladas, que mobiliza a capital e o interior do Estado promovendo os talentos desportivos numa perspectiva amadora. Do mesmo modo, é uma afronta ao nosso povo gastar mais de um bilhão de reais na construção de uma ponte beneficiando unicamente os especuladores imobiliários. Esta tem sido a sina do Amazonas, a começar pela construção monumental do Teatro Amazonas, que pela sua função parecia mais um Cabaré de Luxo do que de fato uma Casa de Ópera.

E A CLASSE MÉDIA: Numa economia onde as forças produtivas se desenvolvem a sombra da concessão do Estado na forma de incentivos fiscais orientadas por matrizes econômicas exógenas, sem vinculo estruturante com a economia política local, a classe média que deveria representar o segmento mais esclarecido desta sociedade nasce embotada e viciada, tornando-se refém do Estado como agente operativa da burocracia de governo, representando o braço qualificado de um corpo político corrupto. Nestas condições, as transformações sociais, culturais e econômicas aqui implantadas possivelmente virão de fora para dentro buscando arrebatar novas lideranças políticas locais comprometidas com a desconcentração do capital, bem como a formação e capacitação dos agentes produtivos diretos, criando as condições reais e históricas que visem promover cada vez mais a participação e o controle dos movimentos sociais relativos às políticos públicos em atenção às demandas populares, vindo a fortalecer a crítica social por meio dos instrumentos de comunicação de massa.

Roberto Brasil