Caos na saúde é debatido em audiência pública na Aleam

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Fotos: Divulgação/Aleam

Correção da data-base e do ticket-alimentação, a volta do vale-transporte e o reajuste salarial foram as reivindicações dos servidores estaduais da Saúde, em evento realizado hoje (19), na Assembleia Legislativa (Aleam). A audiência pública foi de autoria da Defensoria Pública do Estado (DPE-AM), com apoio do deputado estadual Luiz Castro (Rede).

Segundo o parlamentar, a união demonstrada pelos servidores (a audiência contou com a presença de mais de 300 pessoas) assinalou a força da categoria. “O Movimento Organizado dos Trabalhadores (MOTS-AM) está fazendo história porque não esperou o Sindicato. Também registramos a falta de respeito da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), que não mandou representante”, assinalou Luiz Castro.
Os trabalhadores estão há quatro anos sem aumento salarial e sem o pagamento da data-base (reajuste anual para compensar as perdas advindas da inflação). Conforme o deputado, a desmotivação, a revolta e a indignação dos servidores são válidas, pois não falta orçamento para a área.
“Tem dinheiro sobrando, já tinha na gestão anterior, foi desviado, a Polícia Federal defenestrou uma das piores quadrilhas. É necessário também investigar os outros contratos de terceirização: tentamos abrir a CPI aqui na Aleam e não conseguimos assinaturas suficientes para iniciar”, ressaltou Luiz Castro.
Um dos líderes do Movimento, Ronaldo Amazonas, apresentou dados comparativos de outras categorias de servidores. Ele também mostrou o que os trabalhadores deixaram de fazer devido as perdas salariais acumuladas entre os anos de 2015 e 2018. Dentre as questões, contas a pagar, empréstimos consignados e até andar a pé de casa para o trabalho foram rememorados.​
“Há servidores que foram despejados por não conseguir pagar o aluguel, por conta da demora no pagamento. Além disso, enquanto a Susam paga R$ 160 milhões para empresas terceirizadas, a folha de pagamento mensal para os servidores estaduais e das Fundações é de R$ 51 milhões. O resultado é que o nosso salário só ‘banca’ o transporte até o meio do mês”, reforçou.
Para o Defensor Público das Causas Coletivas, Dr. Carlos Almeida, as reivindicações não são melhorias salarias, e sim o cumprimento da Lei. Na manhã de hoje, a Susam enviou para a Defensoria um documento assinalando que está providenciando o reajuste do tíquete-alimentação e realizando análise das outras questões.
“O anúncio da implementação do tíquete será conferido pela Defensoria e concluída com os trabalhadores. Sobre o ajustamento da data-base, a Secretaria disse estar iniciando e o órgão também irá analisar, porque a data-base é prevista em Lei, se ela não está funcionando direito, cabe a judicialização e a Defensoria irá ajudar”, confirmou Carlos Almeida.
Outra vitória foi o agendamento de uma reunião, em conjunto com o titular da Susam, Francisco Deodato, mediada pelo deputado estadual Dermilson Chagas. Na audiência, também estiveram presentes os parlamentares Alessandra Campelo, José Ricardo e Serafim Corrêa.
Roberto Brasil