DA FIDELIDADE CANINA A COVARDIA PARLAMENTAR

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Ademir-RamosNo embate entre a “vontade geral” e o afastamento da senhora Dilma Rousseff, da Presidência da República, a Bancada do Amazonas na Câmara Federal votou pelo Impeachment, posicionando-se a favor dos indignados que nas ruas do Brasil gritam “Fora Dilma”, como um mantra libertário a rogar a Nação firme combate a praga petista que aparelhou o Estado às práticas da corrupção sistemática, transformando o PT e seus aliados em principais atores de uma organização criminosa centrado no Lula e Dilma.

Outros dirão que o voto dos deputados do Amazonas, com ressalvas, não passou de uma opção eleitoreira visto que eles estão de olho nas próximas eleições para a Prefeitura de Manaus. Não vejo nada demais neste ato, sabendo que o alimento do político é o voto e o juiz de suas ações é o eleitor apto a avaliar os pretensos candidatos. O fato é que a Bancada votou pelo Impeachment da Dilma, contrariando a vontade dos cardeais dos partidos, como é o caso do PDT e do próprio PR de Alfredo Nascimento, que na oportunidade renunciou a presidência do partido para marchar com o povo a favor do Impeachment. Ora, a dogmática na política é tão relativa e instável quanto o movimento das nuvens nos céus. Como se vê, é bem diferente do campo religioso. Mas, em se tratando da Bancada da bíblia, o céu e o inferno são mediados por interesses temporais com profundo reflexo na vida dos seus pastores, que além de arrebanhar almas priorizam a captação de votos para alimentar o domínio e controle do poder na tentativa de reduzir o Estado aos valores religiosos, afrontando desta feita, o espírito republicano e o processo civilizatório marcadamente plural e tolerante numa perspectiva humanística.

A dogmática dos fundamentalistas religiosos às vezes também pode ser comparada à fidelidade canina da Tropa de Choque da presidente Dilma Rousseff, que ignora as “vozes roucas das ruas” e de modo “raivosa e excludente” passa a agredir o povo e seus representantes que acusam a presidente Dilma Rousseff de crime de responsabilidade. Tanto os fundamentalistas quanto os caninos fazem muito mal ao processo democrático, principalmente, neste momento quando se exige clareza, determinação e coragem parlamentar no horizonte resolutivo das questões sociais que se manifesta no desemprego em massa, na desvalorização do salário do trabalhador e no desgoverno que assola o País resultante do desequilíbrio das contas públicas maquiada pela “contabilidade criativa” a merecer do povo o apelido de “pedaladas fiscais”, que nada mais é do que a irresponsabilidade fiscal do governo petista de Dilma Rousseff.

DA FIDELIDADE CANINA: De qualquer modo, por mais que seja criticada de forma recorrente, a senadora comunista do Amazonas Vanessa Grazziotin (PC do B), membro da Tropa de Choque da presidente Dilma Rousseff, vive a vociferar no Senado Federal a defesa intransigente da presidente, posicionando-se contrária a Bancada do Amazonas na Câmara, ignorando, possivelmente, uma parcela significativa do seu eleitorado que de forma indignada tem vindo às ruas criticar o governo petista e seus adesistas que vivem na aba do poder, controlando ministérios, secretarias e vivendo na boquinha dos cargos comissionados.

Destempero maior ainda é quando se trata de um partido ideologicamente de esquerda, que no curso da história vai ficando esclerosado, divorciando-se dos trabalhadores e de suas lutas sociais, visto que, como bem expõe o pensador Raymond Aron (1959), em seu ensaio “Mitos e Homens”, publicado pela Editora Fundo de Cultura, a esquerda migra da oposição para situação pela manutenção dos privilégios. Se no passado os partidos de esquerda: “Denunciava uma ordem social, imperfeita como qualquer realidade humana. Mas, vitoriosa à esquerda (na figura do PT), responsável agora pela sociedade existente, à direita, convertida em oposição ou contrarrevolução, conseguiu facilmente demonstrar que a esquerda representava não a liberdade contra o poder ou o povo contra os privilegiados, mas sim um poder contra o outro, uma classe privilegiada contra outra.” Se assim foi na França, no Brasil o PC do B, PSOL e o próprio PT se desmancham no ar pelo vício da corrupção, do crime e do desgoverno que cometeram na economia nacional.

De qualquer maneira, o projeto de esquerda não se reduz a prática política destes partidos visto que o PT nunca professou seu vínculo com o marxismo, o que não justifica a redução de sua prática política de forma aguerrida a favor do poder pelo poder, não só para sustentar os privilégios, mas, sobretudo, pela reengenharia que o PT inaugurou assentado na mentira, no estelionato eleitoral e na praga da corrupção que disseminou no legislativo e no executivo. Críticas à parte, mas, deve-se registrar que a Bancada do Amazonas no Senado Federal conta apenas com o voto do senador Omar Aziz (PSD) a favor do Impeachment, que oportunamente tem feito severas críticas ao governo de Dilma Rousseff pelo destrato de como age em relação ao Amazonas no panorama federativo nacional, embora tenha recebido camburões de voto de nossa gente. Enquanto isso, Eduardo Braga (PMDB), eleito pelo povo do Amazonas fez pouco caso ao mandato, preferindo aceitar as regalias do executivo, entrando na cota do PMDB como ministro para comandar o Ministério das Minas e Energia do governo Dilma Rousseff.

DA COVARDIA: Em síntese, Omar Aziz vota pelo Sim e fale o que quiser Vanessa Grazziontin, com sua fidelidade canina vota pelo Não, atirando pra todo lado, dizendo que é golpe e outras palavras de ordem que a “tal esquerda da boquinha” grita no Senado Federal em defesa da comandante em chefe Dilma Rousseff.

Se, é covardia não se sabe, mas, o fato é que Eduardo Braga preferiu sair de campo alegando “distúrbio intestinal” ou quem sabe “mal subido”, escondendo-se entre as vestes de sua mulher Sandra Braga, que também é do PMDB, e na ausência do titular responde no Senado pela suplência. Dizem que a desculpa do amarelão é a febre, que se coisifica para não responder pelos seus atos, transferindo ao outro a responsabilidade e com isto se safa do dever que lhe é imputado.

Com o Senador do Amazonas Eduardo Braga, não é diferente, o agravante é que o seu voto pode ser definido ou não na alcova. Contudo, é importante que se diga que tanto ele quanto a mulher são do PMDB, partido este que “desembarcou” do governo Dilma e vem sendo acusado de golpista pelo PT e seus cúmplices. Por isso, mesmo, os holofotes voltam-se para o registro deste voto porque, possivelmente, provocará, quem sabe, um novo reordenamento na estrutura do PMDB no Estado.

Embora, o senador Braga alegue publicamente problema de saúde, na disputa política, particularmente, ele perde muito mais do que ganha porque ninguém do ramo vai aceitar a sua ausência e o mais grave ainda será se a Senadora Sandra, sua esposa, votar contra o PMDB. Consumado o Impeachment da presidente Dilma Rousseff por força de lei, o Senador Omar Aziz (PSD) cresce politicamente tanto no planalto como nas ribeiras do nosso Amazonas. Já o Eduardo, por sua vez, pode ficar falando sozinho, pois, o próprio PMDB poderá puxar a escada e ele ficará no ar com a broxa na mão, o tempo dirá.

Roberto Brasil