Chico Preto: : Sou um apaixonado por política. Entendo política como vocação

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Chico Preto

Chico Preto

Blog da Floresta: Ano passado o Senhor concorreu a um cargo do Executivo e perdeu a eleição. O Senhor se arrepende?

Chico Preto: Em nenhum momento me arrependi ou me arrependo de ter concorrido ao cargo de governador. Sabia desde o início que não seria fácil, mas se formos recuar todas as vezes que a situação for difícil, não iremos a lugar nenhum. Vamos nos estagnar. Poderia ter me acomodado e continuado no Legislativo, mas aprendi muito com a minha candidatura. Quem ganha a eleição, administra; quem perde, fiscaliza o dinheiro público. Estou fazendo isso com muita honestidade, coragem e determinação.

 

Blog da Floresta: O que o Senhor aprendeu com a derrota?

Chico Preto: Primeiro a não desistir. Lutei por algo e não consegui, fiz aquilo que estava ao meu alcance para ganhar. Perdi a batalha. Isso não significa que desisti da luta. Gosto muito de uma frase de um poema de Fernando Pessoa que diz “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Às vezes, precisamos nos lançar no desconhecido para experimentar não só viver, mas também descobrir novos caminhos, novas verdades, desconstruir os nossos conceitos, ter mais fé. É quando estamos “na tempestade” que aprendemos a confiar mais em Deus e a depender dele.

 

Blog da Floresta: O Senhor mencionou que fiscaliza o dinheiro público, então podemos dizer que hoje o Senhor é oposição?

Chico Preto: Herdamos da Ditadura Militar essa bipolarização na política: ou é situação ou é oposição. Se fiscalizar o dinheiro público, se abordar os problemas da sociedade, se cobrar ações concretas para resolver as dificuldades do povo é ser oposição, então eu me enquadro nesse “estereótipo”. Mas, veja, entendo que um político deva ser mais que isso. Explico: às vezes, o governo manda um projeto para ser votado que é bom para a população, aí a oposição vota contra, só porque é oposição. Pergunto: isso é certo? A meu ver, não. Faço oposição às falcatruas, às arbitrariedades dos governantes, aos desmandos que estão ocorrendo em nossa cidade, em nosso Estado, em nosso País.

 

Blog da Floresta: Mas o Senhor durante muito tempo foi “situação”. Nessa época, os governantes faziam tudo certo?

Chico Preto: Claro que não. Sempre tive essa postura crítica. Dentro do meu grupo político, não aceitava qualquer desmando. Isso é tão real e verdadeiro que chegou um momento em que tive que me retirar para não ser incoerente. Vou dar um exemplo bem prático: você é jornalista e mandam você “maquiar” uma reportagem para a publicação. Você irá fazer? Acredito que sim ou vai perder o emprego, porque tem “milhões” que querem a tua vaga e fazem qualquer coisa por isso. Você pode escolher não fazer e começar tudo de novo, indo atrás de um emprego, mostrando a tua competência. Em alguns grupos políticos também é assim: ou você se retira ou tem que “fingir” que está tudo bem. Escolhi me retirar e começar tudo de novo. Não tenho medo de recomeços.

 

Blog da Floresta: Mas ainda assim o ligam muito à figura do Ministro Eduardo Braga. Isso o incomoda?

Chico Preto: Nenhum pouco. O político Eduardo Braga foi uma figura muito importante na minha trajetória. Quando comecei, compartilhávamos dos mesmos ideais. Mas os homens mudam. Ele mudou e eu também. Ou eu o persuadia com as minhas ideias ou ele me convencia com as suas porque não eram mais as mesmas. Não aconteceu nenhuma coisa, nem outra. Então tivemos que trilhar caminhos diferentes. Mas o respeito como respeito qualquer cidadão. Talvez as pessoas não compreendam isso e repetem muito essa “ladainha” de que sou “parceiro” do Eduardo Braga. Não temos nenhuma ligação política atualmente, mas não é por isso que vou atacá-lo ou ofendê-lo de forma gratuita. Agora quando acho que a coisa não está bem, critico. Postei semana passada um artigo no meu “facebook” em que faço duras críticas à questão da tarifa muito alta da conta de luz. Meu compromisso é com a população. Não tenho medo de expor as minhas opiniões, mesmo que elas não agradem a alguns políticos e seus aliados.

