Coreia do Norte confirma detenção de professor americano

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A Coreia do Norte confirmou nesta quarta-feira a detenção de um professor americano, em 22 de abril, acusado de cometer “atos criminais hostis” contra o regime do ditador Kim Jong-un. Kim Sang-suk, também chamado pelo nome ocidental Tony Kim, de aproximadamente 50 anos, foi detido no aeroporto de Pyongyang ao tentar deixar o país, informou a agência de notícias oficial KCNA.

“Kim está detido pelos serviços judiciais competentes que investigam seus crimes”, declarou a imprensa estatal. “Ele foi interceptado por cometer atos criminosos destinados a derrubar a República Democrática Popular da Coreia [nome oficial da Coreia do Norte] não somente no passado, mas também durante sua última estadia antes da detenção”, aponta a nota.

Em abril, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Pyongyang (USTP) já havia anunciado que Kim Sang-duk foi preso quando se preparava para deixar a Coreia do Norte, depois de ter lecionado durante algumas semanas no centro de estudos, a convite da instituição. De acordo com a agência de notícias Yonhap, o americano é professor de contabilidade e trabalha na Universidade de Ciência e Tecnologia de Yanbian na China, perto da fronteira norte-coreana.

A universidade USTP, fundada por evangelistas cristãos estrangeiros, abriu suas portas em 2010 e conta usualmente com professores americanos. Os alunos são filhos da elite do regime norte-coreano. Em comunicado divulgado no mês passado, a instituição declarou que a detenção do americano “não está relacionada de forma alguma com seu trabalho na USTP”.

Kim é o terceiro cidadão americano detido atualmente pelo regime norte-coreano. Além dele, há Otto Warmbier, um estudante de 22 anos, condenado em 2016 a 15 anos de trabalhos forçados por “roubo de material de propaganda”, e Kim Dong-chul, um pastor que tem dupla nacionalidade, americana e norte-coreana, detido por espionagem.

Segundo a imprensa americana, o Departamento de Estado já está ciente da detenção do professor. Como os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas com o país ditatorial, o governo trabalha ao lado da embaixada da Suécia na Coreia do Norte para negociar a soltura.

O regime norte-coreano prendeu vários cidadãos americanos na última década, libertando-os em seguida depois de visitas de funcionários ou ex-funcionários de alto escalão dos Estados Unidos. A embaixadora americana na Organização das Nações Unidas (ONU), Nikki Haley, já havia denunciado as prisões atuais como um meio de pressão do regime em meio à tensão internacional provocada pelos testes nucleares e balísticos de Pyongyang.

(DA APF e EFE)

Roberto Brasil