CARNAVAL, CULTURA E EDUCAÇÃO INTEGRAL

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A demonização do carnaval é histórica. No entanto, as manifestações populares no Brasil ganham corpo nas ruas mobilizando milhões de foliões animados pelo rito das artes e da alegria contrariando os poderosos e os fundamentalistas ortodoxos. A explosão do carnaval ecoa nas ruas, nos lares e nos salões como um processo estruturante de nossa cultura caracterizada pela diversidade de valores e linguagens que imprimem especificidade do nosso modo de pensar, sentir e agir numa perspectiva social e pública. A indústria cultural de toda forma tenta se apropriar deste bem agregando produtos e serviços com retorno rentável a sua matriz econômica. Também se registra os picaretas que de modo perverso buscam mercantilizar a alegria popular reduzindo o publico aos seus interesses familiares e patrimoniais no estilo dos coronéis de barrancos do sertão da Amazônia.

E AS POLÍTICAS CULTURAIS: Na ditadura, os governos militares tentaram controlar com mão de ferro as manifestações populares, sobretudo, “os blocos de sujos” que de forma anônima vinham às ruas com críticas políticas e morais provocando a ira da censura de bota, armada com baionetas e fuzis semeando o medo e o terror com objetivo de controlar e dominar nossa gente. Fizeram isto com o carnaval e também estenderam seus tentáculos draconianos ao futebol, inclusive, na seleção brasileira. Destas medidas autoritárias é que resulta os tais desfiles – as marchas – das Escolas de Samba, subordinadas as ordens dos ditadores. Contudo, contrariando a vontade das armas, os compositores das Escolas se rebelavam rimando “alhos com bugalhos” deixando os censores malucos a babar de raiva. É desta época que se tem notícia do chamado “samba do crioulo doido” manifestação poética que os compositores das alas faziam somente pra sacanear com o regime.

A GRANDE SACADA DE BRIZOLA: Em seu primeiro governo no Rio de Janeiro (1983-87), Leonel Brizola e o professor Darcy Ribeiro, enquanto vice-governador, seguindo as diretrizes de Getúlio Vargas, resolveu investir na Cultura, nas Artes e na Educação como motor das políticas de desenvolvimento humano. Com esta determinação é que o Sambódromo da Marquês de Sapucaí mais os CIEPS – Centros Integrados de Educação Pública – foram concebidos e criados pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer. Desta feita, resgata-se a unidade política entre Educação, Cultura e Saúde formulando estratégias e metas visando o empoderamento das Escolas de Samba e a implantação do projeto político pedagógico da Educação Integral e da Escola de Tempo Integral bem no estilo do professor Anísio Teixeira, cuidando do afetivo, do intelecto e da saúde das crianças e jovens filhos dos trabalhos que moravam nas favelas da Cidade Maravilhosa. Nos CIEPS os alunos tinham acesso às novas metodologias de aprendizagem, alimentação completa, prática de esportes, de leitura e tratamento odontológico sob a regência de profissionais de educação e saúde formados e alocados nas escolas em regime de tempo integral. Destaca-se ainda a construção do espaço-tempo escolar ampliando as oportunidades e as novas aprendizagens. A Educação Integral é propositiva centrada nas práticas reflexivas tanto na escola como nas relações sociais e de trabalho. Se no governo Brizola foi possível fazer por que no Amazonas, o Governo e a Prefeitura não inauguraram até hoje nada parecido. A Reino Unida da Liberdade bem que poderia ser piloto de tal projeto, considerando que tem as condições materiais e imateriais para realiza-lo em atenção às crianças e jovens da Zona Sul de Manaus. Não havendo apela-se para força dos comunitários, que no exercício de seu Direito possa lutar pela Educação em Escola de Tempo Integral como política de Estado.

Roberto Brasil