 

Blog da Floresta: Por falar em facebook, nas suas postagens, o Senhor critica bastante o Melo e o Artur. Por que o Senhor acha que eles não estão fazendo uma boa administração?

Chico Preto: Antes de mais nada, é preciso que se esclareça que sou um homem crítico. A meu ver, pensar de forma crítica não significa pensar de forma negativa, ao contrário é pensar de forma cuidadosa, consistente e exata. O grande problema de não se gostar dos críticos é que se tem medo de que as “verdades” sejam desmanteladas e virem ilusões. Quando critico, elaboro também as minhas sugestões. De tanto falar que as audiências públicas para o Plano de Mobilidade Urbana precisavam ser feitas, o Prefeito acabou fazendo. Recentemente, tornei público um esquema de redução de plantões nas maternidades estaduais e denunciei ao Ministério Público, o Governador voltou atrás, ou seja, isso que estou fazendo é uma crítica que dá resultados. É preciso que se entenda que quando elegemos alguém, não damos “carta branca” para que ele faça o que bem entende. A gente precisa “ficar de olho”.

Digo com muita convicção de que tanto Melo quanto Artur não estão fazendo uma boa administração e te explico por quê. No caso do Melo, fez “farra” ano passado com o dinheiro público para se reeleger. Hoje está sofrendo as consequências da falta de planejamento. Minha sugestão para o governo dele é que tenha transparência. É um governo construído à base da falácia: ora manda cortar plantões, ora diz que não está sendo compreendido, ora diz que não tem dinheiro, ora faz aditivos nas obras públicas que estão paradas. Não sabemos em quê acreditar. Já no caso do Artur, a minha sugestão é que o Prefeito priorize a população. Enquanto na gestão do Melo falta transparência, na do Artur sobra propaganda. As ruas estão esburacadas, mas na mídia só o que se vê é o Prefeito com um colete azul asfaltando a rua. Não dá pra “engolir” isso. Não paga o aluguel dos prédios locados pro Município, reduz a merenda escolar, pinta umas faixas no chão e chama de BRS, pinta umas calçadas e diz que é ciclovia. Ora, faça-me o favor! O Prefeito gasta o dinheiro público numa propaganda enganosa e quer ser aplaudido. Não dá pra ficar calado.

 

Blog da Floresta: A gente ouve muito que político “é tudo farinha do mesmo saco”, o Senhor acredita que tem jeito a política no Brasil?

Chico Preto: Sou um apaixonado por política. Entendo política como vocação. Pode até parecer “marmelada”, mas seria político mesmo que não recebesse um centavo pra isso porque a política me realiza. É a possibilidade que você tem de fazer o bem a todas as pessoas da sua cidade, do seu Estado, do seu País. Veja que privilégio. Li um livro chamado “Política pra não ser idiota” em que se esclarece que na Grécia, berço da democracia, o indivíduo era considerado idiota quando não se interessava por política. Hoje a coisa se inverteu. De tanta corrupção a população está sem esperança, não acredita mais e acha que todo político é igual. Não vejo dessa forma. Costumo dizer que podemos encontrar em nosso caminho pessoas que desempenham a mesma função com muita competência e outros que só querem ganhar o dinheiro. Na política, também é assim. Acredito no meu País, na minha cidade e no meu Estado. Penso que é possível sim existirem políticos que não sejam corruptos. Vejo a Lei da Ficha Limpa como um avanço para diminuir o número de corruptos no poder, mas para que ela cumpra o seu papel, a população precisa cooperar. Ainda votamos muito pelos benefícios imediatos. Temos que nos interessar por política, temos que investigar a vida do político e só votar em pessoas que não tenham processos por corrupção.

