Companhias aéreas aposentam Jumbo 747, ‘o avião que mudou o mundo’

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Jumbo 747-400CSão mais de 1.500 exemplares espalhados por aeroportos de todo o mundo. Mas onde quer esteja, com seus dois andares e uma cabine a quase dez metros do chão, o Jumbo 747 é inconfundível.

Entretanto, a aeronave da Boeing que revolucionou a aviação comercial, barateando voos e elevando padrões do serviço de bordo, está cada vez menos presente nos aeroportos brasileiros.

Há três anos, o 747 voava pelo Brasil em dez viagens regulares, feitas pelas estrangeiras Air France, Aerolineas Argentinas, British Airways e Lufthansa.

Ao longo desse período, porém, as empresas passaram a substituí-lo por modelos menores e mais modernos, como o Boeing 777. Hoje, o Jumbo tem apenas seis voos no Brasil, todos eles realizados pela Lufthansa.

O motivo para esse enxugamento é que as companhias aéreas internacionais passaram a vê-lo como pouco eficiente nas rotas mais lucrativas do mundo, e o Brasil não fica fora desta lógica.

No último mês, por exemplo, foi a vez da British Airways retirar seu 747 da rota entre São Paulo e Londres.

A companhia britânica não informa se a decisão é definitiva. Mas para quem andou ou trabalhou na aeronave vê essa movimentação como a despedida de um gigante.

CONCORRÊNCIA

Agora, 46 anos desde o seu lançamento, o Jumbo passou a sentir a concorrência de modelos mais modernos, capazes de fazer longas rotas com menos combustível.

“Para começar, um 747 tem quatro motores. Hoje, o mesmo trecho pode ser feito por um avião que tem apenas dois. Logo se vê a economia de combustível”, explica o piloto Peixoto. “Ele é um avião lindo, confortável. Mas, infelizmente, no mundo da aviação o que manda é o dinheiro. E o 747 já não é mais viável”.

Em janeiro deste ano, a Air France anunciou o encerramento mundial de suas operações com o 747. A última cartada da Boeing, seu fabricante, foi atualizá-lo em 2005.

A versão mais moderna do 747, com capacidade de até 660 passageiros, ficou pronta só em 2011. Mas, assim como o Airbus A380 (capaz de carregar até 853 passageiros), não teve o sucesso esperado.
Desde então, as duas companhias reduziram o ritmo de produção dos superaviões.

Se a tendência se confirmar, o 747, que muitas vezes é chamado de “o avião que mudou o mundo”, pode acabar ficando restrito ao transporte de cargas, isso se não virar uma bela peça de museu.

*Com FOLHAPRESS

Roberto Brasil