Candidato à prefeitura de Manaus é o segundo no Brasil com mais dinheiro guardado em casa, segundo TSE

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dinheiro-em-casaMesmo em tempos em que as operações bancárias podem ser feitas sem sair de casa, muitos candidatos parecem ter mantido o antigo hábito de “guardar dinheiro no colchão”. É o que demonstram os dados do Tribunal Superior Eleitoral sobre os registros de candidatura. Ao todo, 24 postulantes às prefeituras de capitais declararam manter um total de R$ 4,5 milhões de recursos em espécie. Alguns têm em suas residências um valor mais alto do que vale o próprio imóvel.

Dos 24 postulantes, 13 informaram ter valores superiores a R$ 100 mil. O candidato que declarou ter o maior volume em espécie, de R$ 800 mil, foi Cláudio Silva, candidato à prefeitura de Salvador pelo PP. Para se ter uma ideia, o apartamento declarado pelo político custa R$ 400 mil.

A assessoria de Silva afirmou que ele “forneceu à Justiça Eleitoral a transcrição integral dos bens declarados em seu Imposto de Renda de 2015” e que “o valor em espécie, disponível à época da declaração do Imposto de Renda, foi destinado a despesas e investimentos ao longo de 2016”. Ainda de acordo com a assessoria, o valor do imóvel corresponde ao ano de 1999, quando o apartamento foi adquirido, e não foi corrigido.

Candidato à prefeitura de Manaus pelo PRB, Silas Câmara (PRB) foi o concorrente que declarou o segundo maior valor em espécie: R$ 550 mil. Esse total é maior, por exemplo, do que o prédio comercial que o político tem, de R$ 100 mil. A exemplo de Cláudio Silva e Câmara, a maioria dos candidatos que declararam ter valores em casa está no Norte e Nordeste. A assessoria do candidato do PRB disse que o dinheiro em espécie é fruto de rendimentos legais e declarados no Imposto de Renda.

“Manter em espécie é uma decisão pessoal e não considero perigoso por estar guardado em local próprio e seguro”, disse o candidato, por meio de sua assessoria.

Já Alcides Bernal (PP), que disputa a prefeitura de Campo Grande, declarou ter R$ 500 mil em espécie, valor superior ao de seu imóvel, de R$ 343 mil. Por meio de sua assessoria, ele disse que “este valor é proveniente de economias e recebimento de uma dívida”.

No Rio, nenhum dos candidatos informou ter recursos em espécie. Em São Paulo, dois concorrentes declararam ter dinheiro vivo: Marta Suplicy (PMDB) e João Bico (PSDC). Na declaração de bens da peemedebista constam R$ 120 mil em espécie e na do candidato do PSDC, R$ 148 mil. Em Belo Horizonte, Marcelo Álvaro Antonio (PR) afirmou ter R$ 105,7 mil.

— Você tem no país a alternativa de aplicações financeiras rentáveis. O Brasil tem taxas de juros alta. Mesmo que não tivesse, é melhor o dinheiro render alguma coisa do que não render nada. Além de não fazer nenhum sentido prático (guardar dinheiro). Hoje, temos um sistema informatizado, pode se fazer tudo pelo celular — avaliou o economista Daniel Sousa, coordenador acadêmico da pós-graduação do Ibmec/RJ.

*Com informações AGÊNCIA O GLOBO

Roberto Brasil