 

Blog da Floresta: O Senhor se diz cristão e defensor da família. Atualmente a Justiça vem decidindo de forma favorável pela adoção de crianças por casais homoafetivos. O que o Senhor pensa disso?

Chico Preto: Sou casado há 18 anos e tenho dois filhos que são o meu maior tesouro. Vejo a família como um lugar de amor, de refúgio, de acolhimento. Tantas crianças sem lares e que precisam exatamente disso. Entendo que a preocupação deva ser com as crianças, elas não podem sofrer discriminação. Concordem ou discordem da Justiça, temos que garantir a elas o direito à saúde, à educação, ao lazer. Caráter e valores não dependem de orientação sexual. Existem outros fatores que devem ser observados pela sociedade e defendidos pelos políticos. Penso que ser cristão é praticar a tolerância, é respeitar o ser humano, é conviver com as diferenças. Esses são os valores que tento passar para os meus filhos. O mundo seria melhor se aprendêssemos a valorizar mais o ser humano e menos as ideologias.

 

Blog da Floresta: O Senhor tocou em um ponto interessante: a discriminação. Nos “corredores” da Assembleia Legislativa, o Senhor ficou conhecido como um defensor das pessoas com deficiência. Ainda há muita discriminação?

Chico Preto: Infelizmente, sim. Mas há muitos avanços. Fui responsável, enquanto deputado, pelo projeto que consolidou todas as leis estaduais relacionadas às pessoas com deficiência em uma só, o que facilitou muito o acesso. Também fui o autor da lei que criou a Frente Parlamentar de Defesa da Pessoa com Deficiência na Aleam, também propus um projeto de lei que reduz a jornada de trabalho dos servidores públicos que cuidam de pessoas com deficiência e um outro que obriga os gabinetes dos deputados a contratarem pessoas com deficiência. São muitos avanços. É uma causa que abracei e que me dá muita satisfação. Espero voltar a um cargo público e continuar essa luta pelas minorias que precisam de nossa atenção e cuidado.

 

Blog da Floresta: Recentemente, o Senhor publicou um artigo em um jornal da cidade dizendo que simpatiza com a ideia da redução da maioridade penal. Já foi contra?

Chico Preto: Houve um tempo em que eu era terminantemente contra. Ainda bem que o ser humano muda de ideia. E mudei em alguns pontos. Continuo defendendo a tese de que a redução não resolve o problema da violência, educação resolve; mas entendo que nos casos de crimes hediondos, o autor do crime precisa pagar pelo que fez. Agora mesmo, em maio deste ano, tivemos um estupro coletivo no Piauí que resultou na morte de uma menina. Os menores vão passar apenas três anos em uma instituição socioeducativa. Eles amarraram, estupraram, agrediram, jogaram as meninas em um desfiladeiro, mataram e vai ficar por isso mesmo. Nesses casos, penso que tem que haver uma pena mais dura, como também o sistema penitenciário no Brasil precisa ser revisto. Hoje os presídios fomentam a bandidagem. Não dá pra continuar assim. Não é só diminuir a maioridade penal, outras questões precisam ser revistas, caso contrário, vai ficar a mesma coisa, só que agora com presídios mais lotados por conta dos menores. A meu ver, a saída se chama educação. Enquanto a educação for apenas “slogan” de governo para ganhar eleição, a violência só tende a aumentar.

 

Blog da Floresta: A pergunta que não quer calar: o Senhor será candidato a Prefeito?

Chico Preto: Desde 2013, estou no PMN, um partido que tem recebido homens e mulheres com o compromisso de buscar novos caminhos para o Amazonas. Temos divergências, mas um único norte: fazer do Amazonas um lugar melhor para se viver. Vontade não me falta, coragem também não. Mas é preciso que haja um consenso para isso. Na política, precisamos de parcerias e temos que estar de mãos dadas. Não dá pra querer sozinho. No momento ainda não tenho como te dar essa resposta com precisão. Mas uma coisa é certa: minha prioridade é o bem-estar da população, se não for como prefeito, posso fazer muito como vereador. Quando chegar a hora, o povo do Amazonas vai ser o primeiro a saber da minha decisão que será em concordância com a do meu partido.

