CPI do BNDES convoca Bumlai para prestar esclarecimentos na próxima terça-feira

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rotta-cpi-bndes-1A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de irregularidades em contratos e financiamentos realizados pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) marcou o depoimento do empresário José Carlos Bumlai, como testemunha, para a próxima terça-feira (24).

O ofício foi encaminhado ao pecuarista e amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (18), pelos Correios e por email. Bumlai deverá prestar esclarecimentos sobre suspeitas de tráfico de influência e favorecimento em contratos realizados com o BNDES.

Por tratar-se de uma convocação, Bumlai é obrigado a comparecer, mas pode ausentar-se caso apresente uma justificativa. Até o fechamento desta matéria, o empresário não havia respondido à CPI.

rotta-cpi-bndes-2Empresário do setor sucroalcooleiro, Bumlai foi citado pelo delator da Operação Lava jato, o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. De acordo com o delator, Bumlai teria recebido R$ 2 milhões como comissão por ter intermediado negociação entre o lobista e Lula.

Visita ao MPF – Nesta quarta, os parlamentares da comissão se encontraram com o procurador do Ministério Público Federal (MPF) junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Marinus Marsico. A visita institucional ocorreu porque o requerimento de convite ao procurador não foi aprovado devido à articulação dos deputados da base do governo que integram a comissão.

Marsico solicitou que a decisão fosse revista, pois ele quer colaborar com as investigações do colegiado. “Estou estudando uma alternativa para que o procurador seja ouvido. Ele é um estudioso das questões que envolvem o BNDES, servidor experiente e, sem dúvida, poderá colaborar com o andamento dos trabalhos, além de subsidiar os membros da comissão com informações já coletadas pelo MPF”, informou o presidente da CPI, Marcos Rotta (PMDB-AM).

Na avaliação do procurador, seria melhor que o banco interrompesse suas atividades. De acordo com Marsico, 90% de todos os contratos firmados pelo BNDES entre 2007 e 2015 beneficiaram somente duas empresas, a Andrade Gutierrez e a Odebrecht.

Além disso, acordos comerciais adotados pelo banco são “contrários ao próprio rumo que o governo dá ao seu ajuste fiscal”. “São contratos que só têm chance de prosperarem se a economia brasileira vai mal, com o dólar alto”, acrescentou.

O BNDES liberou financiamentos em desacordo com os padrões internacionais, assumindo o risco cambial em negociações para investimentos com baixo grau de investimento e sem garantias líquidas e certas, analisou o procurador.

Roberto Brasil