Coleta de ovos: Um trabalho árduo para o Projeto-Pé-de-Pincha no Rio Andirá

By -

barreirinha-pe-de-pincha-COLAGEM-blogdafloresta01Da Redação – O Rio Andirá é uma das grandes regiões do Amazonas propícia a reprodução dos bichos de casco, motivo pelo qual, o Projeto Pé-de-Pincha, patrocinado pela Petrobras com apoio da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), mantem vinte comunidades bases de proteção desses animais na área, por isso, nos meses de setembro e outubro requer uma atenção especial, os quelônios sobem as praias para depositar seus ovos.

Coletar ovos nas praias, não é fácil, é um trabalho árduo, que exige muito esforço e dedicação de toda a equipe do Projeto Pé-de-Pincha: dormir nas praias, acordar de madrugada, enfrentar as adversidades do tempo, se deslocar de um lugar para o outro onde os animais estão aparecendo, fazendo seus ninhos, exige um esforço que não é pra qualquer um, é um momento tenso. O lema é vigiar, para evitar que as covas não sejam saqueadas; estar sempre de olho, para que nenhum problema venha atrapalhar o serviço que é proteger a área de reprodução.

barreirinha-pe-de-pincha-COLAGEM-blogdafloresta02É um trabalho cansativo, mas nem longe desmotivador para o objetivo do projeto: evitar a extinção desses animais através do manejo, conservando-os para garantir o futuro dessas espécies. Tracajá, tartaruga, iaçá, esses, são os mais procurados pelos caçadores para a comercialização devido a procura ser muito grande nessa época do ano, tanto pela carne, quanto pelos ovos, e, nesse período fica mais fácil as suas capturas, o trabalho do pessoal do projeto entra em ação com uma atuação redobrada, e, ao mesmo tempo perigosa, pois o maior trabalho começa ao entardecer – basicamente no principio da noite – indo até ao amanhecer. As lanchas que servem de apoio saem no escuro com as equipes, sem saber o que vão encontrar pelo caminho, porém, mesmo com todos os esforços possíveis, eles ainda encontram muitas covas saqueadas, aí, a tristeza bate no coração, mas eles não desanimam, porque o objetivo, e a determinação do projeto não podem ser abalados, tem que seguir em frente com as pegadas dos Pés-de-Pinchas marcando presença no futuro desse Planeta ainda Azul.

barreirinha-pe-de-pincha-COLAGEM-blogdafloresta04COLETA DOS OVOS

Toda a coleta de ovos feita numa noite é levada em caixas de isopor com areia, para manter a temperatura e não sofrerem nenhuma alteração, para depois serem colocados nas chocadeiras, que ficam nas praias, sedes das comunidades onde o projeto existe. Os animais que estão desovando, logo depois da desova são capturados, para passarem por um processo de biometria, onde tudo é anotado: são vistos suas idades; seus pesos, suas medidas; na realidade passam por uma checagem completa e são marcados com uma placa colada em seus cascos, através de rebites, levando um numero que os identificam aos pesquisadores no caso de uma nova captura, depois dessa maratona toda, são soltos nos lugares onde foram apanhados.

Além dos funcionários, há também muita gente envolvida com o projeto na questão da conservação desses animais: voluntários, universitários e estagiários de cursos que tenham identificação com a temática ambiental são aceitos no projeto.

barreirinha-pe-de-pincha-COLAGEM-blogdafloresta05Em cada comunidade, tem uma pessoa do local coordenando uma equipe, composta de crianças, adolescentes, jovens, idosos, que são responsáveis, tanto pela coleta, quanto pela guarda dos ninhos, que estão chocando nas praias. Essas pessoas já estão sabendo o quanto é importante para o lugar onde vivem ter essa consciência da conservação e fazem questão de disseminar essa ideia por onde passam. A extinção desses animais pode tornar a vida mais difícil, e eles já estiveram bem escassos na área.

Depois da chegada do Projeto Pé-de-Pincha – patrocinado pela Petrobras e apoiado pela UFAM – os próprios caboclos falam que a população de quelônios vem aumentando a cada ano, portanto, é uma atuação que merece respeito, consideração, pois é um projeto ambiental, que não está só no papel como muitos, ele funciono mesmo na pratica, e o resultado é assim: nessa parte, a relação do homem com a natureza está em equilíbrio. Proibir, nunca, porque através da proibição não se educa: a conscientização sim; ativa o pensamento, melhora o conhecimento e educa o cidadão. É por essas águas, que o Projeto-de-Pincha navega, e enfrenta qualquer temporal, pois, da natureza dependemos todos nós, e cuidar da natureza é cuidar da nossa própria vida.  (Texto e Fotos: DAVID ALMEIDA)

Roberto Brasil