Blog da Floresta: Ano passado o Senhor concorreu a um cargo do Executivo e perdeu a eleição. O Senhor se arrepende?

Chico Preto: Em nenhum momento me arrependi ou me arrependo de ter concorrido ao cargo de governador. Sabia desde o início que não seria fácil, mas se formos recuar todas as vezes que a situação for difícil, não iremos a lugar nenhum. Vamos nos estagnar. Poderia ter me acomodado e continuado no Legislativo, mas aprendi muito com a minha candidatura. Quem ganha a eleição, administra; quem perde, fiscaliza o dinheiro público. Estou fazendo isso com muita honestidade, coragem e determinação.

 

Blog da Floresta: O que o Senhor aprendeu com a derrota?

Chico Preto: Primeiro a não desistir. Lutei por algo e não consegui, fiz aquilo que estava ao meu alcance para ganhar. Perdi a batalha. Isso não significa que desisti da luta. Gosto muito de uma frase de um poema de Fernando Pessoa que diz “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Às vezes, precisamos nos lançar no desconhecido para experimentar não só viver, mas também descobrir novos caminhos, novas verdades, desconstruir os nossos conceitos, ter mais fé. É quando estamos “na tempestade” que aprendemos a confiar mais em Deus e a depender dele.

 

Blog da Floresta: O Senhor mencionou que fiscaliza o dinheiro público, então podemos dizer que hoje o Senhor é oposição?

Chico Preto: Herdamos da Ditadura Militar essa bipolarização na política: ou é situação ou é oposição. Se fiscalizar o dinheiro público, se abordar os problemas da sociedade, se cobrar ações concretas para resolver as dificuldades do povo é ser oposição, então eu me enquadro nesse “estereótipo”. Mas, veja, entendo que um político deva ser mais que isso. Explico: às vezes, o governo manda um projeto para ser votado que é bom para a população, aí a oposição vota contra, só porque é oposição. Pergunto: isso é certo? A meu ver, não. Faço oposição às falcatruas, às arbitrariedades dos governantes, aos desmandos que estão ocorrendo em nossa cidade, em nosso Estado, em nosso País.

 

Blog da Floresta: Mas o Senhor durante muito tempo foi “situação”. Nessa época, os governantes faziam tudo certo?

Chico Preto: Claro que não. Sempre tive essa postura crítica. Dentro do meu grupo político, não aceitava qualquer desmando. Isso é tão real e verdadeiro que chegou um momento em que tive que me retirar para não ser incoerente. Vou dar um exemplo bem prático: você é jornalista e mandam você “maquiar” uma reportagem para a publicação. Você irá fazer? Acredito que sim ou vai perder o emprego, porque tem “milhões” que querem a tua vaga e fazem qualquer coisa por isso. Você pode escolher não fazer e começar tudo de novo, indo atrás de um emprego, mostrando a tua competência. Em alguns grupos políticos também é assim: ou você se retira ou tem que “fingir” que está tudo bem. Escolhi me retirar e começar tudo de novo. Não tenho medo de recomeços.

 

Blog da Floresta: Mas ainda assim o ligam muito à figura do Ministro Eduardo Braga. Isso o incomoda?

Chico Preto: Nenhum pouco. O político Eduardo Braga foi uma figura muito importante na minha trajetória. Quando comecei, compartilhávamos dos mesmos ideais. Mas os homens mudam. Ele mudou e eu também. Ou eu o persuadia com as minhas ideias ou ele me convencia com as suas porque não eram mais as mesmas. Não aconteceu nenhuma coisa, nem outra. Então tivemos que trilhar caminhos diferentes. Mas o respeito como respeito qualquer cidadão. Talvez as pessoas não compreendam isso e repetem muito essa “ladainha” de que sou “parceiro” do Eduardo Braga. Não temos nenhuma ligação política atualmente, mas não é por isso que vou atacá-lo ou ofendê-lo de forma gratuita. Agora quando acho que a coisa não está bem, critico. Postei semana passada um artigo no meu “facebook” em que faço duras críticas à questão da tarifa muito alta da conta de luz. Meu compromisso é com a população. Não tenho medo de expor as minhas opiniões, mesmo que elas não agradem a alguns políticos e seus aliados.

