Crianças indígenas apresentam canções da etnia Tikuna no Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica

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A educação musical é uma ferramenta fundamental para estimular áreas do cérebro e desenvolver habilidades importantes, como a coordenação motora, a concentração e a socialização. Esse recurso torna-se ainda mais interessante quando aplicado a crianças. No Amazonas, a professora Jeane Colares, do Instituto Federal do Amazonas (IFAM), coordena um projeto de extensão que desenvolve a musicalização, buscando como resultado final a inclusão sociocultural de crianças indígenas da etnia Tikuna, por meio do canto coral e violino.

No encerramento do III Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, realizado em Olinda (PE), o grupo Aldeia da Música apresentou canções do repertório infantil e de ritual da cultura Tikuna e encerrou a participação do IFAM no evento.

Formado principalmente por crianças com idade entre 7 e 11 anos, o projeto, é desenvolvido no município de Tabatinga, distante 1.108 km de Manaus (capital do Amazonas) e localizado na região de tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, onde vivem os Tikunas, maior população indígena do País, conforme dados do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicado em 2012.

De acordo com Colares, o projeto propõe o ensino da música tradicional aos indígenas, como mais um elemento de aprendizagem da cultura externa, sem interferir na original. “Temos como mola mestra o fortalecimento da cultura dos Tikunas. Acredito que o projeto tem contribuído e muito para que as crianças percebam o valor de sua cultura”, disse.

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Entretanto, a professora explica que, com a diversidade cultural envolvida no projeto, a língua é uma dificuldade enfrentada para o desenvolvimento das atividades. “A língua é uma questão latente, por isso utilizamos um importante colaborador que é o tradutor, e o resultado é muito efetivo. Contemplamos a educação indígena através do uso de elementos de cultura das crianças para ensinar música, técnica, como as danças e as canções”.

Apesar da dificuldade com a língua, Colares afirma que as crianças são bem receptivas em relação ao projeto. “São extremamente pontuais, e o índice de ausência é praticamente nulo. Os indígenas, em modo geral, são muitos discriminados em nossa sociedade, a receptividade tem sido muito grande por parte deles”, destacou.

Proeja Indígena

O Aldeia da Música teve início a partir do contato da professora com os estudantes do curso Proeja Indígena em Agropecuária, na disciplina artes. Segundo Colares, a primeira atividade foi conhecer aspectos relativos à música e dança, com a intenção de propor, um planejamento pedagógico.

Dentre os estudantes de Agropecuária, está Valdir Mendes, cacique da etnia Tikuna, da aldeia Umaruaçu, localidade atendida pelo projeto. Para o aluno, o Aldeia da Música proporciona às crianças da comunidade a oportunidade de preservar costumes.

“Nossas danças representam nosso cotidiano, nosso dia a dia, e não podemos perder nossa cultura. Com o IFAM, podemos conhecer também outras culturas, já que vivemos em uma sociedade multicultural necessária para nossa sobrevivência, e até mesmo para o exercício da democracia”, disse o líder de tribo e vocalista do grupo musical.

Mario Dantas