COM QUEM O MELO FICARÁ NESTAS ELEIÇÕES

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Ademir-RamosNo Amazonas teremos eleições nos 62 Municípios do Estado para Prefeito e Vereadores. A começar por Manaus, onde o cenário mudou e muito com a entrada do deputado federal Marcos Rotta (PMDB) na chapa do prefeito Arthur Virgílio Neto (PMDB), contando com aval do senador Eduardo Braga, presidente do PMDB estadual. A mudança foi de 360 graus, virando de ponta cabeça as disputas eleitorais, não só em Manaus, mas em todos os demais Municípios do Amazonas. Descartado pelo prefeito Arthur Neto, que é candidato a reeleição, o governador José Melo (PROS), em entrevista a Crítica (07), após aliança consumada entre o PSDB e o PMDB, resolveu falar dizendo que: “De minha parte não participaria de qualquer aliança política que tivesse Eduardo Braga, porque ele já mostrou como é que trata a coisa pública. Eu vou pagar pra ver. O tempo tratará de mostrar o preço que se terá que pagar.” Nesta mesma direção alguns manifestantes também tem se pronunciado na Tribuna Popular do Jaraqui, argumentando que: “O Arthur tem mais a perder do que ganhar com esta aliança.” O fato é que a participação do governador José Melo em relação à sucessão para a Prefeitura de Manaus pareceu bastante tímida e dúbia, o que levou o prefeito Arthur Neto, a buscar apoio nacional junto ao PMDB do presidente Michel Temer, agregando em sua chapa o deputado federal Marcos Rotta para ser vice. Com este rompimento, é possível que o governador Melo seja assediado por outros candidatos para disputar a Prefeitura de Manaus e dos demais Municípios do Estado. Embora alguns afirmem que: “O Melo, nesta conjuntura tira mais voto do que soma”. O fato é que o apoio do Melo traga consigo talvez o peso da máquina, dando força para determinadas candidaturas decolarem e quem sabe possa se firmar no cenário político local.

 MELO E OMAR JUNTOS: Fora do arco de aliança de Arthur Neto, o senador Omar Aziz (PSD) moveu-se para o PR de Alfredo Nascimento, que tem como candidato a Prefeitura de Manaus Marcelo Ramos. Assim sendo, o PSD e PR faz aliança na cabeça, garantindo desta feita, o deputado Josué Neto (PSD) como vice na chapa. No rabo, como se diz no jargão político, para vereador o PSD de Omar fechou com o PROS do Melo. Significa dizer que até o momento o Melo não manifestou apoio a nenhum candidato para Prefeitura de Manaus. Dizem os mais astutos que o Governador vai ficar de “bubuia” no primeiro turno, agindo mais como “espectador ativo” do que como parte do processo eleitoral, apostando na realização do segundo turno, quando sorrateiramente deverá apoiar um candidato que se confrontará com Prefeito Arthur Virgílio Neto. Quanto aos demais Municípios, onde não haverá segundo turno, o Governador deverá trabalhar para garantir seu capital político, sobretudo, nos Municípios onde o PROS tem candidatura própria. É o caso de Maués, que o candidato é do partido do Governador Melo, contando com o aval do deputado Sidney Leite, que além de ser secretário do Governo Melo é o vice- presidente do PROS. Em síntese, quanto ao apoio aos prefeituráveis quem vai bater o martelo é o Melo porque, segundo ele, “a decisão de aliança política é do governador e disso eu não abro mão pra ninguém.” Com esta declaração comprova-se a disposição do Governador participar do pleito do seu modo e no seu tempo, lembrando apenas que o tempo é implacável com os desatentos.

INDIGNAÇÃO DO CANDIDATO ARTHUR: Em resposta as declarações do Governador José Melo, o Prefeito Arthur Neto recorreu a sua biografia política e fez o seguinte chamamento: “Olha para minha cara e para minha biografia. Veja quem é que tem cara de traidor dos dois.” E arremata a sua fala dizendo que tem sido testado em suas convicções, considerando toda a sua luta contra a ditadura e nas fileiras da oposição. Quando Indagado sobre a aliança política com o PMDB de Eduardo Braga, o candidato Arthur Neto fez questão de se posicionar contrário ao “governo do grito” e a prática da subalternidade instalada no Governo do Amazonas, declarando que nunca foi subalterno a ninguém. Quanto ao Governo do Estado, o Prefeito de Manaus afirma que: “O governador Melo é inadimplente com Manaus. Porque não cumpriu com o seu compromisso de asfaltar a cidade. Porque ele tentou empurrar para Manaus, sem orçamento, sem nada, aqueles aparelhos todos (referindo-se a questão da saúde). Amplificou uma crise que já existia no transporte coletivo não honrando a parte do Estado nos subsídios (…). Eu quero é distância dele, sinceramente.”

CULTURA POLÍTICA E A VIDA RELIGIOSA: São dois campos abertos em disputa marcados por consenso e descenso. Esta tensão no campo das ciências sociais já foi resolvida tecnicamente. No entanto, na prática do cotidiano estas relações continuam dando o que falar, principalmente, quando se trata de analisar a questão ética. Alguns fervorosos da vida religiosa exigem de si e do outro o rigor dos princípios como se fossem leis divinas encarnadas nos homens. Este encantamento é iluminado pela convicção dos atores que vislumbram um mundo ideal orientado pela luz dos Céus. No campo político, caracterizado pelas relações de poder centrada na questão do Estado Nacional e de suas Formas de Governo, o desencantamento resulta do realismo dos fatos regrado pela força do Direito que imprime em seus agentes o dever da responsabilidade relativo à vida em sociedade, à justiça, ao bem publica e privado, visto que, segundo a nossa Constituição Federal, toda propriedade atenderá sua função social. Os equívocos se multiplicam em ambas as partes quando seus interpretes reduzem o fato político a uma determinada ordem legal, negando suas múltiplas determinações. Desta feita, a dogmática religiosa dos princípios é a negação do homem e afirmação da lei, prática esta contrariada pelo humanismo cristão fundado por Nazareno, o filho de Deus. O positivismo nos tempos atuais não é diferente é movido também por interesses dominantes que controlam os aparelhos de Estado, em articulação com o Mercado, visando controlar a produção, o domínio do povo e seu território. Quanto à organização tanto a religião como a política é mediada pelas relações de poder que recorrem às suas representações ideológicas para justificar determinada conduta moral de seus atores. O condenável é quando se passa exigir do político o mesmo comportamento de um religioso de ofício. Os campos são diferentes, a ética é diferente e embora os homens pareçam iguais também são diferenciados por classe, função, competência e habilidade, inseridos num processo produtivo a exigir responsabilidade dos políticos e governantes relativo à coisa pública. É neste contexto real que devemos ler as alianças, coligações e os apoios partidárias finalísticos, abalizados muito mais por estratégias e táticas do que pela contemplação do gozo celestial enquanto vivemos no reino da corrupção, impunidade e dos vícios dos partidos que se transformaram em verdadeiras organizações criminosas. A superação deste processo contemplativo dar-se-á a partir do momento que o povo se deixar levar pelo bálsamo da religião, optando pela Liberdade e pela Justiça como valor e processo Democrático, consciente de que a força do seu voto é tão importante quanto à sua vontade de participar.

Roberto Brasil