 

Blog da Floresta: Por falar em facebook, nas suas postagens, o Senhor critica bastante o Melo e o Artur. Por que o Senhor acha que eles não estão fazendo uma boa administração?

Chico Preto: Antes de mais nada, é preciso que se esclareça que sou um homem crítico. A meu ver, pensar de forma crítica não significa pensar de forma negativa, ao contrário é pensar de forma cuidadosa, consistente e exata. O grande problema de não se gostar dos críticos é que se tem medo de que as “verdades” sejam desmanteladas e virem ilusões. Quando critico, elaboro também as minhas sugestões. De tanto falar que as audiências públicas para o Plano de Mobilidade Urbana precisavam ser feitas, o Prefeito acabou fazendo. Recentemente, tornei público um esquema de redução de plantões nas maternidades estaduais e denunciei ao Ministério Público, o Governador voltou atrás, ou seja, isso que estou fazendo é uma crítica que dá resultados. É preciso que se entenda que quando elegemos alguém, não damos “carta branca” para que ele faça o que bem entende. A gente precisa “ficar de olho”.

Digo com muita convicção de que tanto Melo quanto Artur não estão fazendo uma boa administração e te explico por quê. No caso do Melo, fez “farra” ano passado com o dinheiro público para se reeleger. Hoje está sofrendo as consequências da falta de planejamento. Minha sugestão para o governo dele é que tenha transparência. É um governo construído à base da falácia: ora manda cortar plantões, ora diz que não está sendo compreendido, ora diz que não tem dinheiro, ora faz aditivos nas obras públicas que estão paradas. Não sabemos em quê acreditar. Já no caso do Artur, a minha sugestão é que o Prefeito priorize a população. Enquanto na gestão do Melo falta transparência, na do Artur sobra propaganda. As ruas estão esburacadas, mas na mídia só o que se vê é o Prefeito com um colete azul asfaltando a rua. Não dá pra “engolir” isso. Não paga o aluguel dos prédios locados pro Município, reduz a merenda escolar, pinta umas faixas no chão e chama de BRS, pinta umas calçadas e diz que é ciclovia. Ora, faça-me o favor! O Prefeito gasta o dinheiro público numa propaganda enganosa e quer ser aplaudido. Não dá pra ficar calado.

 

Blog da Floresta: A gente ouve muito que político “é tudo farinha do mesmo saco”, o Senhor acredita que tem jeito a política no Brasil?

Chico Preto: Sou um apaixonado por política. Entendo política como vocação. Pode até parecer “marmelada”, mas seria político mesmo que não recebesse um centavo pra isso porque a política me realiza. É a possibilidade que você tem de fazer o bem a todas as pessoas da sua cidade, do seu Estado, do seu País. Veja que privilégio. Li um livro chamado “Política pra não ser idiota” em que se esclarece que na Grécia, berço da democracia, o indivíduo era considerado idiota quando não se interessava por política. Hoje a coisa se inverteu. De tanta corrupção a população está sem esperança, não acredita mais e acha que todo político é igual. Não vejo dessa forma. Costumo dizer que podemos encontrar em nosso caminho pessoas que desempenham a mesma função com muita competência e outros que só querem ganhar o dinheiro. Na política, também é assim. Acredito no meu País, na minha cidade e no meu Estado. Penso que é possível sim existirem políticos que não sejam corruptos. Vejo a Lei da Ficha Limpa como um avanço para diminuir o número de corruptos no poder, mas para que ela cumpra o seu papel, a população precisa cooperar. Ainda votamos muito pelos benefícios imediatos. Temos que nos interessar por política, temos que investigar a vida do político e só votar em pessoas que não tenham processos por corrupção.

 

Blog da Floresta: O Senhor se diz cristão e defensor da família. Atualmente a Justiça vem decidindo de forma favorável pela adoção de crianças por casais homoafetivos. O que o Senhor pensa disso?

