Conselho tutelar retira crianças venezuelas da Rodoviária de Manaus

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Conselheiros tutelares de Manaus durante a ação de retirada das crianças venezuelanas do abrigo improvisado na rodoviária (Fotos: Divulgação)

Conselheiros de todas as zonas distritais de Manaus reuniram-se, desde o início da tarde deste sábado (11) até a noite, na sede da rodoviária da cidade, bairro Flores, Zona Centro-Sul da capital, para realizar uma ação de retirada de cerca de 15 crianças de 0 a 5 anos, que estão acampadas há mais de dois meses, em condições precárias em um acampamento improvisado.

A ação, segundo o conselheiro tutelar Marcelo Medeiros, 34, que atua na área Centro-Sul de Manaus, deu-se após a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) encaminhar denúncia informando a situação, que segundo Medeiros, é desumana. As crianças serão conduzidas para a sede de um abrigo municipal, situado na avenida Brasil, bairro Compensa, Zona Oeste, conforme informou o conselheiro.

“A denúncia foi feita hoje, pelo disque 100, e a Sejusc nos repassou. Meu papel é garantir que essas crianças sejam retiradas imediatamente desta área de risco e transferidas para um abrigo da prefeitura. Porque aqui elas estão sujeitas a todos os tipos de riscos, desde ao contágio de doenças até mesmo o abuso sexual”, informou Marcelo, destacando que chorou ao vivenciar o modelo de vida do grupo ao visitar o local na tarde deste sábado.

“Se eu for informado que existe uma criança em situação de risco, eu não preciso de aval de ninguém para solicitar apoio policial e resguardar a integridade dessa criança. Se eu não fizer isso, eu estou sendo negligente e posso até perder o meu cargo, ou seja, corro o risco de ser desligado da minha função”, justificou o conselheiro tutelar Marcelo Medeiros.

As crianças foram conduzidas para à sede de um abrigo municipal

Ao chegar ao local da denúncia, acompanhada do conselheiro tutelar da área Centro-Sul, Rafael Duarte, 34, a equipe constatou que crianças dormem no chão frio, apenas com uma fina camada de pano no piso e que, por conta do período chuvoso, estão expostas a pneumonia, pois sofrem com a umidade no local.

Para dar prosseguimento a ação, os conselheiros tutelares contam ainda com o apoio de policiais militares e civis para garantir que tudo transcorra de forma pacífica. No entanto, Marcelo informou que apenas crianças serão recolhidas para os abrigos e receberão a assistência necessária. “Os responsáveis por essas crianças, no caso de familiares, pai ou mãe, não serão aceitos, infelizmente, no abrigo. Mas poderão ir visitá-las. Eles devem continuar nas áreas onde já fixaram estádia, aguardando o trabalho de mapeamento que a prefeitura realiza. A prioridade é das crianças”, frisou Marcelo Medeiros.

Imigrantes

Centenas de venezuelanos cruzaram a fronteira do Brasil e chegaram a Manaus através da rodovia federal BR-174. Alguns são descendentes de indígenas e utilizam a identidade cultural do seu povo para comercializar produtos como artesanatos, chapéus e bolsas na capital amazonense. Alguns outros pedem esmolas nas ruas da cidade para ter o que comer.

Defensoria Pública

Para a promotora de Justiça, Nilda Silva de Souza, titular da 27ª Promotoria de Justiça da Infância e Juventude de Manaus, as providências legais precisam ser adotadas de imediato pois são casos de extrema vulnerabilidade.

A denúncia foi feita pelo disque 100 e a Sejusc notificou o Conselho Tutelar da Área

“Pelo que pude entender e acompanhar, é um grupo de famílias, que está exposto a chuvas e, acompanhado de crianças, acabam expondo esses inocentes à doenças, pois não há a mínima situação de higiene no local. Não posso tomar conhecimento sobre o caso e cruzar os braços. É preciso buscar alternativas para reverter esse quadro. Até entendo que as pessoas no local estão aguardando um posicionamento da Prefeitura de Manaus, mas as crianças não podem permanecer aguardando esse apoio da forma que estão”, salientou Nilda Souza.

A promotora ressaltou ainda que encaminhou um pedido para que a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) adote iniciativas de imediato.

A reportagem tentou contato por telefone com a assessoria de comunicação da Semasdh para solicitar informações sobre algum tipo de apoio da secretaria a ação promovida pelo conselho tutelar com o aval da defensoria pública, mas não recebemos respostas.///EM TEMPO

Roberto Brasil