CLARO QUE NÃO PRESTA

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felix-valois-blogdafloresta_logoHá coisa de cinco ou seis anos adquiri uma linha de telefonia fixa. Ainda existia a Embratel e a empresa oferecia o seu último lançamento. Era o “Livre”, aparelho que se assentava numa base fixa da qual, uma vez carregada a bateria, poderia ele ser removido e transportado, facilitando a utilização. Era quase a mescla de um telefone sem fio com um celular, pois o “Livre” tinha grande autonomia de distância. Confesso que me satisfez a aquisição, pela versatilidade da geringonça e pela tarifa que sempre se manteve dentro de padrões toleráveis, levando em conta que não possuo imóvel em Atibaia.

De repente, não mais que de repente, observei que o nome da Embratel havia sumido da fatura, sendo substituído pelo logotipo da Claro. Não me recordo quando, exatamente, se deu a troca, fruto, por certo, de uma dessas operações de compra e/ou fusão de que está repleto o grande universo empresarial. De nada fui avisado e nem esperava sê-lo já que a insignificância de uma simples linha residencial não há de ter o condão de ocupar uma parte infinitamente pequena que seja do tempo dos altos executivos dos imensos conglomerados.

O certo é que, para mim, houve apenas mudança do credor, passando eu a pagar mensalmente para a Claro, sem saber, é óbvio, o que fora feito da Embratel. Entendimento de gigantes não pode admitir a interferência de pigmeus, ficando eu quieto no meu galho, como recomendei no texto da última semana. Tudo seguiu, portanto, na mesma rotina. Até que a nova dona do negócio fez uma oferta para trocar o aparelho. Aceitei e segui os procedimentos indicados. E começou aí o meu primeiro calvário. O boleto foi pago no prazo de vencimento, iniciando-se o decurso do prazo de dez dias úteis para a entrega do aparelho. Mas o tempo parou. Passados vinte dias, foi feita a primeira reclamação e me prometeram que iam “estar verificando” o que se sucedia. Nada. Nova reclamação e, então, me informaram que tinha havido um erro no despacho e o malfadado “Livre” (já nem sei se assim ainda se chamava, então), fora enviado para passear pelas Minas Gerais, mas que tudo estava sendo feito para corrigir o equívoco. Até que afinal o Guaramiranga conseguiu atracar no porto de Manaus e o pequeno embrulho, com a encomenda, foi entregue no meu endereço. Nenhum pedido de desculpas, nenhuma satisfação e ficou tudo por isso mesmo.

O novo aparelho continuou com o mesmo serviço que seu antecessor sem que nenhuma alteração de monta lhe tenha sido acrescentada, fazendo apenas o que devem fazer os telefones, atividade até há pouco tempo restrita a chamar alguém e a receber chamadas. O que não é o caso dos ditos “smarts”, que fazem de tudo e permitem à Heleninha, minha neta, ficar vendo a Pepa Pig, através do tal de “you tube”, numa parafernália quase incompreensível para quem, como eu, ainda é do tempo da Radional.

Mas o aparelhinho sentiu os efeitos do tempo.  Já não consegue sustentar a carga na bateria, de forma que é um espetáculo surreal operar com ele. Tem que ser na própria base. Ora, como esta se encontra a pequena altura, o operador não tem outra opção que não seja se agachar, de tal maneira que lhe seja possível ouvir e falar sem retirar o telefone do console, pois, caso contrário, encerra-se o serviço.

Não seria possível continuar com tamanha ridicularia. E agora, por minha própria iniciativa, deliberei solicitar a troca do aparelho. Maldita hora em que o fiz. O segundo calvário está sendo muito pior do que o primeiro. Conto a minha sina desde o início, que ocorreu em meados de janeiro.

Acessei o site da Claro e encontrei um item oferecendo a possibilidade de trocar o telefone fixo via “chat”. Cliquei na coisa e me apareceu uma mensagem dizendo: “No momento, todos os nossos operadores estão ocupados. Você é o décimo na lista de espera. Queira aguardar, por favor”. Pus-me a esperar. A única vantagem é que não havia fundo musical, tocando dupla sertaneja. Depois de uma boa meia hora, surge a primeira mensagem. Um número, o nome da moça e o texto: “Boa tarde, em que posso ajudar”? Expliquei meu problema e ela, brindando-me com uma avalanche de gerúndios, me disse em síntese que, no máximo em vinte e quatro horas, seriam enviados para o meu e-mail, o número do protocolo de atendimento e o boleto para pagamento da quantia correspondente à transação.

As 24 se multiplicaram por quinze e nada. Nem protocolo, nem boleto. Voltei ao “chat”. Desta vez fui apenas o oitavo na lista de espera e quem me atendeu foi o 930831 – Sidney. Nem mencionei o chat anterior. Para quê? Fiz o mesmo relato e ele me pediu o “nome completo do titular” e os três primeiros dígitos do CPF. Atendi à requisição. Cinco minutos se passaram e o 930831 – Sidney volta à cena, dizendo “obrigado por aguardar” e me informando que “a segunda via do seu boleto de reposição o senhor pode consultar através do”, seguindo-se um endereço eletrônico, com a observação de que o “login é seu CPF, sem pontos e sem traços, e a senha é…”.

Tudo parecia resolvido. Só que, quando faço o procedimento, me vem o aviso fatal: “blocktoweb.com diz: nenhum bloqueto cadastrado para esse CPF”. Que loucura? Tudo isso porque eu quero pagar para ter direito a um aparelho telefônico que funcione. Claro que está errado. Claro que o serviço não presta. Já pensei em dar um “oi” para “tim”, mas não sei se consigo sair “vivo” dessa insanidade. Por via das dúvidas, já comprei um tambor e estou tendo aulas de percussão com meu afilhado Lúcio Flávio Simas Vieira. Também estou treinando com uma toalha a abafar fogueira, para enviar sinais de fumaça.

Roberto Brasil