COARI: POR QUE OS VEREADORES NÃO APROVARAM A CPI?

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 Mais uma noite para entrar para a história vergonhosa do município de Coari. Apesar de inúmeras denúncias de crimes cometidos pelo prefeito municipal, Raimundo Magalhães, alguns vereadores preferiram trair o povo e não apoiar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o sumiço de mais de R$ 200 milhões.

Enquanto o prefeito demite centenas de pais de famílias, que trabalharam e ainda não receberam, a grande maioria dos vereadores garante os seus familiares empregados, recebendo sem trabalhar. São filhos, esposas, irmãos, sogra, cunhados, sobrinhos, etc… que recebem e não trabalham. “Cadê a justiça que colocou ele no poder que agora não vê isso?”, pergunta uma auxiliar de serviços gerais, que não vê a cor de seu salário mínimo há três meses.

Dessa vez não foram 30 moedas de ouro, mas R$ 30 mil para cada vereador que assumiram o papel de traidores do povo e retiraram o nome da lista de apoio à CPI, que estava sendo elaborada desde a semana passada. Ainda na manhã de terça-feira(7/6) no gabinete do presidente da Câmara Municipal de Coari (CMC), Iliseu Monteiro, os vereadores estiveram reunidos tratando da instalação da comissão, mas momentos antes de iniciar a sessão, já era de domínio público a notícia do pagamento da parcela do “mensalão” feito graças ao repasse dos recursos provenientes do ISS (Imposto Sobre Serviços), que entrou nos cofres públicos na segunda-feira(6/6).

Desprovidos de qualquer resquício de dignidade com o mandato e sem o menor respeito com os trabalhadores, os vereadores mais audaciosos (Márcio Almeida, Robério Queiroz e Adnamar Guimarães) ainda ocuparam a tribuna para tentar justificar o injustificável – salários atrasados, falta de aulas na Zona Rural, falta de merenda na Zona Urbana, ruas esburacadas, lixeiras pelas esquinas, sérios problemas na saúde pública, serviços públicos funcionando precariamente e calote nos fornecedores e aluguéis. Do lado de fora, na praça de Sant’Ana e São Sebastião, milhares de pessoas vaiaram a traição.

A FOLHA DO MESALINHO DOS VEREADORES

Desapontado com a falta frequente de salários, um funcionário contratado da Secretaria Municipal de Administração (Semad), que não quis se identificar, fez chegar até a redação deste veículo de comunicação digital um arquivo contendo informações sobre folhas de pagamento dos funcionários públicos do município de Coari (efetivos e contratados) referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2016. Muitos desses “assessores” pagos com o dinheiro público não moram em Coari, “muito menos trabalham para merecerem estar recebendo enquanto muita gente é demitida sem receber”, protesta uma técnica de enfermagem. Até cabos eleitorais são pagos, de acordo com a Folha de Pagamento.

Resumindo, quem trabalha não recebe e é demitido, enquanto os que recebem não trabalham. É com esse roteiro mal adaptado que o prefeito enviou para a CMC a decisão de pagar em parcelas os salários atrasados com promessa de regularizar os pagamentos com a publicação, e breve, de um calendário com as datas dos pagamentos dos próximos meses. “Mas os protegidos dos vereadores continuam empregados e recebendo e dia”, reage um guarda municipal. Cada vereador tem sua lista de parentes e amigos que recebem sem trabalhar. “Falam em mais R$ 60 mil por mês de mensalão, para cada um dos vereadores que defendem o prefeito na Câmara”, entrega uma funcionária da CMC.

Sem saber explicar onde foram parar mais de R$ 240 milhões que entraram na PMC nos últimos 13 meses, o secretário da Casa Civil, Alexei Chaves alegou que a folha de pagamento gira em torno de R$ 8 milhões e apresentou, aos vereadores, valores de repasses bem abaixo do que apura, mensalmente, o Observatório Social de Coari (OSC). “Eles são fiscais do Executivo e deveriam atuar como manda as leis, mas preferem ficar do lado do criminoso”, resume o jornalista Eledilson Colares, presidente do OSC.

Dezenas de denúncias contra a atual administração municipal já foram protocoladas nos Ministérios Públicos Estadual (MPE) e Federal (MPF), Tribunal de Contas do Estado (TCE), Receita e Polícia Federal, Câmara Municipal de Coari (CMC), Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM) e Tribunal de Contas da União (TCU) apontado o uso inadequado de recursos públicos municipais, estaduais e federais, “mas não podemos contar com um número suficiente de votos para instalar uma CPI”, lamenta o vereador Keitton Pinheiro.// Eledilson Colares

 

Mario Dantas