Comissão vai a Melo pedir que Estado participe da discussão sobre PlanMob

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Camara municipal de manaus

Os integrantes da Comissão Especial de Análise do Plano de Mobilidade Urbana de Manaus vão marcar, ainda esta semana, um encontro com o governador José Melo (PROS) para pedir uma maior participação e acompanhamento de órgãos da administração estadual nas audiências públicas para discussão do PlanMob-Manaus, uma vez que Estado e município precisam trabalhar em conjunto a partir da implementação do plano.

A decisão foi anunciada, na tarde desta quarta-feira (25), ao final da primeira audiência pública realizada pela comissão, presidida pelo vereador Felipe Souza (PTN), na qual o superintendente municipal de Transportes Urbanos, Pedro Carvalho, fez uma explanação do plano que tem como objetivos tornar o transporte coletivo mais atrativo que o motorizado, promover a melhoria continua dos serviços, equipamentos e instalações relacionadas à mobilidade urbana, tornar a mobilidade um fator positivo para o desenvolvimento da cidade, tornando-a ainda um fator para inclusão social.

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Superintendente Municipal de Transportes Urbanos, Pedro Carvalho.

Durante a exposição técnica aos vereadores e convidados presentes, Pedro Carvalho explicou que o plano resultou de estudos que indicam um crescimento acentuado no número de veículos automotores, enquanto o transporte coletivo perde participação. Ele defendeu a implantação do BRT(Bus Rapid Transit), que exige investimentos de R$ 2,6 bilhões, tem boa capacidade de transporte, ser o modal que oferece melhor flexibilidade e que melhor se adequa à realidade de Manaus.

Faltam vias

A cidade de Manaus, de acordo com a exposição do superintendente da SMTU, tem uma baixa capacidade de transporte, por não ter evoluído neste setor nos últimos dez anos. “Precisamos de novas vias estruturantes para permitir deslocamentos com mais rapidez”, afirmou, acrescentando que 31% das reclamações do transporte público dizem respeito à lotação e tempo de espera, em decorrência da segregação que é imposta pelos automóveis. Segundo ele, Manaus carece de um sistema integrado e de racionalização do transporte coletivo e de contar com pelo menos dez terminais de integração.

Enquanto a população cresce, o número de passageiros não aumenta porque cada vez mais o transporte público deixa de ser atraente. O centro da cidade – sustentou o superintendente da SMTU – ainda continua sendo o principal polo gerador de viagens, quando o ideal é que esse adensamento fosse espalhado para outras áreas da cidade. Os deslocamentos são feitos à custas de muitas voltas por causa do excesso de entroncamentos existentes nas vidas públicas. E para piorar as barreiras impostas pelos igarapés que cortam a cidade aumentam ainda mais os transtornos.

Ele observou que, em 2035, prazo para o qual está sendo concebido o PlanMob, mais de 300 mil pessoas estarão se deslocando em horário de pico. “Se não for feito nada para melhorar e torna atraente o transporte público, não sei como conseguiremos andar. A tendência natural é que os problemas do trânsito de agravem, e as pessoas percam muito mais tempo para se deslocar”.

Preocupações

O representante do Conselho Regional de Engenharia do Amazonas (CREA-AM), Marco Aurélio Mendonça, elogiou a qualidade do projeto enviado pela Prefeitura à Câmara Municipal de Manaus, mas disse se preocupar com o tempo para tramitação da proposta.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus, Ralph Assayag, observou a necessidade de ter garantias de que o plano vai acontecer, e se haverá recursos para a implantação das obras que estão previstas. Assayag acha que somente com a parceria do governo estadual o PlanMob-Manaus terá funcionalidade.

Discussão

A vereadora Socorro Sampaio (PP) manifestou apoio irrestrito ao projeto, e disse que “nenhuma cidade avança sem que haja sacrifícios”. Os vereadores Professor Bibiano e Waldemir José, ambos do PT, fizeram críticas à forma como foi elaborada a proposta, que não teria sido concebida com a participação da sociedade, além da centralização da discussão no superintendente da SMTU, Pedro Carvalho.

O líder do prefeito na CMM e relator do projeto, vereador Elias Emanuel (PSDB), rechaçou as críticas, argumentando que a prefeitura apresentou um diagnóstico da cidade nas discussões que antecederam a feitura do plano. “O PlanMob não está fechado, nem a Prefeitura de Manaus vê essa proposta como centro do umbigo da administração. Dizer que a sociedade não teve participação é mostrar não ter lido o plano que está na Câmara Municipal”, afirmou.

Também participaram da primeira audiência pública da Comissão de Análise do Plano de Mobilidade Urbana os vereadores Joelson Silva (PHS),Glória Carrate (P SD), Jaildo dos Rodoviários (PRP) e Rosivaldo Cordovil (PTN).

Áida Fernandes