Câmara retoma sob velhos e novos fantasmas

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Agosto começa sob alta tensão na Câmara: votações polêmicas e Cunha sob pressão

Agosto começa sob alta tensão na Câmara: votações polêmicas e Cunha sob pressão

Na volta do recesso parlamentar, na próxima terça-feira (4), os deputados vão se deparar com novos e velhos fantasmas, com uma pauta repleta de itens polêmicos. Além da elevação da temperatura política com os desdobramentos da Operação Lava Jato, os parlamentares terão de lidar com assuntos que dividiram a Casa no primeiro semestre, como a reforma política e a redução da maioridade penal, e outras votações não menos polêmicas, como o projeto que corrige o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) pela poupança e a análise da prestações de contas de três ex-presidentes. O governo teme pelo futuro do ajuste fiscal caso a proposta que aumenta a correção do FGTS seja aprovada, devido ao impacto da mudança sobre as contas públicas.

As sessões ordinárias do plenário têm a pauta trancada por dois projetos de lei do Executivo sobre combate ao terrorismo e seu financiamento. Nas sessões extraordinárias, os parlamentares tentarão concluir a votação, em segundo turno, da reforma política e da redução da maioridade penal para determinados crimes.

A semana também representará um teste de força para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), alvejado às vésperas do recesso pela denúncia do lobista Júlio Camargo, um dos delatores da Lava Jato, de que pediu propina de US$ 5 milhões em troca de contrato na Petrobras. O deputado Ivan Valente (Psol-SP), vai propor a convocação e a quebra dos sigilosbancário, fiscal e telemático de Cunha na CPI da Petrobras.

Em entrevista ao Jornal Nacional, na última quinta-feira (30), a advogada Beatriz Catta Preta, que defendia Júlio, declarou que abandonou a carreira e deixará o país após receber ameaças veladas de integrantes da CPI da Petrobras. Segundo ela, a situação se agravou após a denúncia do delator contra Cunha. O peemedebista anunciou, no sábado (1º), que a Câmarainterpelará a advogada na Justiça para que ela aponte quem a ameaçou, sob pena de ser responsabilizada criminalmente.

Embora conte com o apoio da maioria dos líderes, como mostrou a Folha de S.Paulo neste domingo (2), Cunha está sujeito a constrangimentos. O líder do Psol, Chico Alencar (RJ), vai defender, em reunião com as demais lideranças e o próprio Eduardo Cunha, que ele se afaste da presidência da Casa enquanto estiver sob suspeita. Há, ainda, rumores de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentará até sexta-feira denúncia contra o peemedebista no Supremo Tribunal Federal. Agosto começará com toda força em Brasília. CONGRESSO EM FOCO

Roberto Brasil