“Chupa Dudu” O bordão seguido de múltiplos gestos que podem ganhar sentido variado no contexto semântico nas fileiras do eleitorado pró Melo

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Ademir Ramos - Antropólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

Ademir Ramos – Antropólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

De antemão quero informar aos meus camaradinhas que não tenho ido aos comícios, embora, como analista de conjuntura tenha o dever de acompanhar estas discussões, mostrando aos nossos leitores as contradições, apelos e chamamentos. Mas, as minhas fontes são quentes, eu boto fé. Foram elas que me informaram que nos comícios do candidato Melo o bordão que se tornou popular e que caiu na boca de Matilde é o “chupa Dudu”. Tal expressão os candidatos recorrem para manifestar contentamento e provocar o Senador candidato. O “chupa Dudu” é seguido de múltiplos gestos que podem ganhar sentido variado no contexto semântico do poder.

Na verdade, a linguagens é difusa: rádio é uma, TV é outra e nos comícios são outras falas, mudando de acordo com o público. O fato é que os dois candidatos em disputa com maior aceitação deram um tom hilário na campanha, buscando cada vez mais o aceite do eleitor. Este processo de comunicação é fundamental para sustentar um estreito vinculo com o eleitor. Acontece que o perfil do Senador, segundo minhas referencias é vetusto, com ar de seringalista, passando pouco ou quase nenhuma confiança aos eleitores tal como uma bijuteria, que embora não sendo ostenta ser diamante ou ouro.

 

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Mas a falsidade impera e arrogância também. Em contraponto, o Melo, furando a sua própria cerca de jurubeba, vai ao encontro do eleitor de cara limpa nos mercados, nas feiras, nas ruas e demais logradouros, conversando aqui, comendo ali, beneficiando-se do voto direto, celebrando compromisso com o seu eleitorado tanto na capital como no interior do Estado é o que busca qualquer candidato.

“Chupa Dudu” passou a ser o bordão a ser replicado com segurança e confiabilidade ao eleitor, causando ao senador constrangimento pelo abandono dos seus pares. Contudo, o senador não está morto e tem recorrido a expedientes exógenos provocando impacto nos meios de comunicação com ressonância nos programas eleitorais. Lamentável que a disputa neste nível perde grande oportunidade de se conhecer as propostas dos candidatos, sua forma de viabilidade e a qualidade de seus operadores nivelando, desta feita, a política por baixo. No entanto, o realismo político ensina-nos que em terra de sapo de cocura com ele: E o “chupa Dudu” virou grito de resistência.// (Ademir Ramos)

Mario Dantas