CONHECER A AMAZÔNIA

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Jefferson-Praia-500x167O Brasil sofre hoje uma crise histórica! Crise econômica, crise de confiança, crise ética! Escândalos de corrupção fazem diariamente as manchetes dos jornais. O pequeno empreendedor pode se sentir desanimado e impotente para continuar. Mas, por outro lado, crises também podem ser oportunidades! Este pode ser um bom momento para olharmos para nosso lado e identificarmos as oportunidades que nos cercam. Vivemos na Amazônia, somos povo desta terra, nos identificamos com nossa região. Hora de virar a página!

Pensando nisso, lembrei-me deste pronunciamento que fiz em agosto de 2008 no Senado Federal:

Gostaria, nesta tarde, de abordar uma questão que alguns aqui já levantaram, mas que eu acredito ser de grande relevância, que é a questão de se conhecer a Amazônia.

Em meados da década de 90, eu tinha um programa no Canal Amazon Sat intitulado “Negócios da Amazônia”. Criei esse programa junto com toda a equipe, com meus companheiros do Amazon Sat, com o objetivo de mostrar aos amazônidas e ao Brasil como podíamos, naquele momento, aproveitar os recursos naturais de forma sustentável. Como podíamos, aproveitar a pele do peixe – e dou como exemplo, neste momento, o nosso tambaqui –, transformando-a em couro, para fabricação de cintos, de sapatos, de bolsas; como aproveitar a piranha – peixe que todos conhecemos –, desidratando-a para termos a sopa de piranha, que muitos dizem até que é uma sopa muito deliciosa. Eu mesmo já provei; é realmente deliciosa e é também afrodisíaca.

Portanto, o programa “Negócios da Amazônia”, foi criado com o objetivo de mostrar o potencial das mais diversas áreas. Por exemplo, com relação às madeiras, como aproveitá-las, principalmente aquelas que já caíram pelo trabalho da natureza, para fabricação de algum tipo de móvel ou de outro produto bem utilizado por todos nós.

Muito bem, trabalhei dentro dessa linha, buscando orientar aqueles que chamo de empreendedores amazônicos.

E muitos são empreendedores amazônicos, porque percebem a importância daquela terra, daquele ecossistema, da floresta, dos rios, dos animais e percebem que precisam aproveitar aquelas riquezas de forma sustentável, de forma a não causar dano ambiental ou problemas ao meio ambiente. Esse é o empreendedor amazônico.

Continuei nesse contexto, na universidade, conversando com meus alunos, falando sobre empreendedorismo e sobre a Amazônia, sobre o que vinha a ser o empreendedor e também sobre a Amazônia, sobre os nossos rios, nossa floresta, nossos peixes, nossos animais e como temos de aproveitar de forma sustentável todos esses recursos que Deus nos proporcionou.

Há pouco tempo, eu tinha um programa no canal Vivax – hoje Net Manaus – intitulado “Potencial Amazônico”, dentro desse contexto de orientar os empreendedores amazônicos. E, aqui, chamo a atenção para essa questão porque criei um quadro chamado “Conhecendo a Amazônia”, que era apresentado por duas crianças, os meus filhos Jefferson e Lorena. O Jefferson hoje está com 13 anos, e a Lorena está com 11. O que o Jefferson e a Lorena faziam? Entrevistavam pesquisadores sobre os temas da Amazônia, desde o conhecimento do ponto de vista geográfico a um conhecimento um pouco mais aprofundado sobre a floresta, sobre os animais, sobre o rio, portanto, sobre a nossa região. E isso precisa ser feito.

Por isso, hoje trabalho essa questão de conhecer a Amazônia. E conhecer a Amazônia não é uma responsabilidade apenas de nós, amazônidas, não; também não é apenas dos Estados que compõem a Amazônia, não. É uma responsabilidade do Brasil. Será que os brasileiros percebem aquela região? Será que os brasileiros amam aquela região? Quando falo brasileiros, refiro-me àqueles que não fazem parte da Amazônia Legal, os outros e até alguns que estão lá dentro, dentro do contexto dos Estados que compõem a Amazônia Legal. Será que amam a Amazônia?

Então, nós temos que urgentemente agir: primeiro, fazendo com que a questão ambiental, o conteúdo sobre o meio ambiente chegue às nossas crianças no ensino fundamental, e aos nossos jovens no ensino médio. Nós temos que urgentemente agir para que as crianças e os jovens tenham essas informações sobre meio ambiente.

E aqui estou falando no Brasil como um todo, porque, quando tratamos da questão ambiental, nós, às vezes, nos referimos só à Amazônia, quando tocamos em todas as problemáticas que envolvem a Amazônia. Mas a questão ambiental é do Brasil inteiro. Nós temos problemas com relação ao meio ambiente em muitos Estados brasileiros. E, aí, precisamos agir no sentido de melhorarmos o conhecimento nessa área, de intensificarmos o conteúdo com relação ao meio ambiente e com relação à Amazônia, de trabalharmos isso com nossas crianças e com nossos jovens, porque, somente assim, nós começaremos, realmente, a fazer a mudança que queremos que é aquela a partir da qual as pessoas conhecerão a Amazônia e, ao conhecerem, passarão a amar, talvez muito mais do que nós amamos aquela região.

Precisamos agir no sentido de incentivar também a pesquisa, o desenvolvimento, estimular as universidades. No orçamento para pesquisa no Brasil, qual é o percentual destinado à Amazônia? Certamente um percentual que deixa a desejar.

O Brasil tem que optar pela Amazônia. Não pode apenas o mundo inteiro estar com os olhos voltados para lá, dizendo que querem que nós façamos isso ou aquilo. Temos que assumir isso. E assumir significa ensino, pesquisa, extensão, orientação. É preciso ação para podermos aproveitar bem aquela região. E que o aproveitamento se faça por termos áreas preservadas, por termos áreas conservadas, por termos o empreendedorismo com empreendedores amazônicos.

Muito obrigado pela oportunidade de trazer aqui um pouco mais das nossas preocupações com relação à região que tanto amamos que é a Amazônia.

Roberto Brasil