Corte europeia rejeita recurso apresentado pela família de Jean Charles

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Maria e Matozinho Otoni da Silva mostram fotos do filho Jean Charles

Maria e Matozinho Otoni da Silva mostram fotos do filho Jean Charles

A Corte Europeia de Direitos Humanos (CEDH) rejeitou nesta quarta-feira (30) o recurso apresentado pela família de Jean Charles de Menezes, o brasileiro morto por engano pela polícia britânica que o confundiu com um terrorista em 2005, duas semanas após os atentados de Londres. O caso chegou ao mais alto tribunal da UE em junho passado, quando a morte de Jean Charles estava prestes a completar dez anos.

O tribunal considerou que a justiça britânica conduziu “uma investigação efetiva” sobre a morte do brasileiro, ainda que “nenhum policial envolvido” no caso tenha sido processado penalmente. E apoiou a decisão britânica de não abrir processos individuais contra os integrantes da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard) envolvidos no caso.

Jean Charles morreu aos 27 anos ao ser atingido por sete tiros dentro de um vagão do metrô de Londres, em 22 de julho de 2005.

A capital britânica ainda se recuperava dos atentados ao sistema de transporte público de 7 de julho de 2005, que deixaram 56 mortos, incluindo quatro terroristas, e mais de 700 feridos. No dia 21, uma nova tentativa de ataque foi abortada. Um dia depois, policiais confundiram o brasileiro com Hussein Osman, um dos quatro terroristas islâmicos que planejaram o ataque frustrado.

Em 2005, Jean Charles com parentes: brasileiro morto por engano pela polícia inglesa

Em 2005, Jean Charles com parentes: brasileiro morto por engano pela polícia inglesa

Nascido em Gonzaga, Minas Gerais, Jean Charles vivia havia três anos no sul da capital britânica. Ele trabalhava como eletricista e atendia a um chamado naquela manhã. Ele foi seguido de casa até o ponto de ônibus e depois ao metrô, onde os policiais abriram fogo.

A morte de um inocente ganhou repercussão internacional. A polícia alegava estar sob forte pressão, em busca dos quatro suspeitos de terrorismo, e que os agentes que mataram o brasileiro temiam que ele fosse um homem-bomba, pronto a detonar explosivos no metrô.

— Por esta razão decidiram que deveriam matá-lo da maneira mais rápida possível — justificou a representante das autoridades britânicas, Clare Montgomery.

Jean Charles usava boné, jeans e jaqueta, que, para a polícia, poderia esconder explosivos. Nenhuma arma foi encontrada junto ao corpo.

FALHAS E MULTA

Os policiais não foram processados individualmente, mas em 2007, a Scotland Yard foi considerada culpada por falhas no caso e condenada a pagar uma multa de US$ 270 mil.

Em 2008, uma investigação judicial terminou com um “veredicto em aberto”, sem que o júri conseguisse determinar se os policiais agiram em legítima defesa. Apesar dos repetidos apelos por parte da família para que os oficiais envolvidos fossem condenados, promotores afirmaram não haver evidências suficientes para processar os envolvidos.

(Com Agências Internacionais)

Roberto Brasil