Chagas denuncia condições precárias de trabalho em mineradora de Presidente Figueiredo

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Dep. Dermilson Chagas

Dep. Dermilson Chagas

Morte, risco de dano ambiental e demissões suspeitas de irregularidades. Os problemas envolvendo a Mineração Taboca e os trabalhadores da Vila do Pintinga, no Município de Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus), foram denunciados hoje na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) pelo deputado estadual Dermilson Chagas (PDT). Segundo o parlamentar, os trabalhadores estão expostos a mais acidentes como o que causou a morte do operário Siegfried Lustosa da Silva no dia 19 de agosto após a caçamba que ele dirigia perder o controle e cair dentro de uma represa. Além disso, um rompimento na estrutura da represa da vila ameaça a fauna local.

Chagas, que é vice-presidente da Comissão de Assistência Social e Trabalho da ALE-AM, afirmou que fará uma visita à empresa e à vila para avaliar as reais condições de trabalho e riscos aos funcionários. O parlamentar solicitou que a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional e Sustentável também acompanhe a inspeção.

“A empresa gera a sua própria energia, mas parte dessa barragem rompeu e isso é um risco para quem trabalha lá. Caso essa barragem rompa de vez, como fica a situação desses trabalhadores? E os danos ao meio ambiente? Precisamos tomar providências e por isso estou propondo, via Comissão do Trabalho e com apoio da Comissão de Meio Ambiente, uma visita ao local. São dois mil trabalhadores. Se demitir e diminuir o trabalho, certamente a arrecadação do município também cai”, disse Dermilson.

mineracaotaboca-colagemAcidente de trabalho – O acidente que provocou a morte de Siegfried Lustosa ocorreu à noite enquanto ele trabalhava transportando pedras para conter o vazamento da barragem e consertar o problema na represa, segundo os trabalhadores demitidos Jocivaldo de Jesus, 35, e José Mário Mendes Oliveira, 48.  “Antes da morte de Siegfried outros três acidentes ocorreram. A rampa onde ele subia com um pesado carregamento de material para fechar o buraco da represa é muito inclinada e o carro derrapou. Os outros, como era dia, tiveram calma e desceram a rampa. Ele deve ter se desesperado e caiu na água”, afirmou Jocivaldo.

De acordo com José Mário Oliveira, que trabalhava há cerca de 20 anos em Pitinga, a solução está sendo demitir os funcionários. “Terceirizados foram demitidos e os ligados à empresa também. Eu, em 20 anos de empresa com salário de R$ 2.100, recebi só R$ 17 mil de recisão”, declarou.

Jocivaldo afirmou que os trabalhadores devem pedir na Justiça 12 itens retroativos que são direito do trabalhador e nunca foram pagos. “Risco de periculosidade é um deles”, declarou. Ele também relata os riscos de danos ambientais: “O vazamento que registramos num vídeo é o menor. Há outro maior por baixo. E isso traz um sério risco da represa romper de vez e inundar a mata perto, o que provocaria morte de muitos animais”, afirmou o operário.

O operador de máquinas pesadas José Mário afirma que mais mortes podem ocorrer caso nenhuma providência seja tomada. “A empresa quer saber de produzir e não atende aos itens de segurança. Internamente, há a informação de que a caçamba que estava com o Siegfried tinha problemas”.

mineracaotaboca-02BO – Em Boletim de Ocorrência, outro funcionário, Márcio Roberto Mendes, afirmou em depoimento à Policia Civil que ouviu o colega dizer “em tom de desespero que havia perdido o freio” do caminhão.

Sobre a mineradora  – Fundada em 1969, a Mineração Taboca começou a atuar em Pitinga nos anos de 1980. Em Pitinga, é feita extração e o beneficiamento dos minérios de cassiterita e columbita, matérias-primas do estanho, metal resistente à corrosão e usado largamente na indústria. De acordo com o site da própria empresa, a Mineração Taboca realiza a fundição do concentrado de cassiterita em sua filial, no interior do Estado de São Paulo, para onde é enviada toda a produção de concentrado de cassiterita obtida no Complexo de Pitinga.

Roberto Brasil