CPMF e eleições dividem PT na forma de oposição a Temer

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"Nada do que vier desse governo ilegítimo será aprovado por nós. Faremos oposição ferrenha", diz Paulo Pimenta

“Nada do que vier desse governo ilegítimo será aprovado por nós. Faremos oposição ferrenha”, diz Paulo Pimenta

A cúpula do PT está dividida sobre o tom da estratégia de oposição ao governo comandado por Michel Temer. À procura de uma bandeira que vá além do discurso do “golpe” contra Dilma Rousseff, afastada da Presidência por até 180 dias, o comando petista pode apoiar até mesmo a proposta de antecipação das eleições presidenciais, mas ainda há divergências sobre o rumo a seguir.

O PT também abriga diferentes posições sobre a forma de tratar, a partir de agora, projetos que sempre defendeu, como a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A intenção de reeditar a CPMF como “imposto temporário” foi anunciada na sexta-feira (13) pelo novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

“Nada do que vier desse governo ilegítimo será aprovado por nós. Faremos oposição ferrenha”, afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

Nem todos, porém, têm a mesma opinião. “Em princípio, o que nós defendíamos antes, continuaremos defendendo. Se os recursos da CPMF forem vinculados à saúde, a proposta pode ter nosso apoio. Sou favorável a isso”, disse o ex-líder do governo no Senado Humberto Costa (PT-PE), que foi ministro da Saúde no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

O modelo da oposição petista será discutido nesta segunda (16), na reunião da Executiva do partido, e também na terça, quando haverá encontro do Diretório Nacional, em Brasília, com a presença de ex-ministros, governadores e prefeitos. Lula foi convidado, mas no domingo (15) informou que não poderá comparecer.

Antes de o impeachment ser aprovado pelo Senado, em primeira votação, Dilma chegou a cogitar a possibilidade de enviar ao Congresso uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para encurtar o seu mandato. Seria uma tentativa de fazer um aceno para o diálogo com outras forças e, ao mesmo tempo, de “emparedar” Temer.

Recuo

Dilma desistiu de enviar a proposta porque a CUT e o MST foram contrários à ideia. Agora que ela não tem mais a caneta na mão, uma ala do PT quer avalizar uma proposta em tramitação no Senado, que prevê eleições presidenciais em outubro, mês das disputas municipais.

A chance de aprovação de um projeto assim é remota, mas correntes do PT julgam necessário movimentar o debate político e constranger Temer.

Mais uma vez, há divergências. “Não é o momento de tratar disso. Temos de fazer a defesa do mandato de Dilma, lutar pelo ‘Fora, Temer’ e cuidar das eleições para prefeituras”, disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). “Essas devem ser nossas prioridades.” As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Roberto Brasil