Caso Geddel mergulha governo na crise

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Nuvens negras se anunciam para o governo em semana considerada crucial para Temer

Nuvens negras se anunciam para o governo em semana considerada crucial para Temer

Nesta semana as atenções do Senado estarão todas voltadas para a análise, em primeiro turno, da proposta de emenda à Constituição (PEC 55/2016) que limita os gastos da União nos próximos 20 anos, pautada na ordem do dia desta terça-feira (29). Até então, a numerosa base aliada do governo Temer conseguiu manter a tramitação da matéria, já aprovada em dois turnos na Câmara, de maneira satisfatória. Mas, após denúncias feitas nos últimos dias pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, que culminaram na demissão de Geddel Vieira Lima da Secretaria de Governo, o texto entra pela primeira vez na pauta de plenário em um cenário desfavorável para o Planalto.

Agora, parlamentares da oposição que já criticavam as propostas da equipe econômica do governo para recuperação da economia têm cartas na manga para intensificar ainda mais o bombardeio contra a PEC. Mais uma vez, a crise política em Brasília se sobrepõe à crise econômica.

No dia 18, Calero, ao pedir demissão do cargo, acusou Geddel de pressioná-lo para produzir um parecer técnico ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para favorecer a aprovação de um projeto imobiliário nos arredores de uma área tombada em Salvador – o residencial La Vue, onde Geddel adquiriu uma unidade. Depois, na última quinta-feira (24), um depoimento de Calero à Polícia Federal foi divulgado e, nele, aparece outra acusação de tentativa de influência sobre o caso. Desta vez, também contra Michel Temer. O imóvel, pivô da demissão do ex-ministro, custa de R$ 2,6 milhões a R$ 4,7 milhões, segundo corretores de Salvador. O projeto do empreendimento, de 24 andares, incluindo uma cobertura duplex, tem 106 metros de altura e é erguido em uma das áreas mais nobres da capital baiana, na região da Barra.

Roberto Brasil