Chico Preto: Sou casado há 18 anos e tenho dois filhos que são o meu maior tesouro. Vejo a família como um lugar de amor, de refúgio, de acolhimento. Tantas crianças sem lares e que precisam exatamente disso. Entendo que a preocupação deva ser com as crianças, elas não podem sofrer discriminação. Concordem ou discordem da Justiça, temos que garantir a elas o direito à saúde, à educação, ao lazer. Caráter e valores não dependem de orientação sexual. Existem outros fatores que devem ser observados pela sociedade e defendidos pelos políticos. Penso que ser cristão é praticar a tolerância, é respeitar o ser humano, é conviver com as diferenças. Esses são os valores que tento passar para os meus filhos. O mundo seria melhor se aprendêssemos a valorizar mais o ser humano e menos as ideologias.

 

Blog da Floresta: O Senhor tocou em um ponto interessante: a discriminação. Nos “corredores” da Assembleia Legislativa, o Senhor ficou conhecido como um defensor das pessoas com deficiência. Ainda há muita discriminação?

Chico Preto: Infelizmente, sim. Mas há muitos avanços. Fui responsável, enquanto deputado, pelo projeto que consolidou todas as leis estaduais relacionadas às pessoas com deficiência em uma só, o que facilitou muito o acesso. Também fui o autor da lei que criou a Frente Parlamentar de Defesa da Pessoa com Deficiência na Aleam, também propus um projeto de lei que reduz a jornada de trabalho dos servidores públicos que cuidam de pessoas com deficiência e um outro que obriga os gabinetes dos deputados a contratarem pessoas com deficiência. São muitos avanços. É uma causa que abracei e que me dá muita satisfação. Espero voltar a um cargo público e continuar essa luta pelas minorias que precisam de nossa atenção e cuidado.

 

 

Blog da Floresta: Recentemente, o Senhor publicou um artigo em um jornal da cidade dizendo que simpatiza com a ideia da redução da maioridade penal. Já foi contra?

Chico Preto: Houve um tempo em que eu era terminantemente contra. Ainda bem que o ser humano muda de ideia. E mudei em alguns pontos. Continuo defendendo a tese de que a redução não resolve o problema da violência, educação resolve; mas entendo que nos casos de crimes hediondos, o autor do crime precisa pagar pelo que fez. Agora mesmo, em maio deste ano, tivemos um estupro coletivo no Piauí que resultou na morte de uma menina. Os menores vão passar apenas três anos em uma instituição socioeducativa. Eles amarraram, estupraram, agrediram, jogaram as meninas em um desfiladeiro, mataram e vai ficar por isso mesmo. Nesses casos, penso que tem que haver uma pena mais dura, como também o sistema penitenciário no Brasil precisa ser revisto. Hoje os presídios fomentam a bandidagem. Não dá pra continuar assim. Não é só diminuir a maioridade penal, outras questões precisam ser revistas, caso contrário, vai ficar a mesma coisa, só que agora com presídios mais lotados por conta dos menores. A meu ver, a saída se chama educação. Enquanto a educação for apenas “slogan” de governo para ganhar eleição, a violência só tende a aumentar.

 

Blog da Floresta: A pergunta que não quer calar: o Senhor será candidato a Prefeito?

Chico Preto: Desde 2013, estou no PMN, um partido que tem recebido homens e mulheres com o compromisso de buscar novos caminhos para o Amazonas. Temos divergências, mas um único norte: fazer do Amazonas um lugar melhor para se viver. Vontade não me falta, coragem também não. Mas é preciso que haja um consenso para isso. Na política, precisamos de parcerias e temos que estar de mãos dadas. Não dá pra querer sozinho. No momento ainda não tenho como te dar essa resposta com precisão. Mas uma coisa é certa: minha prioridade é o bem-estar da população, se não for como prefeito, posso fazer muito como vereador. Quando chegar a hora, o povo do Amazonas vai ser o primeiro a saber da minha decisão que será em concordância com a do meu partido.

Mario Dantas