Chico Preto: Se queremos mudança, precisamos votar na mudança

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Blog da Floresta: Em julho deste ano, fizemos uma entrevista com o Senhor que declarou não saber se iria ser candidato a prefeito. Recentemente, o Senhor publicou um texto no Facebook dizendo que é pré-candidato a prefeito. O que o levou a tomar essa decisão?

Chico Preto: Quando concedi a entrevista, deixei muito claro que vontade não me faltava, mas precisava do aval do partido. Embora seja o Presidente Estadual do PMN, prevalece a democracia entre os nossos filiados. Esperei que a Executiva Municipal dialogasse com todos os membros e tomasse a decisão, que eu acolhi. A partir do momento que isso aconteceu, comuniquei imediatamente a todos os meus seguidores.

Blog da Floresta: O Senhor repete a mesma trajetória do ano passado: tinha uma reeleição para deputado quase certa e decidiu se candidatar a governador; dessa vez, por toda a sua trajetória política e sua atuação este ano, um mandato de vereador seria muito fácil. Ainda assim, o Senhor escolhe se candidatar a prefeito. O seu foco agora é o Executivo?

Chico Preto: O meu foco é melhorar a vida de nossa população. Sou muito consciente de que seria mais fácil ganhar para vereador. Mas, entendo que já dei a minha contribuição no Legislativo. O parlamentar fiscaliza, propõe leis, mas é o governante que administra e que toma as decisões que mais influenciam na vida da nossa gente. E estamos carentes de governantes que priorizem a população. Não posso negar que fiquei receoso. Uma campanha para o Executivo é mais desgastante do que para o Legislativo, mas não quero só um cargo público. Um mandato pra mim não é um “ganha-pão”, é um compromisso que eu assumo com o povo que me honra com o voto e em troca eu ofereço o meu trabalho eficiente, transparente, coerente e honrado. Além disso, é a possibilidade que a população tem de votar em um político ficha limpa, independente e que fará uma gestão para o povo.

Blog da Floresta: Mas uma campanha requer recursos financeiros, o Senhor dispõe desses recursos? Como o Senhor sobrevive hoje?

Chico Preto: Você sabe que essa sua pergunta muita gente tem feito pra mim: “Você tem dinheiro pra ganhar eleição?”. Entendo isso como um paradigma que precisa ser quebrado em nossa sociedade. Herdamos do Período Colonial e Imperial essa concepção errada de que um candidato precisa de muito dinheiro pra ganhar eleição. Precisamos de propostas que priorizem a população e de um candidato ficha limpa pra votar. Sou terminantemente contra a “troca de favores”. A população deve votar porque aquele candidato vai fazer o melhor e não porque ele “deu” algo em troca do voto. A título de esclarecimento, não disponho de vultosas quantias para gastar em campanha. Sou advogado, empresário, trabalho de segunda a sábado para garantir o sustento da minha família. Mas o fato de eu não ter “milhões” não vai me impedir de concorrer às eleições. Não tenho dinheiro para oferecer ao eleitor, mas tenho vontade política, responsabilidade com o dinheiro público, transparência, coerência e um compromisso de fazer uma gestão voltada para o bem-estar da população. Eu quero poder sair às ruas e encontrar um cidadão que diga: “Fui a uma UBS e fui atendido”. “Meu filho estuda em uma escola pública municipal de qualidade”. “O ônibus que eu pego todos os dias é confortável e chega rápido ao meu trabalho”. É isso que eu quero oferecer: serviços públicos de excelência.

Blog da Floresta: O Senhor acha que o Prefeito não está fazendo uma boa gestão?

Chico Preto: Venho acompanhando o “modus operandi” da Prefeitura e a prioridade não é a população. Há uma preocupação excessiva com a propaganda e com alguns espaços de Manaus que “saem bonitos na foto”, mas os bairros periféricos estão abandonados. O Plano de Mobilidade Urbana saiu do papel, mas sem dizer de onde iriam sair os recursos para colocá-lo em prática. Repare a contradição: o Plano diz que ruas precisam ser alargadas, desapropriações precisam ser feitas, o BRT e 9 terminais deverão ser construídos, mas não fala com que recursos. O PMN fez uma sugestão de emenda ao PlanMob destinando um percentual mínimo do orçamento do Município para ser investido em mobilidade. Deu certo, o relator acatou a sugestão e os parlamentares aprovaram. Agora, independente de quem seja o prefeito, vai ter que investir no trânsito de Manaus. Isso é um ganho sem precedentes. Não é uma vitória do PMN, nem minha, é uma vitória da população.

Blog da Floresta: Qual a sua proposta para a mobilidade urbana?

Chico Preto: De imediato, faria as adaptações necessárias em relação à faixa azul. Segundo o presidente da SMTU, cada quilômetro dessa faixa custa aos cofres públicos 20 mil reais. Esse dado foi divulgado em março deste ano em uma reportagem do Diário do Amazonas. Além disso, as paradas foram reformadas “a peso de ouro”, não dá para ignorar. Penso que o óbvio precisa ser feito: colocar mais ônibus para trafegar pela faixa e liberá-la em horários sem fluxo, precisamos também de semáforos “inteligentes” e utilizar melhor as vias alternativas. Tem muita rua em Manaus que não é usada. No Manôa, por exemplo, a via principal é sobrecarregada e a paralela não é usada. E ambas desembocam no mesmo lugar. Mas essas medidas são a curto prazo, a médio e a longo prazo, medidas austeras precisam ser tomadas. O Plano de mobilidade traz ideias boas, mas precisamos de vontade política e gestão eficiente para tirá-las do papel.

