CATADORA DE LIXO

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Jefferson-Praia-banner-500x167_lateralEm 17/02/09, destaquei, no Senado Federal, um grande exemplo a ser seguido por todos os brasileiros.

Quero apenas destacar um fato que ocorreu recentemente e que é de grande relevância para o nosso País, pela demonstração dada de comportamento que o ser humano deve ter.

Saiu, recentemente, na imprensa – e estou aqui com uma cópia de O Globo Online – a seguinte notícia: “Catadora encontra cerca de R$40 mil no lixo e devolve ao dono”.

Uma mulher de 55 anos, catadora de materiais recicláveis, encontrou nesta quarta-feira (11), pacotes no lixo com cerca de R$ 40 mil dentro. A quantia foi encontrada no lixo de um supermercado de Penápolis, a 479Km de São Paulo. Ela devolveu o dinheiro ao dono do estabelecimento comercial, que calculou a quantia de dinheiro que havia nas sacolas. A mulher recebeu R$200 como recompensa, diz a nota.

Lourença Palma da Cunha [que nem sabe que estamos aqui nos reportando a ela, Senador Paulo Paim], que trabalha há vários anos como catadora [veja bem!], encontrou no lixo sacolas que ela pensou conter material reciclável. Quando chegou em casa para separar o material, se espantou ao ver tantas notas de R$50, além de vários cheques pré-datados e até dólares. Lourença disse que achou que o dinheiro fosse de mentira [vejam a simplicidade, a falta de percepção!]. Mas, quando descobriu que o dinheiro era real, se lembrou de onde havia retirado as sacolas, voltou para o supermercado e devolveu toda a quantia.

Segundo o dono do supermercado, uma funcionária fez a limpeza e acabou jogando as sacolas de dinheiro no lixo.

A mulher sustenta a família com a coleta de materiais recicláveis. Ela ganha cerca de R$200 por mês. A catadora mora em uma casa de cinco cômodos com o marido, dois filhos e quatro netos. Há cinco anos, Lourença é voluntária no Fundo Social de Solidariedade de Penápolis. A mulher deixou parte da recompensa que recebeu no próprio supermercado [veja bem, recebeu R$200,00 e deixou a metade no próprio supermercado]. Ela comprou refrigerantes e, com o restante do dinheiro, disse que pagaria uma prestação.

Portanto, Sr. Presidente, estou fazendo um requerimento de votos de louvor à Srª Lourença da Cunha, diante de comportamento que a grande maioria do povo brasileiro certamente teria. Fico feliz em ver comportamentos dessa natureza sendo realizados.

O gesto de Dª Lourença, por mais singelo que pareça, reveste-se de forte simbolismo em face de vir de pessoa tão simples e necessitada e de grande exemplo para o resto do Brasil. E deveria, é claro, Sr. Presidente, ser seguido por qualquer pessoa, especialmente por aquelas cujas necessidades morais minguadas são inversamente proporcionais ao tamanho da precisão da grande maioria dos brasileiros.

Portanto, solicito aos ilustres Pares apoio a esse requerimento, na certeza de que compartilham a convicção de que a força moral do exemplo pode impulsionar mudanças promissoras na consciência social.

Então, eu gostaria, mais uma vez, de ressaltar o comportamento dessa senhora, dessa catadora, chamada Lourença da Cunha, de Penápolis, São Paulo.

Era o que eu tinha a dizer, Sr. Presidente.

Muito obrigado.

Roberto Brasil