Começam a surgir os ‘possíveis’ candidatos ao mandato tampão no AM

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A corrida eleitoral para decidir quem vai comandar o governo do Amazonas no mandato tampão de pouco mais de um ano contará com a participação de candidatos testados nas urnas. As primeiras negociações dão conta de pelo menos oito candidaturas, sendo três de deputados estaduais, um deputado federal, um ex-governador, um senador, um ex-deputado estadual e um ex-prefeiturável.

Já se articulam nos bastidores para emplacar a cabeça de eventuais chapas o deputado estadual Luiz Castro (Rede), o deputado estadual Serafim Côrrea (PSB), Professor Queiroz (Psol), o ex-deputado Marcelo Ramos (PR), o deputado federal Silas Câmara (PRB), o ex-governador Amazonino Mendes (PDT), o deputado estadual José  Ricardo Wendling (PT) e o senador Eduardo Braga.

A disputa, com o tempo espremido e a distribuição geográfica dos eleitores (quarenta e seis por cento do eleitorado vivem nos 61 municípios do interior do Amazonas) exigirá mais do que alianças com o maior número possível de legendas e financiamento de campanha, que o pleiteante ao cargo de governador já seja conhecido do eleitorado, o que facilitará a divulgação da candidatura.

Veterano em campanhas eleitorais, inclusive para o governo, o deputado e ex-prefeito de Manaus Serafim Corrêa disse que a decisão sobre uma eventual candidatura depende de uma discussão interna no PSB. Apesar de dizer que não reivindica que o seu nome seja o indicado pela sigla, o parlamentar informou que o assunto será tratado no próximo final de semana. Na prática quem bate o  martelo no partido é o próprio Serafim com o amparo do filho, o vereador Marcelo Serafim.

Luiz Castro também levantou a necessidade de um posicionamento coletivo da Rede sobre a eleição tampão. No ano passado, o deputado disputou a prefeitura de Manaus e ficou com a sétima colocação no primeiro turno. Por já ter comandado o IDAM e ter sido prefeito de Envira, o deputado tem bases eleitorais no interior.

Se a eleição mais recente servir de termômetro (recall) para definição do voto, pelo menos em Manaus, que concentra a maior parte do eleitorado (54%), Marcelo Ramos, Silas Câmara e José Ricardo saem com certa vantagem na memória do eleitor. O ex-deputado teve a segunda maior votação no primeiro turno e foi para o segundo turno com o prefeito Artur Neto (PSDB). Silas e José Ricardo  conquistaram a terceira e a quarta a maior votação, respectivamente. No interior,  são personagens conhecidos nas campanhas políticas.

Três vezes governador, Amazonino, que recentemente voltou ao noticiário em visita a uma de suas crias (UEA), nem bem foi comunicada a perda do mandato de Melo já estava se reunindo com antigos aliados para tratar do pleito.

Autor da ação que tira José Melo por oito anos de disputas eleitorais, Braga foi o segundo colocado na eleição que foi anulada, a de 2014. Esteve por dois mandatos à frente do Estado. Tem bases em todos os 61 municípios do Amazonas.

Silas Câmara , Deputado federal (PRB)

“Não  digo que não sou candidato, mas é muito cedo para afirmar que serei um, dependo dos resultados do TSE para saber se as eleições serão diretas ou não. Além disso, preciso saber quem serão os outros candidatos. Caso a pergunta for se eu quero, eu afirmo que sim. E quantos às alianças é muito cedo para discutir essas respostas”. O deputado federal Silas Câmara é um dos que concorreram na última eleição para prefeito, obtendo a terceira maior votação do primeiro turno. Silas Câmara recebeu 115.770 votos, o que equivalente a 11,17% dos votos válidos. Menos, porém, que as abstenções (226,3 mil). Na época, o resultado foi muito comemorado pelo deputado, que avaliou a votação recebida como “muito gratificante”. No segundo turno, apoiou o candidato to PR, Marcelo Ramos.

Caso a candidatura de Silas Câmara se concretize, será o primeiro teste do político junto ao eleitorado depois que votou favoravelmente à Reforma Trabalhista na Câmara dos Deputados, o que causou reação negativa imediata nas redes sociais.

PSB busca agrupar forças

Serafim Corrêa afirmou que espera um posicionamento do partido, que deverá definir  quem será o seu representante e o agrupamento político que será construído. Um encontro do PSB deve acontecer na próxima semana.

“Nenhuma decisão será minha isolada. Será uma solução construída. Minimamente temos que agrupar forças políticas para poder oferecer uma alternativa à sociedade. Não posso ir para uma conversa dessas já dizendo que o nome sou eu”, afirmou. “Não pleiteio, não reivindico. Temos que conversar as diversas forças que tem responsabilidade com o futuro do Estado, que vive um momento muito difícil para ser algo de apenas ambições pessoais”.

Entre as possíveis alianças que a sigla deve fazer, Serafim descartou a possibilidade de união com o PMDB. “Isso se deve a todo um passado recente e tudo, tudo o que está acontecendo no País. Não haverá aliança e nem apoio”, ressaltou ele. “Vamos procurar construir com os demais partidos e tudo o mais, o diálogo, para tentar chegar num agrupamento de forças. Com muita responsabilidade, com muita serenidade e equilíbrio”.

Ex-deputado federal, Marcelo Ramos

‘É muito cedo para discutir candidatura ao governo’

O ex-deputado Marcelo Ramos informou, por meio de sua assessoria, que é muito cedo para discutir eventual candidatura ao governo do Estado. “O momento agora é de calma e de análise, nada tem que ser precipitado nessa candidatura”, disse a assessoria. O que está marcado para o PR é no dia 13 de maio um encontro estadual no auditório da Assembleia Legislativa, em que vai ser discutido com os presidentes e vice-presidentes dos diretórios, além dos prefeitos dos municípios sobre quem será o candidato. Os nomes de Marcelo Ramos e de Alfredo Nascimento são os mais fortes para a disputa. Marcelo Ramos foi o segundo mais votado no primeiro turno das eleições para prefeito no ano passado e disputou o segundo turno, sendo derrotado por Artur Neto.

(DO PORTAL A CRÍTICA)

Roberto Brasil