Blog da Floresta: O Prefeito já declarou que vai concorrer à reeleição, o Senhor acredita que ele irá convencer o eleitor de que não fez as obras necessárias na cidade por culpa do Governo Federal?

Chico Preto: Que vivemos uma crise, todo mundo sabe, mas o gestor público é eleito para nos representar e tentar reverter a situação. O problema é que prevaleceu a “mesquinharia política”: PT e PSDB são partidos antagônicos e não houve nenhuma iniciativa no sentido de mudar isso por parte do Prefeito. Mas não vejo tudo como culpa do Governo Federal. Faltou eficiência e transparência na gestão pública municipal. Quando Artur assumiu o cargo, as creches estavam licitadas e o dinheiro na conta, não foram feitas porque, segundo o PNDE, houve indícios de irregularidade que não foram resolvidos. Ora, um gestor público eficiente, detectou o problema, vai atrás de corrigir. Também não sabemos em que foi empregado o orçamento de 1 bilhão de reais destinado à educação. Não dava para construir pelos menos uma escola? Não sabemos, porque não há transparência nas contas da Prefeitura. Somos a 4° pior cidade nesse quesito. Artur só perde para o Melo que teve o segundo pior desempenho no quesito transparência.

Blog da Floresta: A gestão do Melo é pior?

Chico Preto: Sem dúvida. É o pior governador de todos os tempos. Economizou 1 bilhão de reais este ano e não investiu em nada. O salário dos servidores da saúde está atrasado há três meses, os hospitais estão sem equipamentos ou, quando tem, não funciona por falta de manutenção. O atendimento nos Caic’s e Policlínicas foi reduzido. Na educação, as escolas estão “caindo aos pedaços”. O Amazonas tem a escola com o pior índice de desempenho no Ideb do Brasil; ele fechou os espaços destinados ao Projeto Cidadão. Em suma, não consigo citar um ponto positivo deste Governo.

Blog da Floresta: Mas o senhor andou conversando com o Artur, pensaram em uma parceria? Houve cooptação?

Chico Preto: Não, não houve. Não conversamos sobre eleição. Já disse aqui que pratico a boa política e essa prática envolve o diálogo. Ele se propôs a conversar comigo sobre os desafios da nossa cidade e eu aceitei. Entendo que um político deve priorizar o coletivo. Recebo muitas reclamações nas redes sociais da população acerca da gestão de Artur e Melo. Tive a oportunidade de falar abertamente com Artur sobre mobilidade urbana. Foi só isso!

Blog da Floresta: O Senhor pretende fazer aliança com algum partido?

Chico Preto: Pretendo. Existem vários partidos que compartilham da mesma filosofia do PMN, como o PSOL, PSB , a Rede. Estamos dialogando, construindo um caminho sem troca de favores, sem conchavos. Daí por que é mais demorado. Não quero chegar ao poder a qualquer preço. Não irei me “vender” pra cacique nenhum por troca de minutos na TV. Sou um político coerente e transparente. Um ano depois da eleição passada em que fui difamado na internet, injustamente, a verdade veio à tona: mantenho-me íntegro, focado na boa política, não me aliei aos velhos “mandachuvas” locais.

Blog da Floresta: Qual o seu diferencial em relação aos outros pré-candidatos?

Chico Preto: Sou coerente! Um político que, na teoria, diz uma coisa e, na prática, faz outra não pode ser confiável. A coerência tem um preço e, por isso, a minha caminhada não é muito fácil. Mas quero ter como único devedor a população. Diferente dos outros candidatos, faço política de forma independente para não ter que devolver os favores quando estiver no poder. Quero fazer uma gestão que priorize a população de forma transparente e com eficiência. Para tanto, a população também precisa ser coerente. Se queremos mudança, precisamos votar na mudança. Votar nos mesmos candidatos que repetem a mesma história não vai mudar nada.

Blog da Floresta: Estamos em uma época de celebrar a paz e o amor. Que mensagem o Senhor gostaria de deixar para a população?

Chico Preto: Estamos em uma época de lembrar que Jesus nasceu para nos trazer esperança de salvação. O mundo, antes de Cristo, vivia subjugado por leis que limitavam o ser humano porque os reduzia a rituais e a paradigmas. Se fizessem uma oferenda X seriam salvos. Era uma troca. Jesus nasceu para nos mostrar que não precisamos de “troca de favores”. Precisamos de coerência nas nossas atitudes. O Messias podia ter cedido aos “mandachuvas” da época chamados de fariseus que tinham um arcabouço teórico muito bom, mas na prática eram injustos, mesquinhos, queriam apenas o poder. Nada mais incoerente! Jesus, na sua coerência, nos ensinou de forma muito simples que para ser salvos precisamos apenas “amar a Deus e ao próximo”. Uma pessoa que ama a Deus e ao próximo não desvia dinheiro público, é transparente, não mente, não compactua com o errado. Ao detectar o errado, ela sai do meio e continua a sua caminhada. Que neste Natal possamos entender que Jesus nasceu para que a luz da verdade e do amor brilhe em nossos corações. Então que sejamos iluminados pela paz de Cristo que excede todo entendimento e pelo seu amor incondicional que nos alcança todos os dias. E que façamos em 2016 a mudança que Manaus precisa. Para isso precisamos nos encher de esperança e construir um novo caminho para a nossa cidade, mas isso só é possível se a população quiser mudar. Boas Festas! Feliz 2016!

 

 

Mario Dantas