Casos de tuberculose são registrados em crianças indígenas venezuelanas, em Manaus

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Funcionários do Centro Estadual de Referência em Direitos Humanos Adamor Guedes tiveram dificuldades para convencer um indígena venezuelano da etnia Warao a deixar seu filho, um menino de 4 anos, em uma clínica para se tratar contra tuberculose. O caso ocorreu nesta terça-feira (09), na Policlínica da Codajás, no bairro Cachoeirinha, na Zona Sul de Manaus.

Segundo o coordenador do Adamor Guedes, Cristiano Chixaro, eles receberam a informação de que a criança teria sido encontrada desmaiada em algum lugar da cidade e encaminhada ao pronto atendimento. O pai, por sua vez, quis retirar o menor do local, mas depois foi convencido que o tratamento seria o melhor para a criança.

“Está havendo muita recusa por parte deles. Os Warao têm uma cultura que acredita que existem outros meios para a cura (de doenças). Eles estão chegando a outro país e não têm confiança em ninguém, por isso acabam ficando apreensivos. Explicamos ao pai sobre a importância do tratamento para que a saúde da criança seja garantida”, disse Guedes, que encaminhou um funcionário da instituição fluente em espanhol para conversar com o indígena.

Também foi registrado hoje outro caso de tuberculose em uma criança Warao, mas dessa vez em um bebê recém-nascido, que foi encaminhado à Policlínica da Codajás. A mãe fugiu do local, mas com a articulação de funcionários da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) ela acabou retornando.

O coordenador do Adamor Guedes, centro que é vinculado à Sejusc, informou que esses não são os primeiros casos de indígenas venezuelanos com a doença, mas, apesar dos registros, não há o conhecimento por parte dos órgãos de nenhuma enfermidade mais grave que esteja afetando os indígenas.

Ainda de acordo com ele, ações de conscientização já estão sendo feitas pela Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) e Sejusc na Rodoviária de Manaus, na Zona Centro-Sul, e na rua Quentino Bocaiúva, no Centro, onde residem boa parte dos indígenas e não-índios venezuelanos. Profissionais da área da saúde também estão indo aos locais a cada duas semanas para realizar atendimentos.  “O principal é fazer com que essas pessoas tenham seus direitos preservados”, finalizou Guedes.

(DO PORTAL A CRÍTICA)

Roberto Brasil