Colômbia corre contra o tempo em busca de sobreviventes de ‘avalanche de lama’

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O governo colombiano está correndo contra o tempo em busca de sobreviventes de uma avalanche de lama que devastou a cidade de Mocoa, no departamento de Putumayo, no sul do país.

Por volta da meia-noite de sexta-feira, as chuvas fizeram transbordar três rios, causando um imenso deslizamento de terra.

Na cidade, localizada na região amazônica colombiana, na fronteira com o Equador, vivem cerca de 45 mil habitantes.

O governo declarou estado de calamidade pública. Além da Cruz Vermelha, o Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Defesa Civil participam das operações de resgate.

“Dizem que foram três rios que transbordaram, mas foi como se um mar tivesse passado pelo bairro”, disse ao jornal “El Espectador” uma testemunha da tragédia, Octavio Hernández.

“Somente conseguimos carregar as meninas. Em questão de minutos, a avalanche destruiu tudo, não sobrou nada”, afirmou ao jornal “El Tiempo” outra testemunha, Alexander López.

A água e lama arrastaram casas, postes de energia, carros e árvores.

“Há bairros que desapareceram por completo”, disse o prefeito de Mocoa, José Antonio Castro, à revista semanal colombiana Semana.

Castro, que estava em um evento oficial na cidade de Cartagena, a 1,5 mil km de Mocoa, não conseguiu retornar à cidade. Segundo ele, sua casa foi destruída pela avalanche, mas sua família está a salvo.

Vias de acesso a Mocoa foram bloqueadas pelo deslizamento de terra. Os transbordamentos ocorreram nos rios Mocoa, Mulato e Sangoyaco.

Segundo o governo colombiano, 17 bairros foram afetados pelo mar de lama e estão sem eletricidade.

“Com dor, lamento a morte de compatriotas em uma avalanche na noite passada [sexta-feira] em Mocoa, Putumayo”, escreveu o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em sua conta no Twitter.

“A tragédia em Mocoa me causa dor como presidente e ser humano. Minhas mais sinceras condolências a cada parente das vítimas”, acrescentou.

No sábado (1º), o presidente cancelou sua agenda oficial para viajar ao local do desastre ao lado do ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas, o ministro da Saúde, Alejandro Gaviria, o ministro do Meio Ambiente, Gilberto Murillo, e outros funcionários.

“Não sabemos quantos [mortos], continuaremos buscando e a primeira coisa que quero dizer é que meu coração e o de todos os colombianos estão com as vítimas dessa tragédia”, disse Santos a jornalistas logo depois de chegar à cidade afetada.

Segundo o presidente colombiano, “há muita gente desaparecida”.

ISOLAMENTO

A magnitude da catástrofe é agravada pelo isolamento da cidade, localizada na região amazônica, na fronteira com o Equador.

O acesso ao local é limitado. As únicas opções de transporte são avião e estradas precárias.

Os moradores de Mocoa estão acostumados a conviver com as intempéries da natureza, mas mesmo assim acabaram surpreendidos pelo atípico transbordamento dos rios.

A governadora do departamento de Putumayo, Sorrel Aroca, classificou o desastre como “uma tragédia sem precedentes”.

De acordo com medições oficiais, apenas na noite de sexta-feira caiu 30% da chuva esperada para todo o mês.

O Corpo de Bombeiros informou que há 86 equipes de resgate em Mocoa. Também operam no local tropas da 27ª Brigada Selva do Exército, apoiada por dois helicópteros.

Também foi deslocada para a região a Unidade Nacional de Gestão do Risco de Desastres, que enviou alimentos, banheiros, kits de alimentos, cobertores e colchões, além de cisternas para fornecer água potável.

Segundo o Ministério de Defesa colombiano, cinco aviões da Força Aérea da Colômbia, quatro helicópteros do Exército e três da polícia com socorristas fazem parte de um contingente de 1.120 integrantes das Forças Armadas envolvidos nas operações de resgate.

Além disso, 370 policiais foram deslocados para a cidade.

BBC BRASIL

Roberto Brasil