Comitê de monitoramento da Microcefalia discute protocolo de atendimento nas maternidades

By -

crianca-coloO Comitê de Monitoramento criado pela Secretaria Estadual de Saúde (Susam) para acompanhar os casos de microcefalia no Amazonas reuniu nesta terça-feira (12), para discutir detalhes do protocolo de atendimento aos recém-nascidos com suspeita da doença, ainda nas maternidades. Na próxima semana, com base nas sugestões do comitê, o secretário estadual de Saúde, Pedro Elias de Souza, deverá editar uma nota técnica, com novas orientações sobre o tema.

“Estamos avaliando toda a rotina de procedimentos que envolvem a detecção de possíveis casos da doença, para verificar se é necessário fazer algum ajuste neste protocolo”, disse o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque, que coordenou a reunião do comitê nesta terça-feira.

A microcefalia registrou um aumento exponencial no ano passado no Brasil, elevação associada, conforme o Ministério da Saúde, aos casos de infecção de gestantes pelo Zika vírus. No Amazonas, até o momento, apenas um caso dessa natureza foi notificado e está sob investigação epidemiológica e laboratorial. “De qualquer modo, estamos nos preparando para um possível aumento do número de casos e é necessário que todos os procedimentos de atendimento estejam alinhados”, ressaltou Bernardino.

Ainda nesta semana, o comitê deve promover uma nova reunião, desta vez com diretores e gerentes de enfermagem das maternidades, para discutir o protocolo de atendimento e definir as responsabilidades de cada membro integrante das equipes de assistência ao parto (obstetras, pediatras, neonatologistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem).

Bernardino destacou que estão sendo alinhados, também, os fluxos de encaminhamento de possíveis casos de microcefalia a especialidades como Neuropediatria, Oftalmologia, Otorrinolaringologia, Psicologia, entre outras. “Temos que ter um fluxo que garanta a prioridade de acesso aos bebês, com a definição de serviços de referência”, frisou o diretor da FVS.

A secretária municipal de Gestão da Saúde, Lubélia de Sá Freire, que também participou da reunião do comitê, informou que nesta terça-feira teve início o curso de “Capacitação em Resposta, Vigilância e Atenção relacionada à Infecção por Zika Vírus”, organizado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), tendo como público-alvo os médicos, enfermeiros e bioquímicos da Atenção Básica. O curso, que está sendo realizado no auditório da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), se estenderá até quinta-feira (14). O evento, ressaltou Lubélia, integra as medidas de organização e preparação da rede para um possível aumento do número de casos da doença.

Assessoramento técnico – Criado pela Susam em novembro do ano passado, o Comitê de Apoio para o monitoramento da microcefalia tem entre suas tarefas: assessorar tecnicamente a gestão e os serviços de saúde na elaboração de normas e procedimentos direcionados à prevenção, controle e tratamento da malformação; monitorar a evolução de possível epidemia da doença; e propor investigações e pesquisas que possibilitem aumentar o grau de conhecimento da doença, também visando sua prevenção e controle. Presidido pelo secretário Pedro Elias, o comitê também é formado pelo diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque; a médica Marianna Facchinetti Brock (especialista em medicina fetal); médica Ilka Espírito Santo, presidente da Sociedade Amazonense de Ginecologia e Obstetrícia; a diretora-presidente da FMT Graça Alecrim, que é infectologista, assim como Maria Paula Mourão, também da fundação; médica Elena Marta Amaral dos Santos, presidente da Sociedade Amazonense de Pediatria; neuropediatra Francisco Tussolini; Luena Xerez, coordenadora estadual da Rede Cegonha; Patrícia da Silva Magalhães, gerente de Maternidades da secretaria-adjunta de Atenção Especializada da Capital; Luciane Tellechea da Silva, da secretaria-adjunta de Atenção Especializada do Interior; e Sandra Mendes de Magalhães, representando a Semsa.

Roberto Brasil