Cunha diz que Câmara vai interpelar judicialmente a advogada Catta Preta

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A advogada Beatriz Catta  deixou os casos na Lava Jato

A advogada Beatriz Catta deixou os casos na Lava Jato

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), usou sua conta no Twitter para dizer que vai determinar que a Procuradoria Parlamentar entre, na próxima semana, com a interpelação judicial da advogada criminalista Beatriz Catta Preta.

 

Responsável por nove acordos de delação premiada de réus na Operação Lava Jato, a advogada fechou seu escritório e abandonou processos da Operação Lava Jato. Em entrevista à TV Globo na última quinta-feira (30), ela afirmou que tomou essa atitude porque se sentiu ameaçada por integrantes da CPI.

“Depois de tudo que está acontecendo, e por zelar pela minha segurança e dos meus filhos, decidi encerrar minha carreira”, afirmou Catta Preta. Segundo ela, a pressão aumentou após um de seus clientes, o lobista Julio Camargo, mencionar em depoimento que pagou US$ 5 milhões em propina a Cunha.

Na rede social, Cunha disse que a acusação de Catta Preta “atinge a Câmara como um todo” e que ela deve “ser responsabilizada por isso”. O deputado diz ainda que a interpelação servirá para que ela detalhe as ameaças que sofreu e quem está por trás delas.

A interpelação judicial é o pedido de esclarecimento feito via citação ou notificação judicial. Dessa forma, Catta Preta teria que explicar judicialmente as ameaças que citou em entrevista à TV.

ESQUELETO NO ARMÁRIO

Para criminalistas que atuam na Operação Lava Jato, um dos temores da advogada seria ver exposto na CPI a atuação e o passado de seu marido, Carlos Eduardo de Oliveira Catta Preta. Apontado por alguns ex-clientes de Catta Preta como comerciante e por outros como engenheiro, Carlos tem papel essencial no escritório, mesmo não sendo advogado. Ele comandaria, segundo relatos, a parte financeira do escritório da mulher, que agora foi fechado.

Segundo ex-clientes de Catta Preta ouvidos pela Folha, ele apresentava os orçamentos, fazia cobranças de honorários, e, em alguns casos, prospectava negócios.

Colegas que conviveram com a advogada no início da carreira contam que o casal se conheceu em 2001, quando Catta Preta atuou como defensora de Carlos. Ele foi flagrado com US$ 400 mil em notas falsas e disse à polícia que usou as cédulas para diminuir o prejuízo de uma negociação que tinha feito com indianos que lhe repassaram dinheiro falso. Carlos foi condenado a três anos em regime aberto.

Nos bastidores do meio jurídico, advogados atribuem às intervenções de Carlos parte da capacidade de Catta Preta de atrair clientes que antes eram defendidos por outros profissionais. A Folha não conseguiu contato com a advogada.

CORO

Um dia antes, o ministro da Defesa, Jaques Wagner, pediu que a Câmara entrasse com o pedido de interpelação, já que a advogada levantou suspeitas que “o parlamento brasileiro precisa explicar ou replicar”. “Ela diz que tem prova de tudo. Cabe à mesa da Câmara fazer a chamada interpelação judicial, para que ela traga à baila e identifique se houve ameaças e quem as cometeu”, disse.

Também nesta sexta-feira (31), o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, classificou como grave a denúncia da advogada, mas evitou comentar se ela era crível. “O que posso dizer é que o Ministério Público tem condição de fazer, através dos mecanismos legais, as apurações devidas para que essa situação seja esclarecida.”

O autor do requerimento de convocação na CPI da Petrobras da advogada Beatriz Catta Preta, deputado Celso Pansera (PMDB-RJ), chamou de “ridícula” a acusação da advogada.

Pansera disse que a entrevista de Catta Preta ao “Jornal Nacional” é “uma cortina de fumaça para alguma coisa que ela não quer revelar”, sem opinar sobre o quê seria. “Eu acho ridículo. Não tem nenhum sentido”, afirmou.

Nesta sexta, o presidente da CPI da Petrobras, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), afirmou que a convocação de Catta Preta está mantida e que a comissão quer saber quem a ameaçou.

Motta lançou suspeitas de que Catta Preta esteja se “vitimizando” para esconder “talvez alguns atos ilícitos que ela tenha cometido no âmbito do processo da Lava Jato”.

Apesar de o STF (Supremo Tribunal Federal) ter dado decisão desobrigando Catta Preta de informar a origem dos seus honorários, Motta disse que a CPI vai marcar uma data para ouvi-la, mas sem abordar o assunto. FOLHAPRESS

Roberto Brasil