Cirurgia revela que desertor norte-coreano está cheio de vermes

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Lee Cook-jong explica condições de saúde de desertor em Suwon, na Coreia do Sul (Foto: Kim in-cheol/Yonhap/Reuters)

A audaciosa tentativa de um soldado norte-coreano de desertar atravessando a fronteira pesadamente vigiada entre seu país e a Coreia do Sul atraiu atenção nesta semana. Mas talvez mais surpreendente tenha sido a revelação, pelos cirurgiões que estavam batalhando por salvar sua vida, de que encontraram dezenas de vermes parasíticos, alguns com até 27 centímetros de comprimento, ao tentar reparar as feridas que o soldado sofreu no intestino.

“Nos meus 20 anos como cirurgião, só tinha visto coisa parecida em livros de medicina”, disse Lee Cook-jong, o chefe da equipe de cirurgia.

A descoberta expôs as condições precárias de vida na Coreia do Norte, que incluem má higiene e subnutrição.
Os cirurgiões trabalharam em ritmo acelerado para tentar salvar o soldado, cujo nome e patente não foram revelados, e que sofreu ferimentos sérios ao ser atingido por tiros de seus compatriotas quando tentou correr através da fronteira.

“Encontramos dezenas de vermes parasíticos maduros em seus intestinos feridos”, disse Lee. “Uma infecção parasítica séria.”

Os especialistas em vermes parasíticos não se surpreenderam. Disseram que a descoberta se enquadrava à percepção dos profissionais de saúde sobre a isolada e empobrecida Coreia do Norte.

Desertores que se refugiaram na Coreia do Sul já haviam mencionado a existência de parasitas e uma situação terrível de nutrição. Porque lhe faltam fertilizantes químicos, a Coreia do Norte ainda depende de excremento humano para fertilizar seus campos, o que ajuda na propagação dos parasitas, segundo os especialistas.

Em um estudo de 2014, médicos sul-coreanos estudaram amostras fornecidas por 17 mulheres que desertaram da Coreia do Norte, e constataram que sete delas estavam infectadas com vermes parasíticos.

O soldado norte-coreano chegou de jipe à Área Conjunta de Segurança, uma das partes mais pesadamente guardadas da Zona Desmilitarizada (DMZ) entre as duas Coreias, na segunda-feira. De lá, saiu correndo para atravessar a fronteira e desertar para a Coreia do Sul, enquanto soldados norte-coreanos dispararam diversas rajadas de tiros de fuzil e tiros de pistola para tentar detê-lo.

Ele caiu 55 metros ao sul da fronteira, sagrando profusamente. Oficiais sul-coreanos o carregaram para um lugar seguro, e um helicóptero Black Hawk dos Estados Unidos o transportou às pressas para um hospital perto de Seul.
A condição de saúde do soldado merece atenção especial porque as Forças Armadas norte-coreanas têm prioridade no racionamento de comida. Além dos vermes parasíticos, os médicos encontraram caroços de milho em seu estômago.

Roberto Brasil